O ano de 2025 consolidou-se como um período de notáveis contrastes para o universo de investimentos no Brasil. Caracterizado por volumes consideráveis de saques nos fundos, testemunhou-se, ao mesmo tempo, um significativo renascimento da categoria de fundos multimercados, com promissoras perspectivas de investimento em 2026. Esta avaliação vem de Guilherme Zaczac, responsável pela área de Alternativos Líquidos para o Brasil no UBS Global Wealth Management, que sublinha o sucesso de alguns gestores em interpretar e aproveitar as transformações do mercado. Somente aqueles que efetuaram leituras precisas dos cenários nacional e internacional lograram resultados consistentes, diferenciando-se em um ambiente que nem todos os fundos multimercados conseguiram navegar com a mesma proficiência.
Zaczac frisa que o êxito não foi uma norma generalizada, mas um distintivo das gestões que souberam prever e adaptar-se. O período mostrou-se desafiador, com uma saída substancial de capital desses veículos de investimento, mas concomitantemente demonstrou a resiliência e a capacidade de reinvenção de estratégias bem-estruturadas. A intricadez do mercado global, aliada a elementos internos como as projeções relativas ao ciclo eleitoral de 2026, demandou dos gestores uma profunda capacidade analítica e tática para assegurar retornos estáveis e reconquistar a confiança dos investidores.
Multimercados 2026: Perspectivas para Investir em Fundos
Entre os profissionais que se destacaram, Bruno Coutinho, gestor da Mar Investimentos, apresentou retornos notáveis, que variaram de 23% a 27% até o penúltimo mês do ano. O sucesso de Coutinho resultou de teses concentradas no mercado doméstico, englobando a antecipação de movimentos políticos e econômicos atrelados às eleições de 2026, a identificação de ações com avaliações vantajosas, o proveito da valorização do real em relação ao dólar e os efeitos dos cortes nas taxas de juros conduzidos pelo Federal Reserve. Outro caso exemplar de performance foi o fundo K10, da Kapitalo, sob a gestão de Bruno Cordeiro, que demonstrou habilidade em mitigar a volatilidade do segmento de commodities, entregando um retorno sólido de 20% durante o intervalo analisado.
Em contrapartida, a SPX, reconhecida como uma das maiores gestoras independentes do país, enfrentou um ano mais intrincado em seus fundos multimercados macro, como o Raptor e o Nimithz, apesar de ter obtido um rendimento excepcional em seu fundo Equity Hedge. Guilherme Zaczac aponta que, mesmo com uma recente melhoria, esses fundos ainda permanecem abaixo da performance do CDI no consolidado anual. Contudo, as perspectivas são otimistas, com a gestora “plantando sementes” para 2026, delineando novas táticas voltadas para as próximas eleições e desenvolvendo uma visão estratégica altamente promissora para o cenário internacional. A cosmovisão e a filosofia de investimento de Rogério Xavier, fundador da SPX, são aspectos que Zaczac faz questão de enaltecer como diferenciais no segmento de fundos multimercados.
Luís Stuhlberger, da Verde Asset, com seu emblemático fundo multimercado Verde – um dos mais tradicionais e respeitados no cenário financeiro –, foi igualmente mencionado pela sua notável estabilidade. O fundo conseguiu entregar um ganho de 3 pontos percentuais acima do CDI em um período de três anos, mantendo uma oscilação muito mais controlada. Zaczac sublinhou a capacidade de Stuhlberger em edificar retornos robustos e constantes, sem registrar nenhum mês negativo até novembro do ano anterior, reforçando a excelência da gestão em um ambiente de mercado repleto de desafios.
Outro veterano do mercado, a gestora Ibiúna, que conta em sua equipe com ex-diretores do Banco Central – Rodrigo Azevedo e Mário Torós –, vivenciou momentos de dificuldade no começo do ano. O fundo Ibiúna Hedge também registrou uma performance aquém do CDI, com 11,84% de rendimento até o dia 10 de um determinado mês. No entanto, o fundo iniciou um processo de recuperação constante a partir de agosto, demonstrando sua resiliência. A vasta experiência de seus gestores na compreensão da dinâmica de atuação dos Bancos Centrais é citada por Zaczac como uma vantagem tática fundamental, sobretudo em um período de transição no ciclo global de juros, esperado para o ano subsequente.
Zaczac fez questão de incluir em sua análise Bruno Serra, também ex-diretor do Banco Central, que agora comanda o Itaú Asset e é responsável pelo fundo multimercado Itaú Janeiro. Serra personifica uma nova safra de gestores com passado em direções do BC, exibindo um retorno consistente, na casa dos 20% anuais, e uma baixa volatilidade, fruto de uma gestão notoriamente cautelosa e eficaz. Este perfil se alinha perfeitamente à busca por retornos confiáveis em conjunturas de incerteza, uma característica valiosa e bastante procurada na oferta de fundos multimercados.
Ao abordar as recomendações de investimento em fundos multimercados para 2026, Guilherme Zaczac expressou grande apreço pela estratégia de Bruno Coutinho, da Mar Asset Management. Embora as abordagens de Coutinho apresentem uma volatilidade um pouco mais elevada, são consideradas adequadas para um perfil específico de investidor que compreende os riscos e o potencial de retorno. “Não é para todos os investidores, mas ele busca tendências e abraça o risco de forma consistente e é um candidato interessante quando penso no futuro dessa indústria”, observou Zaczac. Esta perspectiva aponta para uma gestão mais arrojada que, apesar de demandar maior tolerância a risco, pode ser extremamente lucrativa para quem almeja grande valorização em nichos de mercado.
A SPX, mesmo com uma performance mais contida em algumas de suas estratégias em 2025, permanece como uma forte indicação para o próximo ciclo de investimentos. Zaczac é categórico em sua avaliação: “Nunca aposte contra Rogério Xavier”. A fundamentação para essa confiança reside na metodologia única de operação do gestor, que coordena parte de suas estratégias de Londres. Esta localização confere-lhe uma perspectiva menos sujeita às paixões e às influências diretas do mercado doméstico, um elemento que, segundo a análise, pode traduzir-se em tomadas de decisão mais objetivas e, consequentemente, mais rentáveis a longo prazo para seus fundos. Essa distância geográfica e analítica constitui um trunfo inestimável em meio à intensidade e complexidade do cenário financeiro brasileiro.
Especialistas da indústria financeira também defendem que o fundo Verde, gerido por Stuhlberger, deve ser uma peça fundamental na carteira de qualquer investidor que ambicione diversificação e consistência. Além desses renomados gestores, outros fundos como o K10, da Kapitalo, a Genoa, a Radar e a Vestar, comandada por André Raduan, ex-Itaú, emergem como opções promissoras para aqueles que preferem um perfil de investimento mais focado em negociações dinâmicas e em proteção contra as flutuações do mercado. Conforme Zaczac, esses gestores priorizam menos as grandes teses de investimento de longo prazo e mais as estratégias de trading diárias, o que os capacita a resguardar os portfólios das volatilidades e movimentos de curto prazo.
Mário Schalch, sócio e gestor de Multimercados da Neo Investimentos, que possui mais de duas décadas de expertise no mercado, realça o ponto crucial para 2026: a aguardada redução das taxas de juros. Essa alteração influenciará diretamente a vantagem competitiva dos títulos de crédito com isenção de impostos, reduzindo sua atratividade na margem. Com a projeção de que os fundos multimercados apresentem bons resultados, o setor está estrategicamente posicionado para um desenvolvimento expressivo. Embora possa não replicar os níveis de crescimento de quatro anos atrás, o ambiente será propício para atrair novos investidores em um cenário onde os mercados de risco se tornam mais atrativos, e a diversificação que os multimercados proporcionam poderá gerar ganhos ampliados.
A expectativa de queda nas taxas de juros, conforme sinalizações do Banco Central e previsões de analistas, remodela o cenário de investimento, impulsionando a procura por diferentes tipos de ativos. Uma política monetária mais acomodatícia, direcionada a impulsionar o crescimento econômico, geralmente favorece a renda variável e outras modalidades de risco, redirecionando capital antes alocado em aplicações de renda fixa. É neste contexto que os fundos multimercados ganham um novo destaque. A capacidade desses fundos de operar em diversas classes de ativos – desde a renda fixa, ações e câmbio, até derivativos – permite aos gestores ajustar suas estratégias para aproveitar as melhores oportunidades, independente das condições macroeconômicas. Para compreender as nuances dessas políticas e suas implicações, aprofunde-se nos estudos e análises disponíveis no site do Banco Central do Brasil.
Confira também: Imoveis em Rio das Ostras
Em suma, 2026 desenha-se como um período de ressurgimento para os fundos multimercados, alavancado pela expertise de gestores talentosos e pela mudança no ciclo de juros tanto global quanto nacional. As abordagens adaptativas de nomes como Bruno Coutinho, Rogério Xavier, Luís Stuhlberger, bem como a perspicácia dos ex-diretores do Banco Central à frente da Ibiúna e do Itaú Asset Management, indicam um horizonte de recuperação e um considerável potencial de ganhos para investidores que buscam diversificar suas carteiras. Mantenha-se informado com as análises e acompanhe atentamente o universo financeiro em nossa editoria para tomar as melhores decisões de investimento e ficar por dentro das últimas notícias. Para explorar mais análises e reportagens relevantes sobre o mercado financeiro e outros temas, acesse nossa seção de Economia.
Crédito da imagem: Canva
