As gigantes tecnológicas japonesas Toshiba e Rohm estão em discussões avançadas para a potencial união de seus negócios de semicondutores de potência. Esta iniciativa visa fortalecer a competitividade das empresas em um cenário global marcado pelo crescimento de fabricantes estrangeiros, especialmente da China, e pela dominância de líderes como a alemã Infineon Technologies. As tratativas exploram diversas arquiteturas para essa integração estratégica, que pode redefinir o panorama do setor.
Atualmente, as discussões se concentram na melhor estrutura para concretizar essa aliança. Entre as abordagens possíveis para essa união, está a formação de uma joint venture para gerenciar e transferir as operações de semicondutores de potência de ambas as companhias japonesas. Este movimento estratégico se desenrola em um contexto de pressões do mercado e busca por sinergias para enfrentar a acirrada concorrência internacional.
Toshiba e Rohm Avaliam Unir Semicondutores de Potência
Ainda que os contornos específicos da estrutura de integração não tenham sido completamente definidos, a notícia dessas negociações emerge em um momento crucial. Conforme noticiado anteriormente pelo Nikkei Asia, a Denso, fornecedora de autopeças integrante do grupo Toyota, havia feito uma proposta para adquirir a parcela restante da Rohm que ainda não possuía. Estima-se que, considerando um prêmio sobre o valor de mercado atual da Rohm, a transação poderia alcançar o montante de 1,3 trilhão de ienes, o equivalente a aproximadamente US$ 8,2 bilhões. A iniciativa da Rohm em buscar a integração com a Toshiba pode, portanto, ser vista como uma contramedida para aumentar seu próprio valor de mercado frente à proposta da Denso, complexificando o cenário corporativo.
Pressão e Oportunidades no Mercado Global de Semicondutores de Potência
O surgimento dessas discussões sobre a consolidação no setor de semicondutores de potência reflete a crescente pressão exercida pelos fabricantes estrangeiros, incluindo potências da China. A busca por alianças estratégicas torna-se vital para empresas japonesas manterem sua relevância global. A análise de mercado da empresa americana Omdia, referente ao ano de 2024, revela que a Toshiba detinha 2,6% do mercado de semicondutores de potência, enquanto a Rohm possuía 2,5%. Juntas, suas participações ainda estariam consideravelmente abaixo da líder de setor, a alemã Infineon Technologies, que sozinha controlava 17,4% do mercado. Além disso, empresas chinesas como a Hangzhou Silan Microelectronics e a BYD estão consistentemente expandindo sua atuação, impulsionadas pela competitividade de custos e inovações tecnológicas.
A Denso pode optar por adquirir a Rohm após a concretização de uma eventual integração dos negócios de semicondutores desta com a Toshiba, o que resultaria na formação de uma ampla aliança entre as três corporações. Contudo, essa rota estratégica elevaria substancialmente os requisitos de financiamento para que o acordo seja concluído com sucesso. Uma alternativa para a Denso seria considerar a integração direta das três companhias, ao invés de uma aquisição convencional, embora essa abordagem prolongasse significativamente o tempo necessário para a finalização do complexo processo.
Histórico de Investimentos e Desafios Superados
Em 2023, a Rohm demonstrou seu comprometimento com a Toshiba ao investir 300 bilhões de ienes. Essa aplicação foi realizada por meio do fundo de investimento Japan Industrial Partners, em um contexto do processo de fechamento de capital da Toshiba. Já em 2024, as empresas iniciaram formalmente negociações para uma colaboração direcionada especificamente aos seus segmentos de semicondutores de potência. Contudo, as conversas entraram em um período de estagnação, pois a Rohm havia priorizado, em determinado momento, a reestruturação de suas operações face à desaceleração do mercado global de veículos elétricos. Este novo capítulo nas negociações indica uma reativação desses planos e um alinhamento renovado com as prioridades estratégicas.

Imagem: CristianIS via valor.globo.com
Para abordar a proposta da Denso e os potenciais impactos das atuais negociações com a Toshiba, a Rohm estabeleceu um comitê especial. Este comitê tem a responsabilidade de analisar a fundo se a aquisição pela Denso, incluindo aspectos como o preço oferecido e os planos delineados para aumentar o valor da empresa, de fato beneficiará os acionistas da Rohm. Entretanto, a emergência da proposta da Toshiba, envolvendo uma possível integração de negócios, acrescenta uma camada de complexidade e dificulta a avaliação e o direcionamento exclusivo da aquisição pela Denso, exigindo uma análise multifacetada dos caminhos disponíveis.
A Essencialidade dos Semicondutores de Potência
Os semicondutores de potência são componentes eletrônicos fundamentais, desempenhando um papel crucial no controle da tensão e da corrente elétrica em diversos sistemas. Sua funcionalidade abrange desde a modificação da voltagem da eletricidade fornecida por fontes de energia até a conversão entre corrente contínua e corrente alternada. Essa versatilidade os torna indispensáveis em inúmeras aplicações industriais e de consumo.
No setor automotivo, a Rohm se destaca na produção de semicondutores de potência que utilizam carboneto de silício (SiC), uma tecnologia que confere alta eficiência energética. Por sua vez, a Toshiba é reconhecida por seus produtos convencionais baseados em silício, atendendo a uma vasta carteira de clientes, incluindo aqueles em setores diretamente ligados à geração e distribuição de energia. A união das capacidades de ambas as empresas, com suas especializações complementares, tem o potencial de criar um player global mais robusto e diversificado no competitivo mercado de semicondutores de potência.
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Em suma, a possível fusão dos negócios de semicondutores de potência entre Toshiba e Rohm representa um movimento estratégico crucial para ambas as companhias japonesas em um cenário de crescente competitividade global. Com o objetivo de fortificar sua posição de mercado e competir de forma mais eficaz com líderes globais e empresas chinesas emergentes, essa união pode trazer novas dinâmicas para o setor. Fique atento às futuras análises em nossa editoria de Economia para mais detalhes sobre os impactos dessa aliança estratégica no mercado de tecnologia.
Crédito da imagem: Valor Econômico.
