Move Brasil Libera Quase R$ 2 Bilhões para Renovação de Frota

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O programa Move Brasil registrou um desempenho significativo em seu primeiro mês de funcionamento, com a liberação de quase R$ 2 bilhões em financiamentos voltados para a renovação da frota de caminhões em todo o país. A informação foi anunciada pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante um evento realizado em Guarulhos, São Paulo, neste domingo, dia 8 de fevereiro. A iniciativa representa um esforço concentrado para revitalizar o setor de transporte rodoviário, crucial para a logística nacional.

A meta primordial do Move Brasil é modernizar o parque veicular do país, substituindo caminhões antigos por modelos mais novos e eficientes. Além do benefício ambiental, a proposta busca reaquecer o mercado de vendas de veículos pesados, que enfrentou um período de retração considerável. Em 2025, o setor já havia experimentado uma queda de 9,2%, cenário que se acentuou ainda mais nos segmentos de veículos pesados, projetados para o transporte de longa distância, onde a retração alcançou 20,5% em comparação com 2024. Esses dados evidenciam a necessidade premente de intervenção para dinamizar a economia.

Move Brasil Libera Quase R$ 2 Bilhões para Renovação de Frota

De acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o mercado de caminhões iniciou o ano em patamar desafiador, com uma queda de 34,67% apenas em janeiro de 2024 em relação ao mesmo período do ano anterior. O vice-presidente Alckmin atribuiu diretamente essa diminuição nas vendas ao cenário de taxas de juros elevadas, um fator que impacta diretamente a capacidade de investimento de empresas e caminhoneiros autônomos que dependem de financiamentos para adquirir bens de alto valor e longa durabilidade.

Alckmin destacou que, apesar das altas taxas de juros, a economia brasileira apresentou recordes importantes em outros setores, como a safra agrícola, que cresceu 17,9%, e as exportações, que totalizaram US$ 349 bilhões, contribuindo para uma corrente de comércio de US$ 629 bilhões. Para o vice-presidente, a necessidade de escoar essa vasta produção para portos e aeroportos reforça a importância da logística eficiente, evidenciando o paradoxo da frota defasada. “Normalmente, quem compra esse tipo de bem de uso duradouro financia, é difícil comprar à vista. Eu vou e financio. A taxa estava em 22%, 23% ao ano, e a resposta foi boa, cerca de R$ 1,9 bilhão neste comecinho”, explicou, sublinhando a robustez do financiamento inicial, mesmo em um contexto desafiador.

O impacto do programa já é percebido por empreendedores como Orlando Boaventura, proprietário de uma transportadora em Santa Isabel, na região metropolitana de São Paulo. Com uma equipe de 30 funcionários e 20 anos de atuação, sua empresa familiar conseguiu adquirir o seu 29º caminhão através dos recursos disponibilizados pelo Move Brasil. Boaventura relatou que a aquisição de um modelo mais recente pode gerar uma economia de até R$ 200 em combustível por viagem de São Paulo para o Rio de Janeiro, o que representa uma otimização substancial nos custos operacionais.

A percepção do empresário sobre o momento ideal para investir ressoa com os objetivos do programa. “A gente busca a renovação de frota e essa taxa de juros é adequada, está dentro do nosso padrão. Conseguimos um bom preço e achamos que era o melhor momento para comprar”, afirmou. A empresa de Boaventura, em consequência da expansão, planeja contratar mais cinco trabalhadores ao longo deste ano, demonstrando o efeito multiplicador da iniciativa na geração de empregos e no desenvolvimento local.

Wellington Damasceno, representante do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, reforçou o valor do Move Brasil, apontando o esforço conjunto entre empresas, sindicatos e o governo federal na sua concepção. Ele enfatizou que, para além da crucial manutenção de empregos no setor de transportes, o programa possui metas de sustentabilidade importantes, incluindo a diminuição das emissões de carbono e a transição para modelos de logística que são ambientalmente mais responsáveis e modernos. Essa visão holística alinha o desenvolvimento econômico com as preocupações ambientais crescentes.

Durante o evento, representantes da indústria também solicitaram a continuidade do programa. O estímulo à retomada das vendas é vital para um setor que engloba não apenas as fábricas de veículos, mas também as concessionárias, indústrias de peças e toda uma cadeia produtiva associada. Christopher Polgorski, CEO da Scania, expressou a expectativa do mercado. “Vemos uma tendência do Banco Central de pensar o início de um ciclo de redução da taxa Selic. Isso talvez compense, caso não haja perenização no programa, mas ele já tem um valor importante porque antecipa a expectativa e como a taxa de juros estará a partir do terceiro e quarto trimestres deste ano”, ponderou o executivo.

Polgorski ainda destacou o impacto do setor na economia geral, ressaltando que cada emprego mantido na produção e nas vendas diretas se traduz na sustentação de outros seis empregos indiretos. Este é um indicador da importância do setor para a dinâmica econômica e social do país. Geraldo Alckmin confirmou que o programa não possui um prazo de conclusão definido e que o teto total de financiamentos deve permanecer em R$ 10 bilhões. “Neste momento não temos discussão de aumento do valor [do teto]. O prazo pode durar dois meses, quatro meses, seis meses, até que o recurso se esgote. Depois disso nós vamos estudar”, explicou o vice-presidente.

O Move Brasil, em suas diretrizes, facilita o acesso a crédito para a compra de caminhões novos ou seminovos, desde que fabricados a partir de 2012 e que atendam a critérios ambientais específicos. O financiamento é operacionalizado através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para saber mais sobre linhas de crédito e fomento à indústria, é possível consultar o portal oficial do BNDES, uma instituição fundamental para o desenvolvimento econômico brasileiro.

Desde o final de janeiro, o subprograma Renovação da Frota, parte integrante do Move Brasil, já beneficiou caminhoneiros autônomos, cooperados e diversas empresas transportadoras espalhadas por 532 municípios do Brasil. No mês passado, foram contabilizadas 1.152 operações de crédito, com um valor médio de financiamento por operação de R$ 1,1 milhão. Isso demonstra a capilaridade e a demanda por esse tipo de incentivo no mercado.

O programa disponibilizará um montante total de R$ 10 bilhões em crédito, composto por recursos do Tesouro Nacional e do próprio BNDES. Deste total, R$ 1 bilhão foi especificamente reservado para atender às necessidades de caminhoneiros autônomos e cooperados, categoria que frequentemente enfrenta maiores dificuldades no acesso a financiamentos. As taxas de juros aplicadas aos empréstimos variam entre 13% e 14% ao ano, com a possibilidade de condições mais vantajosas para aqueles que comprovadamente entregarem veículos mais antigos para desmonte, reforçando o caráter sustentável da iniciativa. O limite de financiamento estabelecido é de até R$ 50 milhões por usuário, com prazos máximos de pagamento de cinco anos e carência que pode se estender por até seis meses, oferecendo fôlego financeiro aos tomadores de crédito. Todas as operações do programa são garantidas pelo Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), que oferece cobertura de até 80% do valor financiado, proporcionando maior segurança às instituições financeiras e incentivando a concessão de crédito.

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A expressiva liberação de quase R$ 2 bilhões pelo Move Brasil em seu primeiro mês reflete o sucesso inicial da estratégia governamental para revitalizar o setor de transportes e a economia nacional. A expectativa é que a iniciativa continue a impulsionar a renovação da frota de caminhões, fomentando empregos, otimizando a logística e promovendo a sustentabilidade ambiental no país. Para se manter atualizado sobre os desdobramentos desta e de outras iniciativas econômicas que impactam o Brasil, convidamos você a continuar navegando em nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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