Rio de Janeiro: Início da Vacinação Contra a Dengue

Saúde

O estado do Rio de Janeiro deu um passo fundamental na saúde pública com o lançamento oficial da **vacinação contra a dengue no Rio de Janeiro**, iniciado nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026. A medida representa um reforço significativo no combate à doença transmitida pelo Aedes aegypti, um desafio constante para as autoridades sanitárias do território fluminense.

A iniciativa, articulada pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), viabiliza a distribuição do novo imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan para os 92 municípios que compõem o estado. Para esta primeira fase da campanha, foram destinadas 33.364 doses, sendo que a capital fluminense receberá uma cota de 12.500 dessas doses, um volume estratégico para áreas de maior concentração populacional.

Rio de Janeiro: Início da Vacinação Contra a Dengue

A estratégia definida pelo Ministério da Saúde para esta fase inaugural prioriza categoricamente os trabalhadores da Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS). Esta escolha visa proteger a linha de frente do atendimento à população, assegurando a continuidade dos serviços essenciais. Serão imunizados os profissionais que mantêm contato direto e diário com pacientes nas unidades básicas de saúde.

O público-alvo inicial engloba uma vasta gama de categorias essenciais, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, odontólogos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, assistentes sociais e farmacêuticos. Além deles, agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, assim como o pessoal administrativo e de apoio que atua nas unidades de saúde, também fazem parte desta etapa prioritária. Essa abrangência visa minimizar riscos e manter a estrutura de atendimento robusta.

Características do Novo Imunizante e Cenário Epidemiológico

A vacina que está sendo aplicada representa um avanço importante: é de dose única e confere proteção contra os quatro sorotipos conhecidos da dengue. No território do Rio de Janeiro, os sorotipos 1 e 2 são historicamente os mais prevalentes. Contudo, as autoridades sanitárias expressam grande preocupação com a possível reintrodução do sorotipo 3. Este genótipo não circula na região fluminense desde o ano de 2007. A ausência prolongada cria uma maior vulnerabilidade na população, que não teve contato prévio com essa variante e, portanto, carece de imunidade natural, especialmente em um cenário onde o sorotipo já está presente em estados vizinhos.

Em relação à situação epidemiológica atual, dados compilados pelo Centro de Inteligência em Saúde da secretaria indicam que, até a data de 20 de fevereiro de 2026, o estado havia registrado 1.198 casos prováveis de dengue, com 56 internações. Importante notar que não houve confirmação de óbitos por dengue até essa data. O cenário das arboviroses complementares inclui 41 casos prováveis de chikungunya, resultando em cinco internações, e, de forma positiva, nenhum caso confirmado de zika foi detectado no estado até o momento.

Vigilância Ativa e Prevenção Abrangente

A vigilância da dengue no estado é realizada de maneira contínua e estratégica, baseando-se em um indicador composto que integra informações cruciais. Este monitoramento abrange análises de atendimentos em unidades de pronto atendimento (UPAs), o volume de solicitações de leitos hospitalares e a taxa de positividade dos exames laboratoriais. Todas essas informações estão disponíveis em tempo real através da plataforma MonitoraRJ, permitindo uma tomada de decisão ágil e baseada em dados. Atualmente, os 92 municípios do estado encontram-se em situação de rotina, sem emergência decretada.

Mesmo com os indicadores atuais sendo considerados baixos, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro reforça o alerta especial para o período pós-carnaval. As chuvas intensas que antecederam as festividades, combinadas com as altas temperaturas típicas do verão, formam um ambiente ideal para a proliferação do Aedes aegypti. Este mosquito não é apenas o vetor da dengue, mas também da chikungunya e do zika. Adicionalmente, a circulação intensa de turistas durante o feriado amplia a possibilidade de introdução de novos sorotipos virais no estado, potencializando o risco epidemiológico. O Ministério da Saúde fornece informações e diretrizes sobre as arboviroses, reiterando a importância da prevenção, como pode ser verificado em suas publicações oficiais.

Considerando a elevada capacidade reprodutiva do mosquito, é fundamental que cada cidadão se envolva na prevenção. A recomendação da secretaria é que cada morador dedique um mínimo de dez minutos semanais para verificar e eliminar potenciais criadouros do Aedes aegypti em sua residência. As ações incluem a verificação da vedação de caixas d’água, a limpeza rigorosa de calhas, a aplicação de areia em pratos de plantas e o descarte imediato de qualquer água acumulada em bandejas de geladeira ou em outros recipientes expostos. Durante o verão, a alternância entre calor e chuva acelera dramaticamente o ciclo de vida do mosquito, fazendo com que ovos depositados em pequenos acúmulos de água e expostos ao sol e altas temperaturas eclodam em tempo recorde.

Reforço na Vacinação e Modernização da Rede de Saúde

É importante salientar que, desde 2023, o Ministério da Saúde já havia disponibilizado a vacina Qdenga, de fabricação japonesa, no país. No estado do Rio, os resultados da aplicação dessa vacina também são expressivos, com mais de 758 mil doses já administradas. No grupo prioritário de 10 a 14 anos, mais de 360 mil crianças e adolescentes receberam a primeira dose, e um número superior a 244 mil completou o esquema vacinal, evidenciando um engajamento contínuo na proteção contra a dengue.

Paralelamente, a Secretaria Estadual de Saúde tem investido ativamente na qualificação e modernização de sua rede assistencial. Essas ações incluem a oferta de videoaulas e treinamentos específicos para profissionais, além da implementação de uma ferramenta digital inovadora. Esta tecnologia, que foi compartilhada com outras unidades federativas, tem como objetivo uniformizar e otimizar o manejo clínico dos casos de dengue em todas as unidades de saúde, garantindo um atendimento mais eficiente e padronizado. Além disso, o Laboratório Central Noel Nutels (Lacen-RJ) foi substancialmente estruturado para processar até 40 mil exames por mês, elevando a capacidade de diagnóstico não apenas para dengue, mas também para zika, chikungunya e a febre do Oropouche — esta última, uma arbovirose transmitida pelo maruim (Ceratopogonidae), diferenciando-se do Aedes aegypti.

Com a chegada desta nova rodada de **vacinação contra a dengue no Rio de Janeiro**, o estado solidifica uma estratégia integrada de imunização, vigilância epidemiológica e medidas de prevenção ambiental. O principal objetivo é blindar a população e mitigar a propagação das arboviroses, visando evitar uma possível sobrecarga do sistema de saúde e manter os índices da doença sob controle, especialmente antes da intensificação dos períodos chuvosos do outono, quando o cenário se torna ainda mais desafiador.

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Crédito da imagem: Instituto Butantan/Divulgação

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