Queda do Dólar: Mercado Global Inseguro com Novas Tarifas

Economia

A queda do dólar novamente se torna um tema central nos mercados internacionais. Investidores ao redor do mundo voltaram a apostar contra a moeda americana. O movimento surge em um cenário de renovadas preocupações com a condução da política econômica dos Estados Unidos, especialmente após a sinalização de novos planos tarifários por parte do então presidente Donald Trump. Esse quadro gerou dúvidas significativas sobre a atratividade dos principais ativos americanos.

Um indicador da Bloomberg, que acompanha o desempenho do dólar, registrou uma desvalorização de 0,3% em certo momento, aprofundando as perdas observadas na sessão anterior. Tal recuo ocorreu em um período de negociações menos volumosas, influenciadas pelo fechamento dos mercados no Japão e na China devido a feriados locais. Na esteira dessa desvalorização, moedas como o franco suíço, o iene japonês e o euro foram os principais beneficiados, apresentando ganhos expressivos frente ao dólar.

Queda do Dólar: Mercado Global Inseguro com Novas Tarifas

A inversão no sentimento do mercado veio após o anúncio de Trump sobre uma nova tarifa global de 15%. Este plano surgiu subsequentemente à decisão da Suprema Corte dos EUA, que derrubou as tarifas recíprocas anteriormente impostas pelo presidente. Enquanto isso, o futuro do índice S&P 500, um termômetro importante do mercado de ações americano, recuou 0,8%. Em contraste, um índice que mede o desempenho das ações asiáticas apresentou um avanço de até 1%, mostrando a divergência de reações globais à instabilidade na política econômica dos EUA.

O estrategista do National Australia Bank, Rodrigo Catril, sediado em Sydney, destacou que o dólar enfrenta uma queda generalizada enquanto o mercado tenta processar as implicações da decisão da Suprema Corte. Catril ressaltou que o regime tarifário estabelecido por Trump permanece ativo, alimentando um clima de maior incerteza para os próximos movimentos do dólar americano.

A somatória da nova ameaça tarifária de Donald Trump, em conjunto com a decisão do mais alto tribunal americano e os esforços de autoridades dos EUA para defender a política comercial do governo, exacerbou a incerteza e a confusão na formulação de políticas em Washington. Esse contexto potencialmente intensifica as preocupações sobre a possível perda do chamado “excepcionalismo americano”. Tal termo refere-se à crença de que os EUA são únicos e superiores, e a sua contestação ganha força após o anúncio das tarifas globais ocorrido em abril.

Historicamente, o índice do dólar da Bloomberg já havia registrado uma queda substancial. No ano anterior, a desvalorização alcançou 8,1%, marcando a maior baixa anual em oito anos. Esse desempenho negativo foi influenciado por um ciclo de afrouxamento monetário promovido pelo Federal Reserve e pela imposição de tarifas pelo governo Trump, demonstrando como políticas internas e externas impactam diretamente o valor da moeda americana.

Apesar dos reveses internos, autoridades americanas se pronunciaram para tranquilizar o mercado. Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA, afirmou em entrevista à CBS que a derrota de Trump na Suprema Corte não deveria anular os acordos comerciais firmados com parceiros estratégicos do país. Segundo ele, os pactos negociados com a China, a União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul permanecem válidos, buscando mitigar temores de uma revisão ampla nas relações comerciais internacionais.

Em reflexo à fraqueza do dólar, os mercados emergentes da Ásia exibiram resiliência. Moedas como o baht tailandês, o peso filipino e o ringgit malaio registraram avanços. Paralelamente, as bolsas de valores da região asiática experimentaram altas. Um índice que reúne as maiores empresas chinesas listadas em Hong Kong subiu até 3,1%, a maior valorização desde 12 de maio. Índices de Taiwan e Coreia do Sul, por sua vez, atingiram níveis recordes, sublinhando um desempenho robusto em contraste com a instabilidade nos EUA.

Essa conjuntura de resultados positivos confere ao MSCI Asia Pacific Index o melhor início de ano já documentado em comparação com o S&P 500. O indicador asiático supera o índice americano em mais de 11 pontos percentuais no acumulado do ano, evidenciando uma mudança na percepção de risco e oportunidade globalmente. Gary Dugan, diretor-executivo do Global CIO Office, explicou que o alívio imediato para os mercados asiáticos advém da limitação imposta pela Suprema Corte dos EUA sobre a implementação das tarifas.

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Imagem: infomoney.com.br

Dugan argumenta que a redução do risco extremo associado à política comercial pode catalisar as forças estruturais da Ásia, como um crescimento econômico doméstico mais vigoroso, a implementação de políticas mais consistentes e uma integração comercial regional cada vez mais acentuada. No entanto, estrategistas da Bloomberg apontam que a incerteza acerca do comércio global retornou ao radar dos investidores, configurando-se como um fator adverso para os ativos americanos e intensificando a perspectiva negativa para o dólar.

Garfield Reynolds, estrategista do Markets Live, advertiu que a recente queda do dólar pode ter potencial para se estender, dadas as contínuas incertezas. Atualmente, os investidores estão acompanhando de perto as respostas dos líderes globais às novas medidas tarifárias de Trump, buscando indícios sobre os próximos desdobramentos e movimentos no mercado financeiro global.

Como resposta à complexidade da situação, o chefe de comércio da União Europeia indicou que proporá a suspensão da ratificação de um acordo comercial já firmado com os Estados Unidos. Similarmente, a Índia optou por adiar as negociações destinadas a finalizar um acordo comercial provisório. Notavelmente, países como China, Índia e Brasil estão agora em uma posição de enfrentar tarifas menores após a decisão judicial divulgada na sexta-feira anterior, refletindo uma reorganização das relações comerciais internacionais.

Estrategistas do Goldman Sachs, incluindo Kamakshya Trivedi, elucidaram que a queda generalizada do dólar reflete, em grande parte, a nova injeção de incerteza política desencadeada pela decisão judicial. Eles salientam que a incerteza na política econômica constitui um canal de influência particularmente relevante para o dólar americano, com o potencial de impactar negativamente a atividade de investidores e empresas globalmente. Compreender as ações do Federal Reserve e seus impactos no cenário global é crucial para analistas e investidores, como evidenciado em documentos de política monetária.

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A situação do dólar americano, sob o prisma da política tarifária e das incertezas econômicas globais, continua a ser um tópico de alta relevância para o cenário financeiro mundial. Fique por dentro de todas as análises e notícias aprofundadas sobre o panorama econômico global e nacional em nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Bloomberg L.P.

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