Nasry Asfura é Eleito Presidente de Honduras Após Atrasos

Economia

Nasry Asfura, ex-prefeito da capital hondurenha e figura de proeminência na direita conservadora do país, foi oficialmente proclamado presidente de Honduras, em um pleito marcado por um forte respaldo do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A oficialização, tardia e controversa, reacendeu discussões sobre a lisura do processo eleitoral e a interferência estrangeira no panorama político latino-americano.

A divulgação dos resultados finais, que demorou quase um mês para ocorrer desde a votação em 30 de novembro, gerou tensões e acusações de irregularidades em todo o país. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) enfrentou um período tumultuado de revisão de milhares de atas e processos de contestação, o que culminou em intensos protestos e denúncias de fraude por parte da oposição e setores governistas.

Nasry Asfura é Eleito Presidente de Honduras Após Atrasos

O plenário do CNE aprovou um relatório na terça-feira (23), visando declarar o vencedor com base nos dados disponíveis até então, mesmo com a pendência de análises. Com 99,2% das urnas apuradas, os dados divulgados pela autoridade eleitoral indicam que Asfura, representante do Partido Nacional, obteve 40,3% dos votos. Seu principal adversário, o apresentador de televisão Salvador Nasralla, do Partido Liberal, ficou logo atrás com 39,5%, configurando uma vitória por uma margem inferior a um ponto percentual. A governista Rixi Moncada, do partido Liberdade e Refundação, alcançou a terceira posição. Outros candidatos na disputa de turno único incluíam Nelson Ávila, do Partido de Inovação e Unidade Social-Democrata, e Mario Enrique Rivera Callejas, do Partido Democrata Cristão.

O prazo legal para a proclamação oficial do novo mandatário hondurenho se estende até 30 de dezembro, com cerca de 600 atas ainda sujeitas a revisão por inconsistências. A resolução que declarou Asfura vencedor, contudo, foi aprovada por dois dos três conselheiros do CNE e rejeitou várias das impugnações apresentadas. O órgão eleitoral encontra-se notoriamente dividido, reflexo das disputas políticas entre os três maiores partidos do país, que controlam sua estrutura.

Um dos conselheiros, Marlon Ochoa, representante da esquerda governista, votou contra a resolução e expressou veemente desaprovação. “Não devo nem posso participar de um ato ilícito. Aqui se consumará um golpe de Estado eleitoral”, declarou Ochoa, afirmando que 288 impugnações, nulidades e recursos permanecem sem análise e protocolou uma denúncia junto ao Ministério Público.

Repercussões e Acusações de Fraude

Salvador Nasralla, o candidato derrotado, publicou um vídeo em suas redes sociais recusando a aceitação do resultado sem a apuração integral das urnas e a revisão completa das atas sob suspeita de irregularidades. “Não aceito a proclamação […]. Estão impedindo a contagem voto por voto”, afirmou. Além disso, uma comissão do Congresso já havia sinalizado, no mês anterior, sua intenção de rejeitar os resultados eleitorais, citando um “golpe eleitoral” e apontando suposta interferência de Donald Trump no pleito.

Por outro lado, um relatório da missão eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Honduras, divulgado em 15 de dezembro, indicou a existência de atrasos e uma “falta de perícia” no processo. No entanto, o mesmo documento descartou indícios de fraudes em larga escala, oferecendo uma perspectiva divergente sobre a legitimidade da contagem de votos.

Perfil do Presidente Eleito e Contexto Político

Nasry Asfura, de 67 anos e conhecido popularmente como Tito, concorria ao cargo presidencial pela segunda vez, tendo sido derrotado pela atual presidente, Xiomara Castro, há quatro anos. Com raízes palestinas, Asfura tem um currículo marcado pela gestão da capital hondurenha, Tegucigalpa, onde atuou como prefeito entre 2014 e 2022. Seu período à frente da prefeitura é lembrado por obras de infraestrutura, mas também por enfrentar acusações de desvio de fundos públicos. Em sua campanha, o político prometeu “trabalho e mais trabalho” para a população e manifestou inspiração no programa econômico de Javier Milei, da Argentina, e nas políticas de segurança de “linha-dura” de Nayib Bukele, de El Salvador.

A Influência de Donald Trump na Eleição Hondurenha

A presença de Donald Trump nesta eleição hondurenha foi inegável e profunda. O ex-presidente dos EUA não apenas apoiou abertamente Nasry Asfura, como também concedeu indulto a Juan Orlando Hernández, ex-presidente de Honduras e aliado de Asfura, que havia sido condenado a 45 anos de prisão por tráfico de cocaína para os EUA. Além do apoio direto, Trump havia proferido ameaças de cortar a ajuda financeira a Honduras caso Asfura não vencesse. Sua estratégia de influência também incluiu duras críticas aos adversários, rotulando a governista Moncada de “comunista” e Nasralla de “quase comunista”, uma tática que ressoou em um país com significativa dependência econômica dos Estados Unidos e onde 60% da população vive em situação de pobreza. Acompanhe os desdobramentos de políticas externas e observações eleitorais no cenário regional, informações importantes podem ser acessadas em sites de organizações como a Organização dos Estados Americanos (OEA).

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Imagem: valor.globo.com

O peso da influência republicana na política local demonstra uma continuidade da Casa Branca em apoiar líderes latino-americanos alinhados aos seus objetivos, penalizando aqueles que se desviam. A questão da imigração hondurenha para os Estados Unidos foi um ponto sensível nesse complexo cenário geopolítico. Inicialmente, o governo atual de Honduras manifestou-se contra as políticas de deportação de Trump, chegando a ameaçar uma revisão da presença militar americana em seu território. Contudo, Tegucigalpa acabou cedendo e passou a cooperar com o apoio aos deportados.

Declarações e Desafios Futuros

Antes da votação, Nasry Asfura comemorou abertamente o apoio de Trump, indicando que essa aproximação poderia trazer “benefícios” tanto para os imigrantes hondurenhos quanto para a economia do país em geral. “Hoje estamos em um dia muito importante para Honduras, onde precisamos defender a democracia, a liberdade e viver em paz, que é o que cada um de nós deseja”, afirmou Asfura ao exercer seu direito ao voto.

A polarização política em Honduras se acentuou significativamente após o golpe de Estado de 2009, que depôs Manuel Zelaya, marido da atual presidente Xiomara Castro. A campanha recente foi caracterizada por ataques mútuos: Moncada frequentemente descrevia seus adversários como “oligarcas do golpe”, enquanto era taxada de aliada “comunista” da Venezuela. Em meio a essas tensões, as preocupações genuínas da população, como a alta pobreza e a violência endêmica, foram ofuscadas por discussões ideológicas.

Além da eleição presidencial para o período de 2026 a 2030, os cidadãos hondurenhos também votaram em prefeitos, representantes para o Parlamento Centro-Americano e renovaram as 128 vagas para deputados do Congresso Nacional, que é unicameral. Este complexo processo eleitoral sublinha a contínua turbulência e os desafios democráticos enfrentados pela nação centro-americana.

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O resultado da eleição em Honduras, com a vitória de Nasry Asfura e as controvérsias que a cercam, reafirma a volatilidade política e a forte influência externa que marcam a região. Para se aprofundar nas nuances da política local e seus impactos, convidamos você a explorar outras análises em nossa editoria de Política.

Foto: Leonel Estrada/Reuters