O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou suas críticas a plataformas de streaming, emitindo uma ameaça direta à Netflix. A polêmica surge em resposta aos comentários feitos por Susan Rice, influente conselheira do gigante do streaming, que havia sinalizado possíveis represálias democratas contra empresas que demonstraram subserviência ao governo do ex-presidente. Trump, em sua manifestação nas redes sociais, exigiu que a empresa de entretenimento demita Rice imediatamente ou prepare-se para enfrentar “consequências” não especificadas.
Este embate público coloca a Netflix em uma situação delicada, não apenas politicamente, mas também estrategicamente. A empresa de streaming está, no momento, em uma acirrada disputa corporativa com a Paramount Skydance Corp. pela aquisição da Warner Bros. Discovery Inc., um movimento que moldaria significativamente o futuro do cenário do entretenimento digital. A pressão política externa, somada a esses desafios internos, sublinha a complexidade do ambiente operacional para grandes corporações no cenário político atual dos EUA, onde o escrutínio e a influência política podem ter ramificações comerciais importantes.
Trump ameaça Netflix após conselheira Susan Rice o criticar
A figura central nesta controvérsia, Susan Rice, possui uma vasta e respeitada trajetória política. Ela atuou como conselheira de segurança nacional e embaixadora nas Nações Unidas durante a administração do ex-presidente Barack Obama, entre 2009 e 2013, e novamente na Casa Branca como Diretora do Conselho de Política Interna durante o mandato do presidente Joe Biden, até 2023. Sua volta ao conselho da Netflix, ocorrida no ano de 2023 após sua saída do governo Biden, marca seu retorno ao setor privado com um currículo político de peso, que empresta uma voz considerável às suas declarações públicas e a posiciona como uma figura de grande influência na esfera pública e corporativa.
As afirmações de Rice que provocaram a ira de Trump foram feitas durante um recente podcast. Na ocasião, ela expressou a percepção de que muitas empresas, incluindo veículos de comunicação e escritórios de advocacia que cederam às demandas de lealdade impostas por Trump em seu governo, agora estão cientes de que suas ações foram amplamente impopulares perante uma parcela significativa da opinião pública. Sua advertência foi direta: “Eles serão responsabilizados se os democratas voltarem ao poder”, e prosseguiu alertando que “Se eles acham que os democratas vão jogar pelas regras antigas, estão muito enganados.” Esta declaração sugere que as futuras administrações democratas não tolerarão posturas de colaboração com agendas que consideram prejudiciais.
Esta declaração ressoa com o sentimento crescente em círculos democratas de que é necessário um novo tipo de assertividade e responsabilidade para lidar com as realidades da política polarizada, especialmente no pós-governo Trump. A retórica de Rice sugere uma ruptura com as convenções políticas passadas, indicando que uma futura administração democrata poderia adotar uma postura mais firme contra corporações percebidas como coniventes ou submissas a agendas que eles consideram prejudiciais à democracia ou aos valores sociais. Isso levanta questões importantes sobre o papel da responsabilidade corporativa em um ambiente político volátil, onde as escolhas de negócios podem ser interpretadas como alinhamentos ideológicos, com potenciais consequências no futuro.
A reação de Donald Trump aos comentários de Susan Rice é consistente com seu histórico de confrontos com figuras públicas e instituições que o criticam. Embora o ex-presidente não tenha especificado a natureza das “consequências” que a Netflix poderia enfrentar, seu passado oferece um indicativo claro de sua abordagem. Ele frequentemente criticou outras emissoras e meios de comunicação por reportagens ou conteúdos que considerava desfavoráveis, por vezes gerando grande repercussão. Em contextos anteriores, como recorda o próprio artigo original, o presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC), Brendan Carr, chegou a ameaçar a revisão de licenças de transmissão para algumas dessas redes criticadas por Trump, sublinhando o potencial impacto regulatório de suas manifestações.
Essa menção à FCC é significativa, pois, embora a Netflix seja uma plataforma de streaming e não uma emissora tradicional sujeita às licenças de transmissão da FCC no mesmo molde, a associação com tais órgãos reguladores adiciona peso à retórica de Trump. Em sua administração, houve um claro esforço para influenciar e, por vezes, desafiar o controle editorial de mídias, criando um ambiente de incerteza para empresas que operam sob o escrutínio político. A ausência de detalhes sobre as “consequências” para a Netflix especificamente por parte de Trump mantém uma ambiguidade calculada, deixando espaço para especulações e aumentando a pressão sobre a empresa, forçando-a a considerar as implicações de qualquer decisão futura relacionada a seus executivos ou conteúdo.

Imagem: valor.globo.com
A declaração de Susan Rice sobre as empresas que “cederam” às exigências de Trump reflete uma avaliação crítica sobre a postura corporativa durante um período de intensa polarização política. Ao destacar que as ações tomadas “agora percebem que foram impopulares”, Rice sugere que existe uma reflexão interna no setor privado sobre o custo reputacional e ético de alinhar-se com certas figuras políticas ou agendas. A perspectiva de uma “prestação de contas” futura, caso os democratas recuperem o poder, adiciona uma nova camada de risco estratégico para as corporações que operam na intersecção entre o capital e a política, indicando que o preço de silenciar ou apoiar certas narrativas pode ser maior do que o inicialmente percebido. Este contexto político é crucial para entender a profundidade da controvérsia e o impacto potencial nas decisões corporativas a longo prazo.
O posicionamento de Susan Rice, uma veterana da política externa e interna, também amplifica a seriedade de suas advertências. Sua experiência em múltiplos níveis do governo federal dos EUA confere autoridade e credibilidade às suas previsões sobre a evolução das políticas democratas, incluindo uma possível inflexão na relação com grandes corporações. Para um olhar aprofundado sobre o cenário político americano e suas dinâmicas de poder, recomenda-se a leitura de análises de veículos de comunicação reconhecidos, como o Estadão, que frequentemente cobrem esses eventos com precisão. Veja mais sobre a política dos Estados Unidos em: Estadão Internacional – Política dos Estados Unidos.
Até o momento, a Netflix optou por não emitir qualquer comunicado em resposta ao pedido de demissão de Susan Rice ou às ameaças de Donald Trump. O silêncio da gigante do streaming pode ser uma estratégia para evitar inflamar ainda mais a situação, mas também pode gerar questionamentos sobre sua postura diante de pressões políticas externas e internas, especialmente enquanto a empresa navega por uma fase de significativas decisões estratégicas e concorrência no mercado global de entretenimento. Acompanhar os desdobramentos dessa disputa será fundamental para observar a interação entre o poder político, a mídia e o setor corporativo e como essas forças podem se moldar mutuamente em tempos de grande instabilidade.
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Em suma, a recente intervenção de Donald Trump contra a Netflix e a conselheira Susan Rice é um lembrete vívido da intensa polarização política que continua a moldar os cenários corporativo e midiático dos EUA. A situação, ainda em aberto, ressalta como figuras públicas de peso podem influenciar diretamente grandes corporações e levanta discussões importantes sobre liberdade de expressão, responsabilidade empresarial e o futuro da regulação de mídias digitais. Para se manter atualizado sobre os desdobramentos na política e no setor de streaming, convidamos você a explorar outras análises e notícias em nossa editoria de Política e Economia.
Crédito da imagem: Netflix Foto: Bloomberg
