21Shares lança ETF cripto de renda para bater Selic

Economia

A gestora suíça 21Shares está avançando no Brasil com um pioneiro ETF cripto de renda, buscando oferecer rendimentos elevados em dólar capazes de superar a rentabilidade da taxa Selic brasileira. A estratégia, que utiliza operações com criptoativos, visa proporcionar altos ganhos sem expor o investidor à volatilidade característica desse mercado.

Esta iniciativa marca o progresso mais tangível da companhia no país, desde a sua chegada em setembro de 2025, com a introdução de seis BDRs de ETFs. Conforme o CEO Russel Barlow destacou em entrevista ao InfoMoney, a demanda por um produto de criptoativos que gere retornos significativos sem a plena exposição às flutuações de preços dos ativos digitais é uma oportunidade atraente para o cenário de investimentos brasileiro.

21Shares lança ETF cripto de renda para bater Selic

O atual patamar da taxa Selic, que se mostra aproximadamente três vezes superior aos juros praticados nos Estados Unidos, cria um desafio considerável para quaisquer produtos de risco que busquem oferecer um retorno competitivo frente aos títulos soberanos nacionais. Barlow reconhece essa dinâmica, afirmando a necessidade de entregar um perfil de rendimento robusto para atrair o investidor local.

Para alcançar um rendimento tão atrativo, a 21Shares explorará as finanças descentralizadas (DeFi) – um ecossistema que permite transações financeiras sem a dependência de bancos ou outros intermediários. Embora outros ETFs já disponibilizem exposição a criptomoedas presentes no segmento DeFi, o foco da gestora suíça é incorporar estratégias inovadoras de yield que nasceram neste ambiente. As operações DeFi são reconhecidas tanto por seu potencial de alto retorno quanto pelo risco elevado, um fator que a 21Shares pretende mitigar por meio de sua estrutura de investimento.

Simultaneamente, a 21Shares, que gerencia ativos na ordem de US$ 7 bilhões globalmente, estuda a possibilidade de lançar no mercado brasileiro um produto já consolidado na Europa. Este ativo está vinculado à STRC, uma ação da Strategy, empresa americana célebre por manter Bitcoin (BTC) em seu balanço e controlada por Michael Saylor. A STRC, de fato, funciona de maneira similar a um título de renda fixa, oferecendo pagamentos periódicos de rendimento aos seus detentores.

Na Europa, o produto concebido pela 21Shares em torno da STRC registra um rendimento anual aproximado de 12%, com proventos reinvestidos automaticamente. Diferentemente de outros fundos, ele não cobra taxa de administração fixa; em vez disso, a gestora recebe uma fração do rendimento gerado. Essa modelagem garante que os ganhos da 21Shares estejam diretamente atrelados ao desempenho do produto. “Quando nossos clientes ganham devido a rendimentos atrativos, nós também ganhamos. Se os rendimentos diminuem, o que recebemos diminui proporcionalmente. Acreditamos que isso alinha nossos interesses”, explicou Barlow, ressaltando o entusiasmo com a recepção do produto no Brasil.

O Brasil, juntamente com os países do Golfo Pérsico, desponta como mercado prioritário de curto prazo para a 21Shares. Essa prioridade se posiciona à frente de nações como Coreia do Sul, Japão, Índia e África, que Barlow classifica como apostas com horizonte mais alongado. “O Brasil nos entusiasma enormemente”, afirmou o executivo, reforçando a importância estratégica do país para a expansão da companhia.

Nesse panorama, os lançamentos de BDRs de ETFs em setembro representaram mais do que simples ofertas de produto; foram uma declaração clara de intenções, antecipando uma operação mais abrangente. “No Brasil, buscamos demonstrar nosso comprometimento por meio dos BDRs. Foram os primeiros produtos que lançamos para sublinhar o nosso compromisso com este mercado”, elucidou Barlow.

A abordagem focada na geração de renda constitui a pedra angular da estratégia global da 21Shares desde que Barlow assumiu a liderança da empresa em março de 2025. Antes disso, ele dedicou mais de duas décadas à Abrdn, uma das principais gestoras de ativos do Reino Unido, onde supervisionava uma plataforma de investimentos alternativos e multimercado com um portfólio superior a US$ 250 bilhões, abrangendo fundos de hedge, crédito privado, private equity e infraestrutura.

Na nova casa, o diagnóstico de Barlow é que grandes investidores institucionais, como fundos de pensão e gestoras de patrimônio mais tradicionais, não estão predominantemente inclinados a simplesmente adquirir Bitcoin ou Ethereum (ETH) e aguardar sua valorização. Esses investidores, argumenta ele, procuram estratégias que entreguem renda de maneira mais previsível, alinhada a um perfil de risco comparável ao de títulos de dívida corporativa.

“Não estamos necessariamente persuadindo alguém a comprar um criptoativo em si. O que propomos é que eles avaliem a oportunidade de replicar certas estratégias, algo semelhante ao crédito alternativo, com características de risco e potencial de retorno equiparáveis à dívida de mercados emergentes. A diferença é apenas o ativo que serve como base para essa expressão”, pontuou Barlow. Este direcionamento estratégico impulsionou a 21Shares a lançar, em maio de 2026, seu primeiro fundo de gestão ativa nos Estados Unidos, o TKNS, listado na Nasdaq.

Diferente dos ETFs tradicionais, que replicam automaticamente um índice de preços sem intervenção gerencial ativa, o TKNS é gerenciado por uma equipe que decide ativamente quais ativos comprar e vender, baseando-se em análises de mercado. Esse movimento sublinha a visão de que a próxima grande transformação não advirá de um novo tipo de ativo, mas de uma metodologia renovada de estruturar e “empacotar” os investimentos.

Atualmente, os ETFs representam o principal caminho para quem busca exposição regulada a criptoativos, mas Barlow acredita que essa estrutura possui um prazo de validade. “Os fundos mútuos foram o veículo predominante por algumas gerações. Os ETFs desempenham esse papel agora e talvez o façam por mais uma geração”, analisou ele. “Mas depois, migraremos para a próxima fase”. Esta iteração, na percepção do executivo, são os fundos tokenizados – versões de fundos que operam diretamente no registro digital da blockchain e podem ser movimentados autonomamente por meio de contratos inteligentes.

A 21Shares almeja estar bem posicionada para este futuro. “Não precisamos antever o futuro distante, mas sim nos preparar para a direção em que o mercado se move, para estarmos à frente, não atrás”, frisou Barlow. Este raciocínio se estende à inevitável redução gradual das taxas cobradas pelas gestoras, um fenômeno já observado em fundos tradicionais e esperado para o universo cripto. “Estamos cientes de que o setor atual vivenciará uma compressão de taxas. Reconhecemos essa realidade e, por isso, estamos diversificando ativamente nossas ofertas de produtos para continuar competitivos”, concluiu.

Para uma melhor compreensão sobre as finanças descentralizadas (DeFi) e seu impacto nos investimentos, consulte fontes especializadas.

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A aposta da 21Shares em um ETF cripto de renda no Brasil representa uma estratégia ousada para democratizar o acesso a altos rendimentos, mitigando riscos e se posicionando na vanguarda das finanças digitais. Este movimento destaca o potencial do país no cenário global de criptoativos e a busca por inovações que transformam a maneira como os investidores institucionais e de varejo encaram o futuro do dinheiro. Continue acompanhando a nossa editoria de Economia para mais análises e notícias sobre o mercado financeiro e tendências de investimento.

Crédito da imagem: Divulgação

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