O maior e mais inovador projeto de baterias na Amazônia e do Brasil está prestes a ser concretizado através da parceria estratégica entre a gigante tecnológica chinesa Huawei e a empresa britânica Aggreko. A iniciativa, revelada em São Paulo, no dia 2 de março pela Reuters, tem como principal objetivo revolucionar o fornecimento de energia em regiões isoladas da Amazônia Legal, substituindo a geração termelétrica poluente por uma combinação de usinas solares e sistemas avançados de armazenamento de energia.
Este empreendimento pioneiro foi concebido a partir de uma chamada pública promovida pelo governo federal no ano passado. A Aggreko, com sua vasta experiência na operação de usinas termelétricas em comunidades amazônicas desconectadas da rede elétrica nacional, propôs uma solução de hibridização, incorporando energia solar e baterias às suas operações existentes. Tal abordagem visa uma significativa redução do consumo de combustíveis fósseis e, consequentemente, das emissões poluentes, levando energia limpa a localidades que vão desde pequenas vilas até centros urbanos de porte médio, como Tefé, no estado do Amazonas, que conta com cerca de 75 mil moradores.
Huawei e Aggreko Lançam Gigante Projeto de Baterias na Amazônia
O plano detalhado das companhias prevê o início da implantação ainda neste ano, com a instalação de microrredes robustas em 24 distintas localidades amazonenses. O escopo do projeto inclui a construção de usinas solares com capacidade total de 110 megawatts-pico (MWp) e a instalação de sistemas de armazenamento de energia em baterias com 120 megawatt-horas (MWh) de capacidade. O investimento total projetado para este audacioso projeto soma R$850 milhões, dos quais R$510 milhões serão custeados por recursos provenientes de um fundo estabelecido após a privatização da Eletrobras, atualmente sob a gestão da Axia Energia. O valor remanescente será aportado pela Aggreko, que se responsabilizará pela aquisição das baterias de última geração fornecidas pela Huawei.
Liderança em Armazenamento de Energia no Brasil
A iniciativa não apenas coloca a Amazônia na vanguarda da transição energética brasileira, mas também representa um marco para o país. Segundo dados da ABSAE, a associação setorial de armazenamento de energia, este se consolida como o maior projeto de armazenamento de energia no Brasil até o momento. O setor elétrico nacional ainda se encontra em estágios iniciais na adoção de baterias em larga escala, tendo como exemplo de grande porte apenas um empreendimento da transmissora ISA Energia, localizado no litoral paulista. O acordo entre Huawei e Aggreko posiciona o Brasil em uma nova etapa para a expansão de infraestruturas mais limpas.
Cristiano Lopes Saito, diretor de vendas da Aggreko para o setor de utilities no Brasil, explicou que as comunidades amazonenses contarão com fornecimento de energia solar contínuo ao longo do dia. O parque de usinas solares foi dimensionado para gerar um volume superior ao consumo, garantindo o abastecimento dos sistemas de armazenamento em baterias (BESS, na sigla em inglês), que são a essência da tecnologia fornecida pela Huawei. Embora o objetivo seja a penetração máxima de energia renovável, as usinas termelétricas existentes serão mantidas, operando com menor frequência para assegurar a segurança energética do sistema. Saito ressaltou a complexidade da geração solar na região devido ao alto índice de chuvas e nebulosidade, o que exige a manutenção de fontes de backup. “Não reduziremos capacidade térmica, o que vamos fazer é operar menos essas máquinas, com um custo associado menor. Esse é o segredo para aumentar a penetração renovável”, afirmou o executivo.
Para a Huawei, este é o projeto de BESS de maior porte em seu portfólio no Brasil. A empresa chinesa busca expandir suas operações no mercado nacional, impulsionada pelas expectativas de um futuro leilão governamental dedicado à contratação desses equipamentos essenciais para o setor elétrico. A diretora de Off-Grid da Huawei no Brasil, Bárbara Pizzolatto, detalhou que as baterias instaladas nas microrredes transcenderão a função básica de guardar energia. Elas desempenharão papéis críticos para a qualidade do fornecimento, incluindo a manutenção da tensão e da frequência da energia entregue aos consumidores. “É um projeto extremamente disruptivo, é o maior projeto de microgrid que tem hoje nas Américas, completamente desconectado (da rede elétrica), e que acho que vai trazer muito benefício para a transição energética no Brasil”, complementou Pizzolatto, enfatizando o potencial transformador da iniciativa.

Imagem: infomoney.com.br
Descarbonização e Benefícios Ambientais na Amazônia
A fase de implantação total do projeto da Aggreko nos sistemas isolados da Amazônia, que se inicia este ano, deve durar até três anos. As primeiras usinas com os sistemas de armazenamento deverão entrar em operação entre 2027 e 2028. Os impactos positivos esperados são vastos. Entre os benefícios mais expressivos, estima-se uma redução anual de 37 milhões de litros de diesel, culminando em uma diminuição de 104 mil toneladas anuais de emissões equivalentes de gás carbônico. Esta diminuição do consumo de diesel para geração na região amazônica contribuirá também para aliviar a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), um dos principais encargos que incidem sobre as contas de luz dos consumidores brasileiros, subsidiando a operação dos sistemas isolados do país. Mais informações sobre o setor energético podem ser encontradas em publicações como os Relatórios de Projetos de Geração da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Atualmente, o Brasil já conta com outras iniciativas para a descarbonização da geração energética em comunidades amazônicas que não estão conectadas à rede elétrica nacional. Programas federais como “Luz Para Todos” e “Mais Luz Para a Amazônia” se dedicam à instalação de sistemas individuais de pequeno porte, que combinam energia solar com baterias, diretamente nas residências dessas comunidades. A parceria entre Aggreko e Huawei eleva a escala, com projetos capazes de abastecer não apenas residências, mas também estabelecimentos comerciais e pequenas indústrias, com uma variedade de tamanhos de baterias, desde as menores, pesando 2,8 toneladas, até as maiores, que atingem o peso de um contêiner de 20 pés, cerca de 28 toneladas. “Um projeto como esse pode realmente servir de propulsor para a utilização do armazenamento para melhorar a qualidade de energia do país”, concluiu Pizzolatto, reforçando o papel fundamental da iniciativa no avanço tecnológico e ambiental do Brasil.
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A implementação deste robusto projeto de baterias e energia solar na Amazônia pelas empresas Huawei e Aggreko representa um passo decisivo rumo a um futuro energético mais limpo e sustentável para as comunidades isoladas do Brasil. Fique por dentro de outras análises e notícias relevantes em nossa editoria de Economia.
Crédito da notícia: Reuters (reportagem de Letícia Fucuchima; edição de Roberto Samora)
