Os municípios fluminenses começam a receber, a partir desta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, a aguardada vacina contra a dengue, desenvolvida e produzida pelo prestigiado Instituto Butantan. A logística de distribuição para todas as 92 cidades do estado está sob a responsabilidade da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), marcando um avanço significativo na campanha de imunização contra a arbovirose.
Ao todo, o estado do Rio de Janeiro foi agraciado com 33.364 doses iniciais do imunizante. Desse montante, uma parcela considerável de 12.500 doses será encaminhada especificamente para a capital fluminense, Rio de Janeiro. Em alinhamento com as diretrizes e determinações do Ministério da Saúde, a fase inicial desta campanha de vacinação tem como prioridade os profissionais de saúde atuantes na Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS).
Vacina Contra a Dengue Chega Aos Municípios Fluminenses
A abrangência inicial contempla não apenas os profissionais da linha de frente que trabalham diretamente no cuidado aos pacientes, como médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem e odontólogos, mas também equipes multiprofissionais – que englobam nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, assistentes sociais e farmacêuticos. Além disso, a iniciativa inclui agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE). A SES-RJ informou que a expansão para outros segmentos da população será realizada progressivamente, em etapas futuras.
Estratégia de Imunização e Públicos Alvo
Keli Magno, gerente de Imunização da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, esclareceu detalhes importantes sobre o uso da vacina. Segundo ela, o imunizante do Instituto Butantan possui licenciamento para aplicação em indivíduos com idade entre 12 e 59 anos. Contudo, em virtude da recomendação de que a vacina desenvolvida pelo laboratório Takeda seja utilizada na faixa etária de 10 a 14 anos, a administração da vacina do Butantan será focalizada no grupo de 15 a 59 anos de idade, buscando otimizar a cobertura e complementar as ações existentes.
A estratégia de vacinação é descrita como escalonada e gradativa, começando pelos trabalhadores da Atenção Primária à Saúde. Keli Magno adicionou que a campanha avançará de forma progressiva, conforme a disponibilização de novas doses por parte do fabricante, até que todos os adolescentes com 15 anos que ainda não receberam a vacina da Takeda sejam imunizados. Essa abordagem visa garantir uma cobertura eficaz e ordenada em todo o território fluminense, maximizando a proteção da população contra a dengue.
Um aspecto crucial da nova vacina é que ela é de dose única e confere proteção abrangente contra os quatro sorotipos da doença. No estado do Rio de Janeiro, os sorotipos 1 e 2 são os mais frequentemente identificados. Contudo, a Secretaria de Estado de Saúde expressou preocupação com a potencial reintrodução do sorotipo 3 da dengue. Esta variante não circula na região desde 2007, o que poderia gerar uma considerável vulnerabilidade em parte da população que não desenvolveu imunidade, mesmo que não tenha se propagado no Rio de Janeiro até o presente momento, e esteja presente em estados vizinhos.
Contexto Epidemiológico e Prevenção Essencial
Apesar de os indicadores atuais da doença demonstrarem níveis baixos de circulação, a SES-RJ emite um alerta robusto para a importância inadiável das ações preventivas, especialmente após o período do Carnaval. Chuvas intensas ocorridas antes da folia, combinadas com o calor extremo característico do verão, formam um ambiente propício para a proliferação acelerada do mosquito *Aedes aegypti*. Este inseto é o vetor não apenas da dengue, mas também da chikungunya e da zika, e seu ciclo reprodutivo é intensificado por tais condições climáticas. Adicionalmente, o aumento no fluxo de turistas que visitam o estado durante esta época, potencialmente provenientes de áreas com circulação ativa do vírus, amplifica o risco epidemiológico.
Informações divulgadas pelo Centro de Inteligência em Saúde da SES-RJ indicam que, até o dia 20 de fevereiro deste ano, foram registrados no estado 1.198 casos prováveis de dengue, resultando em 56 internações. Não há, até o momento, confirmação de óbitos pela doença. No mesmo período, foram contabilizados 41 casos prováveis de chikungunya, com 5 internações. É relevante notar que, atualmente, não há casos confirmados de zika vírus no território fluminense. O monitoramento contínuo da dengue, que é a arbovirose com maior circulação, é realizado por meio de um indicador multifatorial que avalia atendimentos em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), solicitações de leitos e taxas de positividade de exames. Todos esses dados podem ser acessados em tempo real na plataforma MonitoraRJ, através do endereço monitorar.saude.rj.br. Atualmente, os 92 municípios do estado se encontram em situação de rotina, sem ocorrências de surto.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Em virtude da elevada capacidade de reprodução do *Aedes aegypti*, a recomendação principal para a população é dedicar dez minutos semanais para uma vistoria minuciosa em suas residências. Esta inspeção deve incluir a verificação da vedação de caixas d’água, a limpeza rigorosa de calhas, a adição de areia nos pratos de plantas e o descarte correto de qualquer acúmulo de água nas bandejas de geladeira ou em outros recipientes. A secretaria reitera que, no verão, caracterizado pela alternância entre chuvas e elevadas temperaturas, as condições são ideais para o ciclo reprodutivo do mosquito. Os ovos do *Aedes aegypti* são depositados em locais com água acumulada e eclodem rapidamente sob a influência da incidência solar e do calor.
Medidas Adicionais e Ações da SES-RJ
O esforço de combate à dengue no Rio de Janeiro não se restringe apenas à recém-chegada vacina do Butantan. Em 2023, o Ministério da Saúde iniciou o fornecimento da vacina Qdenga, de fabricação japonesa, complementando as estratégias de imunização em todo o território nacional. No estado do Rio, mais de 758 mil doses deste imunizante já foram aplicadas. Do grupo etário-alvo de 10 a 14 anos, mais de 360 mil crianças e adolescentes receberam a primeira dose, e 244 mil completaram o esquema vacinal com a segunda dose, conforme dados consolidados até o momento. As diretrizes e campanhas nacionais de vacinação são frequentemente divulgadas pelo Ministério da Saúde, reforçando a importância da adesão.
A Secretaria de Estado de Saúde também investe continuamente na qualificação da rede de atendimento de saúde, utilizando videoaulas e treinamentos específicos. O Rio de Janeiro se destacou por ser pioneiro na criação de uma ferramenta digital que padroniza o manejo dos casos de dengue nas unidades de saúde, facilitando o trabalho dos profissionais. Esta aplicação tecnológica foi, inclusive, disponibilizada para uso por outros estados brasileiros, evidenciando sua eficácia e replicabilidade.
Em complemento a essas iniciativas, o Laboratório Central Noel Nutels (Lacen-RJ) foi significativamente modernizado e equipado. Atualmente, o Lacen-RJ tem capacidade para realizar até 40 mil exames por mês, garantindo uma detecção ágil e precisa não apenas da dengue, mas também de zika, chikungunya e, mais recentemente, da febre do Oropouche. É importante ressaltar que a febre do Oropouche é uma arbovirose distinta, cuja transmissão não ocorre pelo *Aedes aegypti*, mas sim pelo Ceratopogonidae, conhecido popularmente como Maruim, conforme detalhado pela assessoria de imprensa da SES-RJ.
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Esta notícia demonstra o empenho do estado do Rio de Janeiro em fortalecer suas estratégias de saúde pública para enfrentar a dengue, combinando imunização, monitoramento epidemiológico e educação para a prevenção. Para mais informações e atualizações sobre a saúde na região e o cotidiano de nossos municípios, continue acompanhando nossa editoria de Cidades.
Crédito da imagem: Instituto Butantan/Divulgação


