A inflação nos EUA está sob os holofotes, com expectativas de uma possível aceleração no índice de preços ao consumidor (IPC) referente a dezembro de 2025. Após um período desafiador em novembro do mesmo ano, a economia americana se prepara para a divulgação de dados que podem reverter tendências de desaceleração observadas anteriormente, o que gera grande interesse entre analistas e formuladores de política monetária.
O mercado aguarda com atenção os novos relatórios. A expectativa é que o IPC mostre um aumento modesto da inflação no fim de 2025, indicando um processo de arrefecimento gradual das pressões inflacionárias que tem sido uma meta prioritária para o Banco Central americano. Esse cenário levanta discussões sobre os próximos passos da política econômica e seus desdobramentos.
Inflação nos EUA: Entenda a Provável Aceleração em Dezembro
De acordo com projeções, o núcleo do índice de preços ao consumidor, uma métrica crucial para avaliar a inflação subjacente por desconsiderar a volatilidade de preços de alimentos e energia, deve registrar um crescimento anual de 2,7% em dezembro de 2025. Este patamar é ligeiramente superior ao avanço de 2,6% anotado em novembro do mesmo ano, que, por sua vez, foi o menor desde o início de 2021. Na análise mensal, economistas preveem incrementos de 0,3% tanto para os preços gerais quanto para os básicos. É importante recordar que o Departamento de Estatísticas do Trabalho não conseguiu divulgar as variações mensais no relatório anterior do IPC, resultado do atraso causado pela mais extensa paralisação governamental já registrada na história do país.
Anteriormente, o relatório de novembro havia apontado uma ampla desaceleração inflacionária. Contudo, essa leitura foi considerada distorcida pela incapacidade da agência de compilar a maioria dos dados de preços em outubro e pela suposição de que os principais índices de aluguel permaneceram essencialmente inalterados naquele mês. Embora tais fatores tenham exercido uma significativa pressão baixista sobre os resultados de novembro, o iminente relatório de dezembro, com divulgação prevista para terça-feira, possui o potencial de alterar essa direção, sugerindo uma possível inversão na tendência.
Impactos na Política Monetária do Federal Reserve
A carência de informações inflacionárias conclusivas, somada a sinais de estabilização do mercado de trabalho norte-americano – após uma sequência de relatórios de criação de empregos considerados fracos –, contribui para a expectativa de que os dirigentes do Federal Reserve (Fed) manterão as taxas de juros em seu nível atual no curto prazo. Essa postura conservadora reflete a cautela do Banco Central diante de um cenário econômico ainda em processo de calibração, buscando um equilíbrio entre o controle inflacionário e o suporte ao crescimento econômico.
Análise de Especialistas e o Cenário do Consumo
Para um grupo de economistas, incluindo Anna Wong, Stuart Paul, Eliza Winger, Chris G. Collins, Alex Tanzi e Troy Durie, o relatório do IPC de dezembro pode gerar “narrativas falsas”. Eles antecipam um índice positivo em dezembro, explicado primariamente pela correção de parte da subavaliação presente no relatório de novembro. Enquanto alguns podem interpretar esse resultado como um indício de inflação em ascensão, os especialistas classificam essa perspectiva como equivocada. Embora admitam que o relatório de novembro de fato exagerou a desaceleração, possivelmente em cerca de 20 pontos-base, eles enfatizam que muitos varejistas estão implementando reduções drásticas de preços e que o repasse de tarifas atingiu seu ponto máximo para diversos produtos.
A agenda da semana prevê ainda pronunciamentos importantes de membros do Federal Reserve. O presidente do Fed de Nova York, John Williams, dará início a uma série de aparições. Além dele, estão previstos discursos de Alberto Musalem, Anna Paulson, Michelle Bowman e Philip Jefferson, que poderão oferecer novas perspectivas sobre a economia e a política monetária dos EUA. Paralelamente, dados governamentais agendados para quarta-feira indicam que o consumo no quarto trimestre de 2025 demonstra resiliência, com mais um sólido avanço nas vendas a varejo. Excluindo o setor automotivo, economistas projetam um aumento de 0,4% em novembro, idêntico ao ganho do mês anterior.
Outros Indicadores Econômicos nos EUA e no Mundo
Além do IPC, diversos outros relatórios econômicos serão divulgados nos Estados Unidos, abrangendo vendas de casas novas em outubro, o índice de preços ao produtor em novembro, e a produção industrial e revendas de imóveis residenciais em dezembro. Esses dados serão cruciais para compor um panorama mais completo da saúde da economia americana ao final de 2025 e início de 2026. Em uma análise macroeconômica, o Fundo Monetário Internacional (FMI) oferece periodicamente suas perspectivas para a economia global, auxiliando a contextualizar os desafios e tendências enfrentados pelas diferentes nações. Saiba mais sobre o combate à inflação e políticas monetárias no site da instituição.
A Situação Econômica Global em Detalhes
A semana trará um vasto calendário de dados da Ásia, fornecendo aos formuladores de políticas e investidores novas pistas sobre a evolução do crescimento e da inflação. As divulgações cruciais da China, Japão e Austrália testarão se as tendências recentes estão ganhando fôlego.

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A China abrirá a semana com os dados financeiros de dezembro, incluindo financiamento agregado e novos empréstimos em yuan. Informações sobre comércio e investimento estrangeiro direto, que serão divulgadas posteriormente na semana, oferecerão detalhes adicionais sobre a condição da economia chinesa. Na Índia, os dados de inflação de dezembro serão o foco na segunda-feira, influenciando a avaliação do balanço de riscos para o Banco Central indiano, que reduziu sua taxa básica de juros em 25 pontos-base para 5,25% em dezembro. Quinta-feira trará os números de desemprego e comércio exterior do país. A atenção então se voltará para a Austrália, onde os anúncios de emprego ANZ e os indicadores de consumo familiar ajudarão a moldar as expectativas sobre as próximas ações do banco central. A pesquisa de confiança do consumidor do Westpac, a ser divulgada na terça-feira, segue as sinalizações de autoridades do Reserve Bank sobre o fim do ciclo atual de flexibilização monetária, mantendo uma postura cautelosa devido às elevadas pressões inflacionárias.
A intensa agenda do Japão, prevista para o meio da semana, é um ponto vital para os mercados, que avaliam se o Banco do Japão manterá sua trajetória de elevação das taxas de juros. Dados da balança de pagamentos e comercial oferecerão informações sobre o impacto da desvalorização do iene nas exportações e fluxos de renda. Os dados de preços ao produtor serão revelados no final da semana. Espera-se que o Banco da Coreia mantenha suas diretrizes de política monetária inalteradas na quinta-feira, com foco em quaisquer sinais de que o ciclo de flexibilização monetária chegou ao fim. A Coreia do Sul também divulgará dados sobre o mercado de trabalho e preços comerciais, enquanto os dados de emprego e licenças de construção da Nova Zelândia poderão esclarecer a possível postura política do Banco Central da Nova Zelândia. O Sudeste Asiático encerra a semana com uma atualização do produto interno bruto da Malásia, dados de reservas da Tailândia e exportações não petrolíferas de Singapura.
Na Europa, a Alemanha estará em destaque com a primeira estimativa estatística de crescimento anual para qualquer país do G7 em 2025, prevista para quinta-feira, que indicará seu desempenho no quarto trimestre. Sinais de recuperação podem ter começado a surgir na maior economia do continente. Dados recentes apontando o maior aumento nas encomendas industriais em um ano e um terceiro mês consecutivo de ganhos inesperados na produção industrial sugerem que uma recuperação pode estar se consolidando. Contudo, o chanceler Friedrich Merz alertou que algumas partes da economia ainda estão em um “estado muito crítico”. Na zona do euro, os números da produção industrial de novembro, também divulgados na quinta-feira, oferecerão uma ideia da força do crescimento na região. França, Espanha e Itália apresentarão seus números finais de inflação no final da semana, contribuindo para uma avaliação mais completa. Uma estimativa inicial publicada na quarta-feira indicou que o crescimento dos preços na zona do euro atingiu exatamente a meta de 2% do Banco Central Europeu. No Reino Unido, dados mensais do PIB podem mostrar uma retomada do crescimento em novembro após uma contração inesperada no início do trimestre, com relatório previsto para quinta-feira. Dados russos de sexta-feira devem indicar inflação mais lenta, apesar das preocupações do banco central sobre a sustentabilidade da desaceleração.
Na América Latina, a semana começa com a divulgação dos balanços dos bancos centrais do Brasil e do Chile. No Brasil, a pesquisa Focus mais recente apontou uma leve alta na estimativa de inflação para 2026. No Chile, as expectativas foram ligeiramente menores e mostraram convergência com a meta do banco central. Na Argentina, os valores mensais e anuais do relatório de preços ao consumidor de dezembro, a ser divulgado na terça-feira, podem ter apresentado uma leve queda. O aumento dos preços ao consumidor em novembro interrompeu uma sequência de 18 meses de leituras anuais mais baixas, após a inflação ter alcançado 289,4% em abril de 2024. As projeções para dezembro indicam que o rápido sucesso do presidente Javier Milei no combate à inflação, desde que assumiu o cargo no final de 2023, pode ser coisa do passado, com um ritmo muito mais lento de desinflação previsto para o próximo ano. No Peru, serão divulgados o relatório de empregos de dezembro para Lima e dados de novembro, representando uma aproximação do PIB. A economia brasileira esfriou sob a pressão da política monetária do Banco Central, mantendo a taxa básica de juros próxima da máxima de duas décadas, em 15%, desde meados de 2025. O consenso inicial aponta para uma leve recuperação do crescimento a partir de outubro, mesmo com a maior economia da América Latina perdendo fôlego no final do ano.
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Em suma, os dados de inflação nos EUA e a extensa agenda econômica global indicam um período de reavaliações para bancos centrais e investidores. A evolução desses indicadores moldará as expectativas para a política monetária e o desempenho econômico futuro. Para se aprofundar nas análises e manter-se atualizado sobre as tendências da economia, explore mais conteúdos em nossa editoria de Economia.
Crédito da imagem: Bloomberg LP
