O Irã reitera sua posição de não desenvolver armas nucleares, conforme declaração do presidente Masoud Pezeshkian nesta quinta-feira (26). A manifestação ocorre em meio a rodadas de negociação e acusações veementes dos Estados Unidos sobre o programa nuclear iraniano.
Pezeshkian, em suas afirmações, sublinhou que a proibição estabelecida pelo líder supremo Ali Khamenei, por meio de um decreto religioso conhecido como fatwa, é um indicativo claro de que Teerã não buscará o desenvolvimento de armamento nuclear. A referida fatwa, que proíbe armas atômicas, foi emitida no início dos anos 2000. Tais declarações foram feitas justamente no dia da terceira série de diálogos nucleares com representantes norte-americanos.
Irã: Presidente Nega Desenvolvimento de Armas Nucleares
Os Estados Unidos têm mantido sua postura de acusar Teerã de ter como objetivo a criação de armas nucleares. Recentemente, durante o discurso do “Estado da União”, na terça-feira (24), o então presidente norte-americano, Donald Trump, explicitou sua preocupação com o programa de mísseis iraniano. Segundo Trump, o Irã já possuía mísseis capazes de ameaçar nações europeias e bases militares americanas no exterior, além de trabalhar para desenvolver artefatos que poderiam, em breve, alcançar o território dos EUA.
Trump mencionou ainda que o governo iraniano foi advertido para não retomar suas atividades nucleares, mas, apesar dos alertas, continuou a perseguir suas ambições nesse campo. Ele recordou os ataques promovidos pelos EUA contra o Irã em junho de 2025, ocasião em que, segundo suas declarações, as forças americanas neutralizaram um suposto programa de armas nucleares iraniano.
Ainda que afirmasse preferir a via diplomática para a resolução da questão, o líder americano foi enfático ao declarar que “jamais permitirá que o maior patrocinador do terrorismo no mundo tenha uma arma nuclear”. Esta escalada de tensões marca um período delicado nas negociações visando a um acordo que limite o programa nuclear de Teerã. O governo iraniano, por sua vez, classificou as acusações de “grandes mentiras” e denunciou uma “campanha de desinformação” por parte da administração Trump.
Rodadas de Negociação Intensificadas
A quinta-feira (26) configurou-se como um dia potencialmente crucial para o Irã, com mais uma sessão de conversações nucleares com as autoridades estadunidenses. O jornal britânico The Guardian reportou que as decisões do presidente Trump a respeito de um eventual ataque militar ao país poderiam ser influenciadas pelos resultados desse encontro.
As discussões realizadas em Genebra, na Suíça, nesta quinta-feira, representaram a terceira em um período de menos de um mês, com o objetivo central de selar um acordo para frear ou desmantelar o programa nuclear iraniano. A exigência primordial dos Estados Unidos é que o Irã suspenda o enriquecimento de urânio, uma vez que Washington expressa receios de que esse processo seja um caminho para a fabricação de uma bomba atômica. Contudo, o governo iraniano insiste que suas atividades nucleares têm propósitos estritamente pacíficos, visando exclusivamente à produção de energia elétrica para o país. As informações sobre o programa nuclear iraniano e a atuação internacional podem ser aprofundadas no site oficial da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), entidade global responsável pela promoção do uso seguro e pacífico da tecnologia nuclear.

Imagem: g1.globo.com
Conflitos de Interesses e Pontos de Contenção
A imprensa americana também noticiou que os EUA almejam impor restrições ao alcance dos mísseis balísticos desenvolvidos pelo Irã, bem como finalizar o suporte de Teerã a grupos armados em diferentes regiões do Oriente Médio. Em contrapartida, a delegação iraniana defende que as negociações devem se circunscrever estritamente ao programa nuclear. O país expressou disposição para reduzir o nível de enriquecimento de urânio, mas condiciona tal concessão ao encerramento das sanções econômicas impostas internacionalmente.
A rodada de negociações mais recente antes deste encontro ocorreu em 17 de fevereiro, igualmente em Genebra. Naquela ocasião, a delegação do Irã comunicou ter havido “progresso” nas discussões, enquanto a Casa Branca também indicou que o encontro representou “certo avanço”, evidenciando um ambiente de expectativas moderadas em relação aos resultados das mesas de diálogo.
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Em suma, a postura oficial do Irã, reafirmada pelo Presidente Masoud Pezeshkian, nega qualquer intenção de construir armas nucleares, fundamentada na fatwa do Líder Supremo Ali Khamenei. No entanto, as acusações persistentes dos EUA, personificadas pelas declarações de Donald Trump, apontam para uma crença oposta, gerando um cenário de negociações tensas e complexas em Genebra. Acompanhe mais desenvolvimentos sobre política internacional e conflitos geopolíticos em nossa editoria de Política para se manter sempre informado.
Crédito da imagem: Angelina Katsanis/AP Photo e Kevin Lamarque/Reuters
