A Polícia Federal (PF) descobriu e entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório contendo mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Nelas, o empresário detalha a pressão que teria sofrido para realizar pagamentos a um resort ligado ao ministro Dias Toffoli. A informação foi publicada neste sábado (14) pelo jornal O Estado de S. Paulo, revelando aspectos cruciais de uma investigação em curso que envolve vultuosas quantias financeiras e nomes de peso do cenário político e econômico brasileiro.
De acordo com os fatos divulgados na reportagem, Daniel Vorcaro teria autorizado, por meio de conversas com seu cunhado, Fabiano Zettel, transferências que somam R$ 35 milhões à empresa que controla o empreendimento Tayayá, conforme a documentação sob análise da PF. Este material sigiloso, agora em posse do ministro Edson Fachin, que na última semana recebia as documentações relativas a inquéritos, motivou uma reunião de cúpula no tribunal, resultando na decisão de afastar Toffoli da condução do inquérito que agora está sob a relatoria do ministro André Mendonça.
Os diálogos detalhados pela investigação indicam uma preocupação crescente de Daniel Vorcaro com a situação financeira. Em maio de 2024, ele questionou Fabiano Zettel sobre um aporte relacionado ao empreendimento hoteleiro. “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, registrou a PF nas conversas extraídas. Zettel teria respondido sugerindo postergar o aporte, afirmando “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim”. Contudo, a mensagem de Vorcaro evidenciava a urgência da demanda, ilustrando o centro da alegação de
PF: Mensagens de Vorcaro Citam Cobranças a Resort de Toffoli
e o escopo da investigação.
As evidências digitais, que também estão em poder da Procuradoria-Geral da República (PGR), incluem ainda uma comunicação de Fabiano Zettel referindo-se a “Tayaya – 15”, o que a Polícia Federal interpreta como uma indicação de R$ 15 milhões em potencial transação. Imediatamente, Daniel Vorcaro teria instruído na sequência: “Paga tudo hoje”. A celeridade da demanda e a resposta do controlador do Banco Master sublinham a natureza assertiva das cobranças mencionadas.
A cronologia das mensagens avança para agosto de 2024, quando Daniel Vorcaro retoma o assunto em tom de urgência, questionando: “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”. Fabiano Zettel teria então assegurado que o valor em questão havia sido encaminhado para um intermediário, afirmando ter sido enviado ao “fundo dono do Tayayá”. Contudo, a resposta de Vorcaro evidenciou seu descontentamento e a gravidade percebida da situação, questionando: “Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?”. Zettel tentou esclarecer, completando que poderia “transferir as cotas dele”.
As análises da PF sobre os registros telemáticos ainda revelaram um pedido subsequente de Daniel Vorcaro para levantar todas as transferências já efetuadas para o Tayayá. Zettel prontamente forneceu a discriminação dos valores: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”. Tais transações somam os R$ 35 milhões apontados inicialmente na apuração do jornal, constituindo um elemento central na investigação. A atuação das autoridades judiciárias e de segurança pública em casos de repercussão, muitas vezes envolvendo altos montantes e figuras proeminentes, é detalhada em publicações relevantes, como pode ser verificado na página oficial do Supremo Tribunal Federal.
É relevante destacar que o ministro Dias Toffoli, citado na reportagem em função da participação de sua família no resort Tayayá, pronunciou-se em nota divulgada após a entrega do relatório da PF ao STF. Ele reconheceu ter recebido dividendos da empresa Maridt, que detinha participação societária no complexo hoteleiro até 2025. Contudo, Toffoli negou categoricamente ter recebido qualquer tipo de pagamento diretamente de Daniel Vorcaro, ressaltando que sua atuação profissional é íntegra e sem conflitos de interesse, e que as atividades empresariais de sua família seguiram os preceitos legais.
Até o momento da publicação original do jornal O Estado de S. Paulo, as defesas de Daniel Vorcaro, de Fabiano Zettel e o próprio ministro Dias Toffoli optaram por não se manifestar formalmente sobre o conteúdo das mensagens e as alegações da Polícia Federal, aguardando os próximos desdobramentos da investigação que continua sob sigilo judicial.
Confira também: Imoveis em Rio das Ostras
A descoberta destas mensagens adiciona uma camada significativa à complexidade das investigações envolvendo o controlador do Banco Master e o cenário político-econômico. A apuração da Polícia Federal promete desvendar ainda mais detalhes sobre as transações financeiras e as possíveis influências que culminaram nesses pagamentos ao resort Tayayá. Para aprofundar seu entendimento sobre casos similares e outros temas relevantes de impacto social e político, continue acompanhando nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Adriano Machado/Reuters; Ana Paula Paiva/Valor

