Renato Rabelo, ex-presidente do PCdoB, morre aos 83 anos

Economia

Neste domingo, dia 15, o cenário político nacional foi marcado pela triste notícia do falecimento de Renato Rabelo, ex-presidente do PCdoB, aos 83 anos. Rabelo, uma figura proeminente no Partido Comunista do Brasil, liderou a sigla por um período significativo, entre os anos de 2001 e 2015. A confirmação de seu óbito foi feita oficialmente pelo partido, por meio de uma nota que lamentou profundamente a perda de seu dirigente histórico.

A militância comunista brasileira reagiu com grande consternação à notícia. Em uma declaração emotiva, o Partido Comunista do Brasil expressou o profundo pesar de seus membros, destacando que, em memória e homenagem a Renato Rabelo, a bandeira nacional, com suas cores verde e amarela, seria reverentemente inclinada. Esse gesto simbólico visa entrelaçar o patriotismo com os estandartes vermelhos que representam a luta pela revolução e pelo socialismo, pilares ideológicos da agremiação. O partido também ressaltou o acolhimento e a valorização das inúmeras manifestações de solidariedade, pêsames e homenagens que afluem tanto do território brasileiro quanto do exterior, refletindo-se nas redes sociais e em diversas comunicações, sublinhando o impacto de sua liderança.

Renato Rabelo, ex-presidente do PCdoB, morre aos 83 anos

A trajetória de Renato Rabelo foi marcada por intenso ativismo político e uma profunda dedicação às causas democráticas e sociais do Brasil. Durante o período sombrio da ditadura militar, iniciada em 1964, ele exerceu a importante função de vice-presidente nacional da União Nacional dos Estudantes (UNE). Essa fase de sua vida o colocou no front da resistência estudantil contra o regime. Posteriormente, Renato Rabelo integrou-se como militante da Ação Popular (AP), uma organização com expressiva atuação política. Seu envolvimento foi crucial no núcleo dirigente que arquitetou e conduziu a integração da Ação Popular ao Partido Comunista do Brasil, um marco histórico que se consolidou em 1973 e fortaleceu a base do PCdoB para as décadas seguintes de luta e articulação política. Esse movimento estratégico permitiu a unificação de forças progressistas em um contexto de repressão.

Em decorrência de sua incansável militância, Renato Rabelo enfrentou a dura realidade do exílio. No ano de 1976, com a escalada da perseguição política no Brasil, que resultou no assassinato, prisão e tortura de diversos dirigentes do PCdoB, ele foi forçado a buscar refúgio na França. Apenas com a promulgação da Lei da Anistia, em 1979, o líder comunista pôde finalmente retornar ao seu país de origem, retomando sua ativa participação na política nacional e dedicando-se à reconstrução democrática do Brasil pós-ditadura.

Após seu retorno, a atuação de Renato Rabelo se ampliou, com uma atenção especial voltada para o fortalecimento das relações internacionais do PCdoB. Ele desempenhou um papel fundamental no estreitamento dos laços do partido com países socialistas de grande relevância, notadamente China, Vietnã e Cuba. Esse trabalho de diplomacia partidária visava à troca de experiências e ao alinhamento ideológico, reafirmando o compromisso do PCdoB com a construção de um cenário global de cooperação e solidariedade entre nações que compartilham princípios socialistas, contribuindo para a visão do partido sobre a geopolítica mundial.

Contudo, a principal herança de Renato Rabelo, conforme apontado pelo PCdoB, reside em seu monumental aporte de ideias e formulações ao acervo teórico, político e ideológico da agremiação. Sua vasta produção intelectual e sua capacidade analítica trouxeram contribuições substanciais que enriqueceram sobremaneira o pensamento tático, estratégico e programático do partido. Esse legado conceitual não se restringiu à esfera acadêmica ou puramente teórica; pelo contrário, fundamentou e aprimorou a “práxis” da edificação e da atuação do PCdoB na complexa arena da luta de classes. As formulações de Rabelo foram cruciais para orientar as ações do partido em diferentes conjunturas políticas, solidificando sua identidade e suas propostas programáticas, tanto na teoria quanto na prática da vida pública brasileira.

Além de suas contribuições teóricas, Renato Rabelo também teve um papel estratégico fundamental na articulação de forças políticas progressistas no Brasil. Ao lado de João Amazonas, outra figura histórica do Partido Comunista do Brasil, Rabelo foi um dos principais arquitetos da formação da Frente Brasil Popular. Esta importante coalizão, que agregava o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Socialista Brasileiro (PSB) e o PCdoB, foi responsável pelo lançamento, em 1989, da primeira candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República. A iniciativa representou um marco significativo na história política brasileira, consolidando uma frente ampla de esquerda em busca da redemocratização e de políticas sociais mais inclusivas no país. Sua visão permitiu a união de partidos em um projeto presidencial ambicioso.

A notícia da morte de Renato Rabelo gerou uma série de manifestações de pesar e reconhecimento de diversas lideranças políticas nacionais. A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais do Governo Lula, Gleisi Hoffmann, manifestou profunda tristeza. Em suas redes sociais, ela homenageou o líder do PCdoB, descrevendo-o como um companheiro exemplar. Hoffmann enfatizou a dedicação integral de Rabelo, desde a juventude, à defesa dos trabalhadores, do ideal socialista e dos interesses do Brasil. Ela ainda lembrou as adversidades enfrentadas por Rabelo, como o confronto com a ditadura militar, a perseguição política e o exílio, sublinhando sua resiliência e seu inabalável compromisso com a justiça social. “Desde muito jovem, Renato entregou sua militância, inteligência e energia à defesa dos trabalhadores, do socialismo e do Brasil. Enfrentou a ditadura, a perseguição e o exílio”, destacou a ministra em sua declaração pública.

Outra voz a se levantar em tributo foi a da deputada federal Jandira Feghali, também do PCdoB. A parlamentar expressou sua despedida com “profunda tristeza” de um “grande amigo”, a quem via como uma “referência ideológica, política e de afeto”. Feghali ressaltou o legado de Renato Rabelo como um dos maiores “construtores da história do Brasil”, um indivíduo que dedicou sua vida inteira à incansável luta pela democracia, pela soberania nacional, pela garantia de direitos e pela concretização do socialismo no país. Para a deputada, o falecimento de Rabelo empobrece o cenário político nacional, deixando uma lacuna significativa em termos de “ideias e luta”. Essas palavras sintetizam o vasto reconhecimento de sua importância no panorama político brasileiro e em particular para o Partido Comunista do Brasil.

Renato Rabelo, com sua extensa e multifacetada atuação, consolidou-se como um dos pilares ideológicos e práticos do comunismo brasileiro contemporâneo. Suas ações, desde a oposição à ditadura até a liderança partidária e a formulação teórica, deixaram marcas indeléveis na história política do país. Para aprofundar seu entendimento sobre a trajetória do Partido Comunista do Brasil e seu papel na formação política brasileira, uma análise mais detalhada pode ser encontrada em fontes especializadas, como as páginas que retratam a história do PCdoB.

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A perda de **Renato Rabelo** representa o fechamento de um importante capítulo na história política recente do Brasil, marcando o fim de uma era para o PCdoB. Seu legado de ativismo, intelectualidade e compromisso com os ideais socialistas e democráticos permanecerá como inspiração. Para continuar acompanhando as principais notícias e análises sobre política nacional e internacional, mantenha-se conectado à editoria de Política de nosso blog, acessando mais sobre política nacional.

Crédito da Imagem: Divulgação/PCdoB

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