Dólar recua 1,6% e Bolsa reage em dia de alívio externo

Economia

A segunda-feira, 16 de março, marcou um dia de recuperação para o cenário financeiro nacional, com o dólar recuando acentuadamente frente ao real. A moeda norte-americana encerrou as operações próxima da casa dos R$ 5,20, influenciada por um expressivo alívio no panorama externo. Essa reversão veio após um período de valorização que havia levado a cotação a níveis elevados, sinalizando uma melhora na percepção de risco global e impactando positivamente diversos ativos no Brasil, como as ações.

O mercado cambial demonstrou uma dinâmica de forte baixa para o dólar comercial. A moeda estadunidense encerrou o dia vendida a R$ 5,229, registrando uma diminuição significativa de R$ 0,085, o que representa um declínio de 1,60%. No período matutino, a cotação chegou a se aproximar de R$ 5,28, evidenciando uma volatilidade inicial. Contudo, ao longo da tarde, uma consistente desvalorização prevaleceu, levando a cotação ao seu fechamento próximo do patamar mínimo diário.

Dólar recua 1,6% e Bolsa reage em dia de alívio externo

Apesar da forte retração observada nesta segunda-feira, o histórico de março revela um movimento de valorização acumulada para o dólar, que registrava uma alta de 1,87% no decorrer do mês. Em contrapartida, a perspectiva anual é de desvalorização, com a moeda acumulando uma queda de 4,72% em relação à divisa brasileira desde o início do ano. O desempenho de hoje marca uma inflexão notável, especialmente após dois pregões anteriores terem registrado altas consecutivas, culminando com o dólar superando a barreira dos R$ 5,30 e atingindo o pico de fechamento desde janeiro. A principal força motriz por trás da valorização do real foi a diminuição da aversão a riscos no âmbito internacional, impulsionada por uma queda significativa nos preços do petróleo. Essa conjuntura favoreceu o real, colocando-o entre as moedas de mercados emergentes com os melhores resultados do dia.

Bolsa de Valores também Apresenta Reação Positiva

Paralelamente à movimentação cambial, o principal indicador do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa, exibiu um comportamento alinhado à melhora do ambiente externo. Após registrar duas sessões consecutivas de perdas, o índice da B3 encerrou o pregão em alta, com um avanço de 1,25%, fechando o dia aos 179.875 pontos. Durante a sessão, o Ibovespa chegou a transpor a marca de 181 mil pontos em determinados momentos, indicando um vigor ainda maior que se ajustou até o fechamento.

A recuperação no mercado de ações refletiu a maior tranquilidade e uma melhoria na percepção de risco global. A moderação dos preços do petróleo foi um elemento crucial que contribuiu para aliviar a pressão sobre os mercados financeiros, que vinham sendo marcados por alta volatilidade nos dias anteriores em decorrência do conflito geopolítico no Oriente Médio. O ambiente de maior otimismo e a consequente redução da incerteza impulsionaram o desempenho positivo dos ativos brasileiros, corroborando o alívio generalizado percebido no mercado financeiro global.

Recuo no Preço do Petróleo Impulsiona Mercados

O fator primordial que fundamentou a mudança de humor nos mercados internacionais foi, de fato, a retração nas cotações do petróleo. Essa importante commodity energética experimentou uma desvalorização diante das projeções de um restabelecimento gradual da navegação marítima através do Estreito de Ormuz. Este estreito possui uma importância estratégica incomensurável, sendo responsável pela passagem de aproximadamente 20% de toda a oferta global de petróleo.

O contrato do petróleo Brent, referência para as transações internacionais, com vencimento em maio, registrou um fechamento em queda de 2,84%. Contudo, é importante ressaltar que o preço do barril ainda se mantém acima dos US$ 100 e acumulou uma robusta valorização de 40% no decorrer do mês de março.

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Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

Declarações feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também contribuíram para arrefecer as tensões geopolíticas. Ele sinalizou que o acesso ao Estreito de Ormuz poderia ser normalizado em breve, além de indicar a existência de interlocutores no Irã que estariam dispostos a participar de um processo de diálogo. Tais comunicações, somadas à perspectiva de reabertura progressiva do estreito, levaram os investidores a desfazerem suas posições mais defensivas, estabelecidas na sexta-feira anterior em um cenário de temores de escalada do conflito no Oriente Médio. Para mais detalhes sobre as implicações globais dos preços do petróleo, confira as análises recentes da Valor Econômico.

Intervenções no Cenário Doméstico e Expectativas do Copom

Internamente, operadores do mercado financeiro brasileiro também identificaram a atuação do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos como um ponto favorável. O órgão realizou duas operações de recompra de papéis, estratégia que visou ampliar a liquidez e mitigar as pressões na curva de juros. Essa ação colaborou para a redução das taxas de contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), as quais registraram quedas superiores a 30 pontos-base, equivalente a 0,3 ponto percentual, em diversos vencimentos, impactando diretamente o custo do dinheiro no mercado.

Os participantes do mercado aguardam com expectativa a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, agendada para quarta-feira, 18 de março. A expectativa majoritária do mercado aponta para um corte mais conservador na taxa Selic, com uma provável redução de 0,25 ponto percentual, o que levaria os juros de 15% para 14,75% ao ano. Contudo, uma parcela dos analistas já pondera a possibilidade de que a taxa básica de juros seja mantida em seu patamar atual, considerando as recentes pressões inflacionárias, exacerbadas pela recente alta do petróleo. Apesar das diversas conjecturas, a previsão é que, mesmo com um eventual ajuste para baixo, o diferencial de juros brasileiro permanecerá em um patamar atraente. Essa condição é propícia para manter a atratividade do real junto aos investidores internacionais, uma vez que remunera o capital de forma superior em comparação a outros mercados globais.

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Diante deste panorama complexo, que mescla influências externas de redução de risco e estratégias domésticas para estabilização, o dólar recuou fortemente, reajustando as expectativas do mercado para os próximos dias. A percepção de um cenário mais equilibrado e a atenção voltada para as decisões de política monetária no Brasil moldam a confiança dos investidores e o curso da economia. Para aprofundar-se em mais análises e notícias sobre os desdobramentos do mercado econômico e seus impactos, continue acompanhando a editoria de Economia em nosso portal.

Crédito da imagem: Nguyen Huy Kham/Reuters – Proibido reprodução

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