Em um desenvolvimento recente e crucial, o ministro **Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), proferiu uma decisão neste sábado (27) que rejeita um recurso apresentado pelo Banco Central (BC)**. A solicitação do BC visava obter esclarecimentos acerca da “urgência” de uma acareação marcada para ocorrer durante o recesso judicial, envolvendo nomes importantes no cenário financeiro nacional. Com a negativa do ministro, a acareação decisiva será mantida conforme agendamento original.
O Banco Central havia protocolado, na última sexta-feira (26), os chamados embargos de declaração junto ao ministro Dias Toffoli. Nesses embargos, a instituição reguladora pedia clarificações sobre o pedido de acareação formulado pelo magistrado, especialmente no que tange à liquidação do Banco Master. O BC argumentou não se recusar a atender à determinação, mas buscava precisamente o escopo da exigência para, segundo a instituição, “evitar o que chamou de armadilhas processuais” inerentes ao complexo processo jurídico.
Toffoli Rejeita Recurso do BC e Mantém Acareação no Caso Banco Master
A decisão de Toffoli, divulgada neste sábado, é taxativa ao considerar que o pedido não deveria ser conhecido. A justificativa do ministro é clara: nem o Banco Central, nem seu diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino Santos, estão sob investigação no âmbito deste processo. Ambos são enquadrados como “terceiros interessados”, embora sua participação seja de vital importância para o andamento das apurações. O ministro sublinhou a relevância da instituição financeira na apuração, afirmando que “Deixo de conhecer dos embargos, posto que nem a Autoridade Central Financeira Brasileira nem o diretor da Autarquia são investigados e, portanto, sujeitos das medidas já determinadas nos presentes autos.” Toffoli acrescentou que, tendo em vista que a investigação aborda diretamente a atuação da autoridade reguladora nacional, a presença e a contribuição do Banco Central em depoimentos e acareações entre os envolvidos são de “especial relevância para o esclarecimento dos fatos”.
A audiência de acareação, mantida por Dias Toffoli, está confirmada para a próxima terça-feira, dia 30. Este procedimento jurídico coloca frente a frente indivíduos que apresentaram depoimentos conflitantes – sejam eles acusados, testemunhas ou vítimas – com o objetivo de dissipar divergências sobre fatos cruciais para o processo. Além de Ailton de Aquino Santos, diretor do Banco Central, a acareação convocará o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. A escolha da data durante o recesso judicial evidencia a urgência e a relevância que o caso assume perante a Suprema Corte.
No cerne da investigação, cujo sigilo é mantido sob a relatoria de Dias Toffoli no STF, está a apuração de supostas tratativas envolvendo a cessão de títulos entre diferentes instituições financeiras, todas sob o escrutínio do Banco Central. Segundo a análise de Toffoli, é “salutar a atuação da autoridade reguladora nacional e sua participação nos depoimentos e acareações entre os investigados” para elucidação de tais circunstâncias. A determinação para a acareação foi expedida em 24 de dezembro por meio de ofício, uma modalidade que não envolve pedido prévio à Polícia Federal (PF) ou à Procuradoria-Geral da União, como é praxe em outros tipos de solicitações.
O caso específico se debruça sobre a investigação de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa por um esquema de fraude relacionado a papéis financeiros que o Banco Master teria vendido ao BRB. Informações da TV Globo apontam que o ministro Toffoli busca, com a realização desta acareação, sanar as contradições existentes nos relatos dos investigados. Além disso, a intenção é clarear as condições sob as quais as fraudes, que supostamente conectam o BRB e o Banco Master, teriam ocorrido.
As investigações da Polícia Federal revelaram um modus operandi complexo. O Banco Master estaria emitindo Certificados de Depósito Bancário (CDBs) que prometiam aos clientes rendimentos até 40% acima da taxa básica de juros de mercado. No entanto, o retorno almejado se mostrava irreal e insustentável. De acordo com as estimativas da corporação, esse esquema fraudulento pode ter movimentado uma soma vultosa, alcançando cerca de R$ 12 bilhões. Adicionalmente, a PF aponta a existência de fortes indícios que ligam dirigentes do BRB à participação nesse mesmo esquema. É válido lembrar que, em março do ano passado, o próprio BRB chegou a negociar a aquisição do Banco Master, mas a operação foi posteriormente barrada e anulada pelo Banco Central. Um marco significativo na linha do tempo do caso ocorreu em novembro, quando Daniel Vorcaro foi detido pelas autoridades, sendo liberado poucos dias depois por uma decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Diante da repercussão do caso, diversas entidades representativas do setor financeiro emitiram uma nota conjunta. Quatro organizações de peso – a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), a Associação Nacional das Instituições de Crédito (Acrefi), a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Zetta (Associação que representa empresas do setor financeiro e de meios de pagamento) – manifestaram-se em defesa do Banco Central. Juntas, essas entidades representam mais de 100 instituições, congregando aproximadamente 90% do setor financeiro e detendo 98% dos ativos nacionais. O comunicado conjunto defendeu enfaticamente a atuação da autarquia no caso do Banco Master e a necessidade crucial de se preservar sua independência técnica e operacional. No documento, as associações ressaltam que a presença de um regulador autônomo e isento constitui um dos pilares essenciais para assegurar a solidez e a resiliência do sistema financeiro. Elas afirmam que o Banco Central tem desempenhado essa função de forma exemplar, com uma supervisão bancária vigilante, independente, e estritamente técnica e prudente. A decisão de Toffoli de manter a acareação promete trazer novos capítulos para essa complexa investigação. Mais informações sobre os julgamentos e decisões do STF podem ser encontradas no portal oficial do Supremo Tribunal Federal, referência para temas de relevância jurídica e constitucional no Brasil.
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A confirmação da acareação pelo Ministro Dias Toffoli marca um momento crucial no desenrolar das investigações que envolvem o Banco Master, o BRB e a atuação do Banco Central. Este passo processual é esperado para desvendar inconsistências e trazer mais luz aos fatos. Fique conectado com a editoria de Política do Hora de Começar para acompanhar todas as atualizações sobre este e outros casos relevantes.
Crédito da imagem: G1

