Mercado avalia IBC-Br sob Fed e tensões globais

Economia

O mercado financeiro brasileiro concentra sua atenção nesta quinta-feira na divulgação do Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br), considerado uma importante prévia do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Investidores e analistas econômicos estão minuciosamente avaliando os recentes sinais de desaceleração da economia, buscando indícios de que o cenário de desinflação, em conjunto com uma menor intensidade na atividade econômica, possa justificar a precificação de novos ciclos de corte da taxa Selic ao longo do ano corrente. Esta perspectiva fomenta discussões acerca da futura política monetária do país.

Paralelamente, o ambiente global se mantém em constante monitoramento. No exterior, os discursos de importantes dirigentes do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, são avidamente acompanhados. Tais falas vêm após a ata da mais recente reunião do comitê monetário do Fed revelar um tom consideravelmente conservador. O documento sugeriu a possibilidade de elevações adicionais nas taxas de juros americanas caso a inflação não demonstre uma convergência consistente rumo à meta estabelecida, adicionando uma camada de incerteza às expectativas globais.

Mercado avalia IBC-Br sob Fed e tensões globais

No início da manhã desta quinta-feira, por volta das 8h, a reação dos mercados globais já se fazia sentir. Os contratos futuros dos principais índices acionários de Nova York registraram recuo. O S&P 500 apresentou queda de 0,34%, enquanto o Nasdaq registrou perdas de 0,46%. Essa movimentação descendente foi majoritariamente atribuída à intensificação das tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irã, um fator que consistentemente adiciona volatilidade aos mercados internacionais de ativos e commodities. A incerteza gerada por tais conflitos tende a impulsionar investidores para ativos considerados mais seguros, ao passo que desestimula aplicações de maior risco.

Em contraste, o DXY, índice que monitora a performance do dólar americano frente a uma cesta de seis importantes moedas globais, exibiu uma notável estabilidade. O índice flutuava próximo à neutralidade, com uma ligeira queda de 0,04%, fixando-se em 97,71 pontos. Essa resiliência do dólar ocorreu após a divulgação de dados macroeconômicos nos Estados Unidos que se mostraram mais robustos do que as projeções iniciais da véspera, fortalecendo a divisa americana mesmo em um contexto de preocupações externas e incertezas políticas.

Economia Brasileira sob o Escopo do IBC-Br

Focalizando na conjuntura econômica brasileira, as expectativas para o IBC-Br são de retração. Segundo a mediana de 16 projeções realizadas pelo VALOR DATA, com a participação de economistas de diversas instituições financeiras e consultorias renomadas, estima-se que o Índice de Atividade do Banco Central tenha registrado uma queda de 0,5% em dezembro em relação ao mês de novembro. O universo de estimativas para o indicador varia, com projeções que vão desde um recuo de 0,7% até uma perda mais contida de 0,2%. O consenso predominante entre os especialistas é que o indicador, que serve como uma das mais confiáveis prévias para a mensuração do Produto Interno Bruto, deve ter, de fato, assinalado uma diminuição na atividade econômica no último mês de 2025.

A confirmação de um desempenho mais fraco para a atividade econômica brasileira, conforme indicado pelos dados do IBC-Br, poderá repercutir diretamente no mercado de juros futuros. Caso os números corroborem a desaceleração esperada, existe uma grande probabilidade de os juros futuros de curto prazo registrarem um movimento de recuo ao longo da sessão desta quinta-feira. Esse comportamento reflete a antecipação do mercado de que um cenário de menor dinamismo econômico abre margem para um relaxamento da política monetária pelo Banco Central, implicando cortes na Selic.

Mercado avalia IBC-Br sob Fed e tensões globais - Imagem do artigo original

Imagem: Fernanda Faustino Goncalves via valor.globo.com

Impactos Geopolíticos no Setor de Commodities e Empresas

As tensões geopolíticas globais, em particular o confronto latente entre os Estados Unidos e o Irã, continuam a moldar a dinâmica dos mercados internacionais de commodities. O risco inerente a um possível ataque militar dos Estados Unidos contra o Irã, motivado pelo impasse em torno do programa nuclear da nação persa, exerce uma pressão constante de alta sobre os preços do petróleo no mercado internacional. Essa escalada nos preços do barril, por sua vez, tende a impactar positivamente as ações de empresas do setor, notadamente a Petrobras. A valorização da commodity em um cenário de oferta mais restrita ou ameaçada favorece as companhias exportadoras e produtoras de petróleo, impulsionando suas ações no Ibovespa e reforçando a relevância do Brasil no contexto energético global.

Além das preocupações com o Oriente Médio, outros fatores globais exercem influência sobre o mercado de ações brasileiro. O mercado chinês permanece fechado em virtude das celebrações do Ano Novo Lunar, o que historicamente resulta em menor liquidez e volumes de negociação nas commodities. Simultaneamente, o balanço de uma gigante do setor mineral, a australiana Rio Tinto, foi divulgado abaixo das projeções do mercado, o que trouxe preocupações. Estes elementos combinados criam um ambiente desfavorável para a Vale, uma das principais mineradoras globais e componente de peso do Ibovespa. A expectativa é que a empresa possa registrar seu terceiro pregão consecutivo de perdas, contribuindo para uma pressão baixista sobre o desempenho geral da bolsa de valores brasileira. A conjunção desses fatores ressalta a interconectividade dos mercados e a suscetibilidade da economia nacional a eventos e decisões ocorrendo em diferentes partes do mundo.

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Em suma, a quinta-feira se revela um dia de intensa atenção nos mercados financeiros, com a expectativa pelo IBC-Br no cenário doméstico e o impacto de discursos do Fed, além de tensões geopolíticas e fechamento de mercados asiáticos, ditando o ritmo global. A capacidade do mercado de absorver e reagir a esses eventos será crucial para a trajetória de ativos. Para acompanhar de perto as nuances da economia e dos mercados, continue explorando nossa editoria de Economia para análises aprofundadas e as últimas notícias: Saiba mais sobre a Economia.

Crédito da Imagem: Valor Econômico

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