A prévia da inflação oficial de janeiro de 2026 perdeu força e registrou 0,20%, representando uma desaceleração em comparação aos 0,25% apurados em dezembro. Esta contenção nos preços foi notavelmente influenciada pela redução nas tarifas de energia elétrica, assim como pela queda nos custos de transporte aéreo, conforme dados recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com este resultado para o primeiro mês de 2026, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) acumulou 4,5% nos últimos 12 meses. Este patamar posiciona o índice exatamente no limite máximo da meta de inflação estabelecida pelo governo. Em contrapartida, o acumulado em 12 meses finalizado em dezembro havia sido de 4,41%, indicando uma ligeira elevação no consolidado anual.
Os dados detalhados referentes ao comportamento dos preços foram oficialmente publicados nesta terça-feira, dia 23, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Estes resultados fornecem um panorama crucial para análises econômicas e para a definição de políticas monetárias no país. Para mais informações sobre a metodologia e os dados do índice, o leitor pode consultar diretamente as estatísticas econômicas no portal oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), órgão responsável por este levantamento crucial sobre a
Prévia da Inflação de Janeiro de 2026 Perde Força e Fica em 0,20%
.Variações nos Grupos de Produtos e Serviços
Dentre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados e analisados pelo IBGE para a composição do IPCA-15 de janeiro, dois registraram um recuo na média dos preços, na passagem de dezembro para o mês subsequente. Outros grupos apresentaram aumentos variados, contribuindo de formas distintas para o resultado final da prévia inflacionária:
- Habitação: -0,26%
- Transportes: -0,13%
- Educação: 0,05%
- Vestuário: 0,28%
- Despesas Pessoais: 0,28%
- Alimentação e Bebidas: 0,31%
- Artigos de Residência: 0,43%
- Comunicação: 0,73%
- Saúde e Cuidados Pessoais: 0,81%
Habitação e o Alívio da Conta de Luz
A categoria Habitação demonstrou ser um dos principais fatores para a desaceleração da prévia da inflação em janeiro, com uma variação negativa de 0,26%. Dentro deste grupo, a redução nas contas de energia elétrica foi o item de maior destaque, registrando um recuo expressivo de 2,91%. Essa queda teve um impacto significativo de -1,2 ponto percentual (p.p.) na média total da inflação do mês, sendo a influência mais pronunciada para baixo.
A explicação para tal alívio nos gastos com eletricidade reside na mudança da bandeira tarifária, conforme decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Em dezembro, o sistema operava sob a bandeira amarela, que impunha uma cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (KWh) consumidos. Contudo, a partir de janeiro, a bandeira tarifária passou para o nível verde, eliminando qualquer custo adicional para os consumidores e, consequentemente, aliviando o orçamento das famílias brasileiras.
Setor de Transportes: Quedas Compensatórias
O grupo Transportes também apresentou uma queda na média de preços, marcando -0,13%, resultado puxado principalmente pela diminuição dos valores das passagens aéreas. O custo para voar ficou, em média, 8,92% mais barato, exercendo uma influência considerável na contenção do índice geral.
Além das passagens aéreas, os preços dos ônibus urbanos também contribuíram para essa desaceleração, registrando uma queda de 2,79%. Um exemplo notável ocorreu em Belo Horizonte, onde a implementação da tarifa zero em domingos e feriados provocou uma acentuada diminuição de 18,26% no valor das passagens na capital mineira, ilustrando o impacto direto de políticas públicas nos custos ao consumidor.
Combustíveis na Contramão dos Transportes
Em contraste com a queda geral no grupo de transportes, o setor de combustíveis registrou um aumento de 1,25%, agindo como um fator de pressão inflacionária. As elevações foram observadas em diversos itens, como o etanol (com alta de 3,59%), a gasolina (que subiu 1,01%), o gás veicular (com aumento de 0,11%) e o óleo diesel (com acréscimo de 0,03%).

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
No que tange especificamente à gasolina, seu impacto representou 0,05 ponto percentual (p.p.) na formação do IPCA-15, consolidando-se como o maior impacto individual de todo o índice no mês. Contudo, há uma expectativa de recuo para o próximo mês, considerando que a Petrobras, a principal produtora de gasolina no Brasil, anunciou uma redução de 5,2% no preço do combustível vendido às distribuidoras, medida que entrou em vigor já nesta terça-feira.
Alimentação e Bebidas: Sinais de Aceleração
O segmento de Alimentos e Bebidas demonstrou uma ascensão de preços em janeiro, com alta de 0,31%. Este resultado representa uma aceleração significativa em comparação com os 0,13% registrados em dezembro, marcando uma reversão na tendência.
Especificamente, a alimentação consumida no domicílio interrompeu uma sequência de sete meses consecutivos de quedas, registrando uma elevação de 0,21%. As maiores pressões inflacionárias neste subgrupo foram observadas em produtos como o tomate (que subiu 16,28%), a batata-inglesa (com alta de 12,74%), as frutas (aumento de 1,65%) e as carnes (que subiram 1,32%). Na outra ponta, o leite longa vida (-7,93%), o arroz (-2,02%) e o café moído (-1,22%) atuaram como mitigadores, impedindo que a inflação no grupo de alimentos e bebidas fosse ainda maior.
IPCA-15 vs. IPCA Completo: Entenda as Diferenças
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) possui metodologia substancialmente similar ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país. Este último é a base para a política de meta de inflação do governo, fixada em 3% no acumulado de 12 meses, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
A principal distinção entre os dois índices reside no período de coleta de preços e na abrangência geográfica. Enquanto o IPCA-15 é divulgado como uma prévia, antes mesmo do fim do mês de referência, com dados coletados entre 13 de dezembro de 2025 e 14 de janeiro de 2026, o IPCA completo abarca um período maior. Além disso, o IPCA-15 pesquisa preços em 11 localidades do país, que incluem as regiões metropolitanas de Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Por sua vez, o IPCA total abrange 16 localidades, adicionando Aracaju, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Vitória.
Ambos os indicadores levam em consideração uma cesta representativa de produtos e serviços para famílias com rendimentos situados entre um e 40 salários mínimos. Atualmente, o valor do salário mínimo é de R$ 1.621. O IPCA completo referente ao mês de janeiro terá sua divulgação oficial agendada para o dia 10 de fevereiro, oferecendo a visão final sobre o comportamento inflacionário.
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A desaceleração da prévia da inflação em janeiro, com o IPCA-15 registrando 0,20%, demonstra a sensibilidade dos indicadores econômicos a fatores como tarifas de serviços públicos e preços de passagens aéreas. O monitoramento contínuo desses índices é essencial para compreender a saúde econômica do país e seus reflexos no poder de compra do cidadão. Para aprofundar suas análises sobre os movimentos do mercado e entender os próximos capítulos da economia brasileira, continue acompanhando a editoria de Economia em nosso blog.
Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

