O preço do ouro alcançou um patamar recorde nesta segunda-feira (26), superando a marca de US$ 5.100 por onça, em um movimento que representa uma extensão de seu já notável rali histórico. Investidores, reagindo ao crescente panorama de incertezas no cenário geopolítico global, intensificaram a procura por este ativo classificado como um porto seguro, impulsionando a valorização do metal precioso a níveis inéditos.
Na sessão, o ouro à vista registrou um incremento de 2,2%, com sua cotação fixada em US$ 5.089,78 por onça após atingir, previamente, seu pico histórico de US$ 5.110,50. Paralelamente, os contratos futuros de ouro nos Estados Unidos, destinados para entrega em fevereiro, refletiram essa tendência ascendente, também mostrando um avanço de 2,2% e sendo negociados a US$ 5.086,30 por onça. A alta reflete uma forte demanda pelo metal, que serve como proteção contra flutuações de mercado e cenários de risco.
Preço do Ouro Dispara e Supera US$ 5.100 com Rali Histórico
A ascensão do metal dourado em 2025 foi particularmente impressionante, com um aumento acumulado de 64%. Este desempenho notável representa o maior ganho anual desde 1979, sendo sustentado por uma combinação de fatores macroeconômicos e geopolíticos. Entre os principais motores, destacam-se a busca por refúgio seguro em momentos de volatilidade, o cenário de flexibilização da política monetária nos Estados Unidos – que historicamente beneficia commodities não rentáveis –, e as vigorosas aquisições por parte de bancos centrais, notadamente a China, que registrou o 14º mês consecutivo de compras em dezembro. Adicionalmente, o fluxo recorde de capital para fundos negociados em bolsa (ETFs) de ouro também contribuiu significativamente para este expressivo rali.
Os preços do ouro vêm quebrando recordes sucessivos semana após semana, com picos observados nos últimos dias. O metal precioso já acumula uma valorização superior a 18% desde o início deste ano. Esse ritmo acelerado de apreciação reflete uma combinação de pressões de mercado e fatores exógenos que continuam a favorecer a demanda pelo metal.
O analista sênior de mercado da Capital.com, Kyle Rodda, apontou uma “crise de confiança na administração dos Estados Unidos e nos ativos dos Estados Unidos” como o catalisador mais recente para este movimento. Segundo Rodda, essa desconfiança foi desencadeada por “decisões erráticas da administração Trump na semana passada”, o que gerou incerteza e impulsionou a procura por alternativas de investimento estáveis como o ouro. Tais decisões impactam diretamente a percepção de risco e estabilidade global, afetando mercados financeiros de forma ampla.
Entre as ações citadas que geraram tal instabilidade, está a abrupta reversão do presidente dos EUA, Donald Trump, de ameaças anteriores de impor tarifas a nações aliadas europeias, em uma tentativa de pressioná-las para que os Estados Unidos obtivessem a Groenlândia. Além disso, no decorrer do último fim de semana, Trump expressou a intenção de aplicar uma tarifa de 100% sobre o Canadá caso o país prosseguisse com um acordo comercial proposto com a China. Adicionalmente, o presidente americano fez uma ameaça de impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses. Essa última ação foi interpretada como um esforço evidente para coagir o presidente francês, Emmanuel Macron, a aderir à iniciativa do Conselho da Paz, proposta por Trump. Alguns observadores expressam receios de que esse conselho possa comprometer o papel crucial das Nações Unidas como a principal plataforma global para a resolução de conflitos, apesar das garantias de Trump de que trabalharia em colaboração com a ONU.

Imagem: infomoney.com.br
Kyle Rodda reitera que este governo específico provocou “uma ruptura permanente na forma como as coisas são feitas”, forçando os investidores a se voltarem para o ouro como “a única alternativa” confiável em um cenário de instabilidade sem precedentes. Este ponto de vista sublinha a percepção de risco sistêmico e a busca desesperada por ativos de proteção.
A expectativa de analistas de mercado é que os preços do ouro continuem em trajetória ascendente, podendo se aproximar de US$ 6.000 ainda neste ano. Esta projeção é reforçada pela previsão de intensificação das tensões globais e pela demanda persistente dos bancos centrais, aliada à forte procura por parte do varejo. A dinâmica global, conforme acompanhada em análises econômicas como as disponíveis no site da Reuters, destaca a contínua atração pelo ouro em tempos de incerteza econômica e política global.
Outros metais preciosos também exibiram ganhos expressivos em meio ao ambiente de valorização. A prata à vista avançou 4,8%, alcançando US$ 107,903, após registrar um novo recorde de US$ 109,44. A platina à vista também teve uma alta de 3,4%, negociada a US$ 2.861,91 por onça, depois de ter batido um recorde de US$ 2.891,6 no início do pregão. O paládio à vista valorizou 2,5%, atingindo US$ 2.060,70, com o metal chegando à sua maior cotação em mais de três anos. Especificamente, a prata havia rompido a barreira dos US$ 100 pela primeira vez na última sexta-feira, expandindo seu aumento de 147% no ano anterior, um movimento impulsionado por fluxos de investidores de varejo e compras aceleradas que agravaram um prolongado período de aperto nos mercados físicos do metal.
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Em suma, a disparada no preço do ouro e de outros metais preciosos reflete uma complexa interação de fatores econômicos e geopolíticos, destacando o papel do metal dourado como um refúgio seguro em tempos turbulentos. Para continuar acompanhando as dinâmicas do mercado financeiro e receber análises aprofundadas sobre o mercado de ativos e suas tendências, visite nossa categoria de Economia no blog da Hora de Começar e mantenha-se informado sobre os desdobramentos mais recentes.
