O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em 2 de dezembro de 2025 que o governo norte-americano pode considerar uma intervenção no Irã, caso as autoridades iranianas empreguem violência letal contra os manifestantes. As declarações foram feitas em um contexto de crescentes protestos populares que assolam o país persa desde o início daquela semana. Trump publicou a ameaça em sua rede social, o Truth Social, enfatizando que os EUA estariam preparados para agir se os protestos pacíficos fossem reprimidos com mortes.
A tensão escalou significativamente após o registro de sete mortes durante a recente onda de manifestações, que representam a maior mobilização social no Irã nos últimos três anos. Inicialmente motivados pela profunda crise econômica que afeta o país, os protestos rapidamente se espalharam e se tornaram violentos em diversas localidades. A desvalorização acentuada da moeda local e o aumento generalizado dos preços são apontados como os catalisadores da insatisfação popular.
Trump Alerta: EUA Podem Intervir no Irã Após Mortes
Em resposta à possibilidade de intervenção militar sugerida por Donald Trump, o governo iraniano prontamente reagiu, categorizando qualquer ingerência dos EUA nos assuntos internos do país do Oriente Médio como uma “linha vermelha”. Teerã garantiu que haverá uma retaliação. O Ministro de Relações Exteriores do Irã, cujo nome não foi especificado, reiterou a postura oficial, afirmando categoricamente que o Irã “não aceitará nenhuma interferência externa” em sua soberania e política interna, aumentando as preocupações sobre uma possível escalada diplomática na região.
Origens da Crise: Inflação Alta e Sanções Americanas
As manifestações que têm sacudido o Irã encontram suas raízes em uma crise econômica prolongada e complexa. Um dos fatores mais críticos é a alta inflação que corroeu o poder de compra da população, somada à desvalorização da moeda local, que dificulta o acesso a bens essenciais e agrava as condições de vida. Essa situação tem gerado um crescente descontentamento popular, que explodiu em protestos generalizados. A instabilidade econômica é um reflexo direto de políticas internas e, crucialmente, das sanções impostas por potências estrangeiras.
Um ponto de inflexão na economia iraniana ocorreu em 2018, quando o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu retirar unilateralmente o país do acordo nuclear internacional. Essa medida resultou na reimposição de severas sanções americanas que visavam estrangular a economia do Irã, principalmente seu setor petrolífero e financeiro. Essas sanções agravaram a situação econômica já fragilizada, impactando diretamente o sustento da população e fomentando um ambiente de crise, que, segundo muitos analistas, contribuiu significativamente para a atual onda de protestos. Para uma compreensão mais aprofundada sobre as dinâmicas econômicas e geopolíticas na região, pode-se consultar análises e relatórios de instituições especializadas em Oriente Médio.
Cronologia e Evolução dos Protestos no Irã
A atual onda de protestos teve início em 28 de dezembro de 2025, quando comerciantes começaram a se manifestar contra a forma como o governo conduzia a economia nacional. As queixas iniciais estavam centralizadas na drástica desvalorização da moeda iraniana e no contínuo aumento dos preços, que tornava a vida cotidiana insustentável para muitos. Essa insatisfação logo se transformou em ações mais amplas.

Imagem: g1.globo.com
As mobilizações ganharam uma intensidade significativa já em 29 de dezembro, quando centenas de cidadãos tomaram as ruas em várias cidades. A adesão de comerciantes em Teerã foi crucial, com muitos fechando suas lojas como um sinal explícito de apoio ao movimento. Essa adesão rapidamente galvanizou estudantes e outros setores da sociedade, fazendo com que os atos se propagassem para outras regiões do país. A rápida escalada e o alastramento das manifestações em um curto período evidenciaram a profundidade do descontentamento e a amplitude do apoio popular aos clamores por mudanças econômicas.
Diálogo Oficial: O Governo Iraniano Reconhece as Vozes da População
Diante da crescente pressão das manifestações em massa, o governo do presidente Masoud Pezeshkian buscou uma abordagem conciliatória. As autoridades iranianas anunciaram a abertura de um canal de diálogo direto com representantes da sociedade civil, com o objetivo declarado de ouvir as reivindicações da população. Este movimento indica um reconhecimento da seriedade da situação e da necessidade de atender, de alguma forma, às demandas sociais.
A porta-voz do governo, em uma declaração feita na terça-feira (30 de dezembro de 2025), reforçou essa postura ao afirmar: “Reconhecemos oficialmente os protestos. Ouvimos essas vozes e sabemos que isso tem origem na pressão natural provocada pelas dificuldades no sustento da população”. Essa declaração, apesar da tensão crescente, sinaliza uma tentativa do governo de amenizar a situação através do engajamento e do reconhecimento da legitimidade das preocupações econômicas da população.
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A crise no Irã, desencadeada por problemas econômicos e intensificada por sanções externas e a retórica de figuras políticas globais, mantém a comunidade internacional em alerta. A ameaça de intervenção dos EUA, somada à intransigência iraniana, pinta um cenário complexo para a estabilidade regional. Para se manter atualizado sobre os desdobramentos desta e de outras notícias geopolíticas, continue acompanhando nossa editoria de Política, onde analisamos os eventos que moldam o cenário mundial.
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