Organize Finanças e Invista em 2026 com Estratégia

Economia

O ano de 2026 se anuncia como um período desafiador, mas também de oportunidades, para quem deseja organizar finanças e investir. Em meio a um cenário que já sinaliza eleições impactando o mercado e juros altos que demandam cautela, a discussão sobre alocações de capital ganha ainda mais relevância. No entanto, muitos brasileiros permanecem à margem desses debates devido à falta de uma estrutura financeira bem definida. Para orientar os interessados, planejadores financeiros e especialistas em investimentos delinearam cinco passos essenciais para estruturar a vida financeira e iniciar uma jornada de investimentos no próximo ano.

A antecipação de 2026 sugere um quadro complexo, onde a taxa Selic, inicialmente projetada em 15% ao ano, deverá manter-se em patamares elevados mesmo com quedas esperadas no decorrer do ano, elevando o custo de empréstimos. Esse cenário econômico sublinha a urgência de uma gestão financeira proativa. A seguir, detalharemos cada uma das estratégias recomendadas por esses especialistas.

Organize Finanças e Invista em 2026 com Estratégia

Diagnóstico Financeiro Sincero: O Primeiro Passo para a Transformação

Antes de considerar qualquer investimento, a base de um bom planejamento financeiro reside em um diagnóstico preciso da situação atual. Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos, enfatiza que “o que não é medido não é gerenciado”, destacando o erro comum de ignorar quanto se ganha e, principalmente, quanto se gasta. A orientação é clara: cada entrada de dinheiro, por menor que seja, deve ser meticulosamente registrada. Exemplos como gastos excessivos em aplicativos de entrega de comida muitas vezes passam despercebidos, drenando recursos importantes.

Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos, corrobora essa visão ao afirmar que a prioridade inicial não é abrir uma conta em corretora, mas sim conduzir uma “anamnese financeira”. Paula Sauer, economista e planejadora, desdobra esse conceito em três etapas: avaliar o fluxo de caixa (vermelho, zero ou verde); calcular o patrimônio líquido (somando ativos como dinheiro, carros e imóveis e subtraindo passivos como dívidas); e compreender o nível individual de disciplina e tolerância a riscos. Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, complementa que o mapeamento rigoroso de receitas e despesas permite prever recursos para quitar dívidas antecipadamente ou para investir.

Quitar Dívidas: A Prioridade em um Cenário de Juros Elevados

Em um contexto onde a Selic promete permanecer alta em 2026, a decisão de priorizar o pagamento de dívidas ou o início de investimentos torna-se crucial. A resposta dos especialistas é unânime: quitar as dívidas é sempre a prioridade, especialmente aquelas com juros mais caros. Paula Sauer destaca que os juros de cartão de crédito e cheque especial podem superar 350% ao ano, um patamar que nenhum investimento conservador ou moderado conseguiria compensar.

Apesar da prioridade na quitação, Sauer aconselha manter o hábito de investir, mesmo que com aportes simbólicos. A ideia é consolidar a disciplina para, após a eliminação das dívidas, aumentar o valor investido. Jeff Patzlaff oferece uma regra prática: dívidas com juros a partir de 3% ao mês exigem pagamento imediato. Para débitos com juros inferiores a 1% mensal, é possível começar a investir em paralelo. Rafael Costa sugere uma estratégia híbrida: dedicar 80% dos recursos extras para dívidas e os restantes 20% para iniciar a formação de uma reserva de emergência, estabelecendo simultaneamente o hábito de poupar.

Para uma visão mais aprofundada sobre como o Banco Central lida com as taxas de juros e seu impacto na economia brasileira, consultar o site do Banco Central do Brasil pode oferecer dados relevantes sobre a Selic e a política monetária nacional.

A Formação de uma Reserva de Emergência Sólida

Considerando a esperada volatilidade do mercado em 2026, a construção de uma reserva de emergência torna-se indispensável. O montante ideal varia entre 6 e 12 meses do custo de vida. Jeff Patzlaff orienta que, para indivíduos com empregos estáveis, como funcionários públicos, seis meses de reserva podem ser suficientes. Contudo, profissionais autônomos ou com renda variável devem buscar um colchão financeiro maior, capaz de cobrir até um ano de despesas.

No que tange aos instrumentos de alocação dessa reserva, a segurança é primordial, e não a rentabilidade. Paula Sauer aconselha buscar segurança acima de tudo. As recomendações incluem o Tesouro Selic, Certificados de Depósito Bancário (CDBs) de liquidez diária de instituições financeiras sólidas e Fundos DI com taxa zero de administração. Esses ativos garantem liquidez e baixo risco, fundamentais para uma reserva.

Estratégias para Investir a Longo Prazo e Diversificar o Portfólio

Embora 2026 traga desafios, Rafael Costa lembra que o futuro é permeado por expectativas e a necessidade de construir uma carteira de investimentos que suporte os anos seguintes, pensando até a aposentadoria. Bruno Perri reforça que a Selic alta durante 2026 favorecerá aplicações conservadoras como Tesouro Selic, IPCA+ e CDBs de alta qualidade. Jeff Patzlaff ainda destaca que, para o investidor iniciante, o cenário de juros elevados oferece um excelente ponto de partida.

A diversificação vai além da renda fixa. Costa sugere a dolarização de parte do patrimônio, indicando ETFs como o IVVB11, que replica o desempenho do S&P 500, como uma forma de exposição ao mercado internacional. Para aqueles que desejam iniciar na renda variável brasileira, Patzlaff aponta oportunidades em setores mais defensivos, como o financeiro e o de saneamento básico.

Disciplina e Uso Inteligente de Ferramentas de Controle Financeiro

Para efetivamente organizar as finanças e sustentar a estratégia de investimentos, o uso de ferramentas é um facilitador importante. Planilhas de controle de gastos e aplicativos financeiros são grandes aliados, desde que sejam utilizados com disciplina. Com um acompanhamento rigoroso do que entra e sai, o cartão de crédito, por exemplo, pode deixar de ser um “vilão” para se tornar uma ferramenta que gera benefícios como milhas e cashback, como sugere Rafael Costa, ao concentrar os gastos no plástico.

Contudo, Paula Sauer faz uma ressalva crucial: “não adianta ter uma planilha da Nasa se você não tiver a disciplina para alimentá-la”. Ela compara a gestão financeira a um “skin care das finanças”, ressaltando que é fundamental ter um ritual e integrar o acompanhamento das finanças à rotina diária.

Confira também: Imoveis em Rio das Ostras

Para o próximo ano, que se mostra dinâmico para os investimentos e para a economia, o planejamento financeiro emerge como um pilar essencial. Seguindo os cinco passos detalhados por especialistas – do diagnóstico inicial à disciplina diária –, é possível pavimentar o caminho para uma vida financeira mais organizada e um portfólio de investimentos consistente em 2026. Explore mais artigos e análises detalhadas sobre as tendências econômicas e financeiras em nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: InfoMoney