PIB 2026: Economia Desacelera em Cenário de Cautela

Economia

As projeções para o PIB 2026 indicam um período de cautela para a economia brasileira, com expectativas de desaceleração que dão continuidade ao movimento iniciado em 2025. Este cenário é moldado pela política de juros altos, que visa conter a inflação, e por estímulos fiscais e de crédito que tentam impulsionar o país. Segundo as principais instituições de análise, executivos do mercado financeiro e economistas, o crescimento do Produto Interno Bruto para o próximo ano deve se aproximar de 1,7%, percentual abaixo dos 2% previstos para 2025. Contudo, paira o alerta de uma inflação persistente, enquanto a expectativa para a taxa de juros ao final do ano, em torno de 12% a 12,75%, aponta para um patamar ainda restritivo, limitando o impulso econômico.

Para o próximo ciclo anual, a moderação e o planejamento estratégico são cruciais, apesar de um pessimismo exagerado ser descartado. As instituições desenham um panorama em que a atividade econômica, embora perca parte do fôlego de 2025, encontrará suportes nas medidas governamentais. Estas políticas são esperadas em níveis municipal, estadual e federal, dado o ano eleitoral.

PIB 2026: Economia Desacelera em Cenário de Cautela

Ao longo dos anos, o comportamento do PIB tem variado significativamente. Em 2020, o primeiro relatório Focus do Banco Central projetava um crescimento de 2,30%, mas o dado realizado pelo IBGE foi de uma contração de -3,3%. Já em 2021, a projeção de 3,4% foi superada pelo resultado de 4,8%. Nos anos seguintes, 2022 e 2023, as expectativas iniciais de 0,2% e 0,7% foram amplamente superadas pelos valores de 3,0% e 3,2%, respectivamente. Para 2024, a projeção inicial era de 1,5%, enquanto o dado realizado chegou a 3,4%. Olhando para frente, a projeção para 2025 é de 2,0%, enquanto 2026 apresenta uma expectativa de crescimento de 1,7%, com base no Relatório Focus do Banco Central e dados do IBGE, refletindo a antecipação de um cenário menos robusto.

Fatores de Restrição e Otimismo Moderado

Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do FGV Ibre, detalha que setores dependentes do ciclo econômico, como indústria, serviços, comércio, transporte e construção civil, sentirão mais fortemente os efeitos da política monetária restritiva, registrando um crescimento inferior a outros segmentos, como o agronegócio e a indústria extrativa, que se mostram menos vulneráveis às taxas de juros elevadas. Além disso, há uma preocupação com o cenário externo para 2026, que pode não oferecer as vantagens vistas em 2025, quando o impacto da política tarifária de Donald Trump, por exemplo, resultou na desvalorização do dólar, auxiliando no controle da inflação e no ritmo da atividade econômica. A ausência de um cenário externo favorável poderia, consequentemente, prolongar o período de juros altos, freando ainda mais o desenvolvimento do país.

Em consonância com as análises de Matos, o Monitor do PIB da FGV prevê um aumento de 1,9% no indicador para o ano. Ela ressalta que o controle da inflação em 2025 pode ter sido facilitado pelo impacto cambial, um fator que talvez não se repita no ano subsequente. Matos utiliza a analogia de “passar de ano com sorte” para 2025, levantando a questão se o mesmo acontecerá em 2026.

Políticas Públicas e Estímulos Fiscais em Foco

O Itaú Unibanco ajustou sua projeção para o PIB de 2026, elevando-a de 1,5% para 1,7%. Essa revisão é explicitamente atribuída ao impacto das políticas públicas. Conforme relatório assinado pelo economista-chefe Mario Mesquita, o banco prevê um crescimento mais acentuado no primeiro semestre do ano em comparação com o segundo, seguindo um padrão sazonal impulsionado pelas safras, ainda que com uma intensidade menor. Os riscos de alta permanecem, impulsionados por medidas fiscais e pelo avanço do crédito consignado privado. Entre as ações governamentais listadas pelo Itaú como motores de crescimento, destacam-se a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, a expansão do programa Minha Casa Minha Vida e outras iniciativas como o Luz para Todos e o Gás do Povo.

A XP Investimentos alinha-se a essa perspectiva, mantendo sua projeção de 1,7% de crescimento para 2026. A corretora, por meio de um relatório coordenado pelos economistas Caio Megale e Rodolfo Margato, calcula que as ações de estímulo do governo podem adicionar até 0,8 ponto percentual à taxa de variação do PIB. A equipe da XP aponta para uma aceleração impulsionada pelos desdobramentos da reforma do Imposto de Renda e pela intensificação das concessões de crédito consignado para o setor privado. A instituição ainda observa que o hiato do produto — a disparidade entre o PIB potencial e o PIB efetivamente realizado — deverá manter-se próximo de zero, indicando que a economia operará em sua capacidade máxima ou muito perto dela, um sinal de que os recursos estão sendo utilizados eficientemente.

Preocupações com o Custo do Dinheiro e Visões Diversificadas

Apesar do suporte fiscal mencionado por grandes bancos, gestores e executivos do mercado financeiro manifestam preocupação com o elevado custo do dinheiro. A taxa Selic, que segundo projeções deve terminar 2026 em 12,75% para o Itaú e 12,00% para a XP, é considerada o principal fator restritivo da economia.

André Matos, CEO da MA7 Negócios, apresenta um panorama mais conservador, projetando um crescimento próximo de 1% para 2026. Suas expectativas são condicionadas por dois pilares fundamentais: a estabilidade fiscal do país e uma comunicação mais clara do Banco Central sobre a trajetória e o momento em que a Selic começará a ser reduzida. Essa perspectiva ressalta a importância de um ambiente fiscal previsível e de uma política monetária que sinalize alívio para os agentes econômicos. A visão de uma economia com menor dinamismo é também partilhada por Volnei Eyng, CEO da Multiplike. Para ele, as projeções para 2026 sinalizam uma clara desaceleração na atividade econômica, com um crescimento que ficará aquém do observado no ano anterior, 2025. Eyng adverte que este contexto demanda um planejamento extremamente cuidadoso por parte de empresas e investidores, particularmente no que diz respeito às estratégias de capital.

Setores e Inflação: Cenário Misto

Mesmo com a desaceleração geral, o desempenho dos setores econômicos se mostra heterogêneo. A XP Investimentos destaca que o setor de serviços continua aquecido, enfrentando uma inflação persistente devido ao mercado de trabalho aquecido. A projeção de inflação para serviços em 2026 é de 5,3%, acima da meta. Por outro lado, o agronegócio é visto como um motor relevante para o crescimento. A XP antecipa um novo recorde na produção agrícola em 2026, impulsionado pela expansão da capacidade de exportação de soja por meio de novos terminais portuários.

Já o setor industrial, conforme apontado pelo Itaú, pode encarar desafios, dados os estoques elevados e a projeção de um câmbio médio em R$ 5,50. Em relação à inflação geral, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), tanto Itaú quanto XP projetam 4,2% para 2026, valor que ainda está acima do centro da meta estabelecida, justificando a postura cautelosa do Banco Central.

Em suma, o ano de 2026 emerge como um período de delicados ajustes. Enquanto o governo direciona investimentos e incentivos para a economia através de programas sociais e acesso ao crédito, a política monetária deve manter seu caráter restritivo, buscando controlar a inflação, sobretudo nos serviços. A análise de Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, sintetiza o consenso do mercado: um “pouso suave”, no qual a economia brasileira evita um colapso, mas tampouco experimenta uma decolagem significativa.

Confira também: Imoveis em Rio das Ostras

Este cenário de moderação e ajuste fiscal e monetário promete continuar pautando as discussões econômicas. Para se manter atualizado sobre as análises e desdobramentos futuros para a economia brasileira, continue acompanhando nossa editoria de Economia no nosso blog.

Crédito da imagem: iStock.com

Deixe um comentário