Um cachorro da raça Pug morreu poucas horas depois de ser deixado em um hotel pet localizado em Santos, no litoral de São Paulo. Conforme relatou a tutora, o animal estava completamente saudável no momento da entrega ao estabelecimento. Entretanto, ele teria sofrido de hipertermia – condição caracterizada pelo aumento severo da temperatura corporal – atribuída às condições climáticas do local. O incidente ocorreu na última segunda-feira, 12 de janeiro, nas instalações do Clube Auau, situado no bairro Paquetá. Em seu posicionamento oficial, o hotel pet comunicou que o cão apresentou um mal súbito, afirmando que sua equipe agiu prontamente, aplicando os primeiros socorros, procedimentos de resfriamento e o encaminhamento emergencial para atendimento veterinário em uma clínica parceira.
A tutora, a engenheira eletricista Rosana Gemignani Cardoso, de 55 anos, compartilhou que Bucky, como era carinhosamente chamado, atuava como cão de suporte emocional para sua filha, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O animal integrava a família desde abril de 2019, quando contava com apenas três meses de idade. Uma das principais preocupações de Rosana em relação à hospedagem era o intenso calor, visto que Bucky pertencia a uma raça braquicefálica, com focinho achatado e crânio arredondado, condição que demanda cuidados muito específicos em altas temperaturas para evitar problemas de saúde.
Pug morre em hotel pet de Santos; tutora relata negligência
Rosana narrou ter sido tranquilizada pelos funcionários do Clube Auau, que asseguraram que Bucky teria acesso irrestrito a ambientes com ar-condicionado e receberia tratamento adequado para enfrentar as elevadas temperaturas. No entanto, o laudo emitido pela clínica veterinária que prestou o atendimento inicial ao cão pintou um quadro preocupante. O documento apontou que Bucky deu entrada no local em um estado de saúde crítico, manifestando sintomas como rebaixamento de consciência, ausência de reflexos motores, taquicardia e taquipneia (aceleração dos batimentos cardíacos e da respiração, respectivamente), náuseas com simulação de vômito, uma temperatura corporal perigosamente elevada de 40,7 °C, cianose de mucosas (coloração azulada ou arroxeada nas membranas) e distensão abdominal causada por aerofagia (inchaço na barriga).
Detalhes da Morte e Acusações da Família
Diante da trágica notícia, a família precisou cancelar uma viagem programada para o exterior. Agora, Rosana e seus parentes estão determinados a acionar judicialmente o hotel. A engenheira enfatiza que o objetivo principal da ação não é a obtenção de uma indenização financeira, mas sim evitar que outros casos similares aconteçam. “Não quero que ninguém mais se hospede nesse lugar, que ninguém sinta mais a dor que a minha família está sentindo”, desabafou Rosana, expressando o desejo de que “nunca mais ninguém confie a sua preciosidade para essas pessoas”.
Além da ação legal, a tutora espera que a situação sensibilize as autoridades e a população em geral sobre a importância dos cuidados específicos com animais de estimação durante períodos de calor intenso. Ela também pleiteia uma fiscalização mais rigorosa desses estabelecimentos. Para compreender melhor a importância da prevenção em casos como este e como altas temperaturas afetam a saúde animal, informações adicionais podem ser encontradas em fontes oficiais como o Conselho Federal de Medicina Veterinária, que regularmente divulga orientações sobre bem-estar animal e medidas preventivas em saúde.
Histórico e Escolha do Estabelecimento
A engenheira revelou que Bucky nunca havia sido deixado em um hotel pet anteriormente. Geralmente, ele acompanhava a família em viagens ou permanecia sob os cuidados de sua cunhada. Contudo, neste ano, uma questão de saúde da parente, somada à necessidade de uma viagem internacional marcada para a mesma segunda-feira, dia 12, fez com que Rosana precisasse procurar o serviço de hospedagem. Segundo ela, não haveria tempo hábil para realizar todos os exames exigidos para a autorização de viagem do cão ao exterior.
Dessa forma, no dia 2 de janeiro, a tutora iniciou sua pesquisa por opções de hospedagem. Rosana relembrou: “Eu fiz uma busca aqui pela minha cidade de Santos e esse [Clube Auau], a princípio, me pareceu ser mais confiável, já que tinha 10 anos de experiência, diversas fotos, inclusive fotos de cachorro se refrescando na piscina”. Após diversas perguntas à equipe do estabelecimento, especialmente sobre os cuidados em relação ao calor, ela foi orientada a levar Bucky para um dia de adaptação antes da hospedagem. O cão realizou o teste de adaptação na semana anterior ao incidente, sendo aprovado, o que gerou um custo de R$ 130. Com isso, Rosana fechou o pacote de hospedagem para 18 dias, totalizando R$ 2.560.
Cronologia e Desenrolar dos Fatos
Bucky foi deixado no Clube Auau por volta do meio-dia de segunda-feira, dia 12, acompanhado de sua ração e produtos de higiene pessoal. A família, então, seguiu viagem para São Paulo, onde embarcaria em um voo com destino aos Estados Unidos. Nos primeiros momentos da hospedagem, a equipe do hotel criou um grupo de WhatsApp, por onde enviavam fotos de Bucky, que aparecia bem. Entretanto, Rosana, seu marido e filhas foram surpreendidos por uma mensagem do Clube Auau enquanto aguardavam no aeroporto em São Paulo. O comunicado informava que o animal estava sendo levado a atendimento veterinário por ter passado mal.
A tutora questiona a veracidade das informações iniciais, lamentando: “Em mensagem, falaram que ele chegou no veterinário e que os batimentos dele estavam normais. Porém, o laudo atesta que ele chegou praticamente morto”. Após conversar por telefone com o proprietário do hotel, a família decidiu cancelar a viagem e retornar imediatamente para Santos. Durante o trajeto de volta, Rosana contatou a veterinária particular de Bucky, que, ao ouvir o relato, alertou para a gravidade da situação. “Conhecendo a veterinária, eu já sabia que eu ia encontrar ele morto”, recordou a tutora com pesar.
Um ponto de discórdia adicional é a divergência de horários relatada por Rosana. Segundo ela, o dono do hotel enviou um vídeo de Bucky às 18h37, contudo, o laudo oficial apontava que o óbito havia ocorrido às 18h20. “Então são horários que não batem”, denunciou a tutora. Ao chegar na clínica veterinária, a família acionou a polícia e registrou um boletim de ocorrência sobre o incidente.
O Vazio Deixado e A Resposta do Hotel
Embora o valor referente à hospedagem de Bucky tenha sido estornado pelo hotel, Rosana afirma que nenhuma quantia poderá reparar a imensa perda. “Eu não sei descrever o sentimento. Estou em casa e tem vazio em todo lugar, porque ele era um cachorro de companhia mesmo. Qualquer lugar que você fosse, ele estava te olhando”, lamentou profundamente. Bucky não era querido apenas pela família, mas também pelos vizinhos, que sentem a ausência do cão. “O sentimento é de vazio. Minha filha tem revolta, meu marido também tem. Eu não sei, é uma mistura de tudo porque ele foi arrancado da gente”, expressou Rosana, que também acusa a equipe do hotel de censura, alegando que comentários sobre o caso foram apagados das redes sociais do estabelecimento.
Em nota oficial, o Clube Auau expressou seu lamento pela morte de Bucky, ocorrida em 12 de janeiro, e manifestou solidariedade à família, afirmando estar à disposição para prestar os esclarecimentos necessários. O estabelecimento detalhou o histórico com o cão: “Conhecemos o Bucky no dia 8 de janeiro, quando iniciou sua adaptação no clube em que esteve o dia inteiro participando da rotina do clube com interações e descanso, além de ficar no mesmo ambiente em que esteve no dia do ocorrido, sem qualquer intercorrência”, declarou a empresa.
De acordo com o Clube Auau, Bucky deu entrada ao meio-dia daquele dia e, durante a tarde, realizou suas atividades habituais: frequentou o quintal coberto, brincou, se alimentou, descansou e interagiu com outros animais. A nota acrescentou que, em razão das altas temperaturas na região, o ambiente contava com medidas preventivas padrão da empresa, incluindo dois ventiladores em operação, esguichos de água nas paredes e o chão constantemente umedecido, buscando reduzir o calor e proporcionar conforto térmico aos cães. O estabelecimento relatou que, por volta das 17h30, Bucky apresentou um mal súbito, prontamente detectado pela equipe, que iniciou os primeiros socorros com procedimentos de resfriamento e encaminhamento urgente à clínica veterinária próxima. O Clube Auau informou que Bucky chegou à clínica às 17h50, recebeu atendimento emergencial e todos os protocolos médicos, mas veio a óbito. O hotel enfatizou que atua há quase uma década no cuidado de cães, atendendo cerca de 50 animais diariamente, incluindo diversos cães braquicefálicos, e nunca havia registrado uma ocorrência semelhante. Concluiu a nota afirmando que outros animais permaneceram no mesmo local e condições ambientais naquele dia, encontrando-se todos “bem e saudáveis”.
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A trágica morte de Bucky no hotel pet de Santos levanta questões cruciais sobre os cuidados com animais, especialmente raças vulneráveis a altas temperaturas, e a responsabilidade dos estabelecimentos que oferecem hospedagem. Enquanto a família busca justiça e conscientização, o caso permanece sob análise e suscita reflexões importantes para todos os tutores de pets. Para ficar por dentro de outros fatos relevantes e análises aprofundadas sobre sua cidade e o cenário atual, continue acompanhando nossa seção de Notícias de Cidades.
Crédito da imagem: Arquivo Pessoal

