Guerra na Ucrânia Completa 4 Anos em Cenário de Impasse

Economia

No dia 22 de fevereiro, a Guerra na Ucrânia atinge sua marca de quatro anos desde a invasão russa, um período caracterizado por um sangrento impasse militar e profundas consequências humanas e econômicas. Este conflito, que prossegue sem sinais de resolução, deverá totalizar aproximadamente dois milhões de baixas – somando mortos, feridos e desaparecidos – para ambos os lados até o final da primavera, que se estende de março a maio.

Desde 2024, a dinâmica territorial da guerra sofreu poucas alterações significativas. O ambicioso objetivo russo de dominar a Ucrânia por completo permanece distante, com suas forças controlando hoje cerca de 20% do território ucraniano. Esta situação levou a uma conclusão contundente de especialistas. Em artigo recente, o respeitado think tank britânico Royal United Services Institute (RUSI) afirmou que a Ucrânia não está em desvantagem, tampouco a Rússia demonstra estar vencendo o embate.

Guerra na Ucrânia Completa 4 Anos em Cenário de Impasse

A persistência da disputa em solo é acompanhada por um igualmente estagnado cenário diplomático. Negociações voltadas para um acordo de paz duradouro ou mesmo um cessar-fogo mais prolongado continuam sem avanços concretos. Apesar de promessas do presidente Donald Trump, desde o início de sua gestão em 2025, de mediar um pacto de longo prazo por parte dos Estados Unidos, os progressos nesse campo foram limitados.

Um aspecto tangível dessa mudança política é a redução da assistência financeira e militar norte-americana, em comparação com os níveis observados durante o governo de Joe Biden. Essa alteração impulsionou a Europa a assumir uma posição mais assertiva no apoio à Ucrânia, suprindo parte da lacuna deixada pela menor contribuição dos Estados Unidos. Dados recentes do InfoMoney, atualizados até fevereiro de 2026, oferecem um panorama detalhado da situação.

Transformações Territoriais no Conflito

Na fase inicial da invasão, especificamente em março de 2022, as forças russas avançaram rapidamente, conquistando aproximadamente 115.000 quilômetros quadrados em um período inferior a cinco semanas. Contudo, a Ucrânia demonstrou uma capacidade notável de contra-ataque. Já em abril do mesmo ano, cerca de 35.000 quilômetros quadrados haviam sido retomados. A recuperação territorial atingiu seu pico em novembro de 2022, quando o país reconquistou aproximadamente 75.000 quilômetros quadrados, graças a contraofensivas estratégicas e bem-sucedidas em regiões cruciais como Kharkiv e Kherson. Atualmente, a ofensiva russa detém cerca de 12% do território ucraniano, porcentagem que se eleva para 20% quando se incluem as regiões da Crimeia e parte de Donbas, já sob controle russo antes de 2022.

A eficácia do avanço russo em terra tem sido notoriamente lenta. Conforme apontado pelo think tank americano Center for Strategic and International Studies (CSIS), as forças russas têm conseguido progredir uma média de apenas 15 a 70 metros por dia em suas principais ofensivas. Esse ritmo é considerado um dos mais vagarosos entre as grandes campanhas ofensivas ocorridas em guerras no último século, sinalizando a resiliência da defesa ucraniana e a ineficiência de táticas empregadas pela Rússia.

O Impacto Humano da Guerra e Baixas Estimadas

A contabilização exata das baixas militares em qualquer conflito é um desafio, uma vez que as comunicações oficiais frequentemente subestimam perdas e amplificam ganhos. Contudo, o CSIS estima que o total combinado de mortos, feridos e desaparecidos para ambos os lados já se aproxima de 1,8 milhão, com projeções de atingir 2 milhões até o final da primavera. Análises sugerem que entre fevereiro de 2022 e dezembro de 2025, as forças russas registraram perdas estimadas em 275.000 a 325.000 fatalidades em campo de batalha, enquanto as forças ucranianas reportaram perdas entre 100.000 e 140.000.

Essa desproporção nas fatalidades do lado russo é atribuída a uma combinação de fatores, conforme detalhado pelo centro de estudos de estratégia. Táticas e treinamentos deficientes, níveis elevados de corrupção, moral das tropas enfraquecido e a estratégia de defesa altamente eficaz implementada pela Ucrânia contribuíram para a elevação do custo humano da guerra para Moscou, favorecendo as posições defensivas do lado ucraniano.

Cenário Econômico: Ucrânia e Rússia

Em contextos de guerra, é comum observar oscilações significativas no Produto Interno Bruto (PIB) dos países envolvidos. A destruição de infraestrutura, a interrupção de atividades comerciais e os fluxos migratórios forçados inicialmente resultam em um alto custo econômico, embora uma recuperação gradual possa ocorrer. A Ucrânia seguiu esse padrão: em 2022, no pico da violência, seu PIB encolheu quase 29% em relação ao ano anterior. No entanto, em 2023, os esforços internos somados à substancial ajuda externa resultaram em um crescimento econômico de quase 5%. Apesar dessa melhora, em 2024, a produção econômica ucraniana representava apenas 78% dos níveis pré-guerra, e as taxas de crescimento do PIB recuaram para 2,4% em 2024 e 2,2% em 2025. A economia do país continua extremamente dependente de um fluxo contínuo de recursos estrangeiros, vindos de nações aliadas e instituições financeiras internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI), para sustentar o esforço de guerra.

Na Rússia, o panorama econômico se diferencia. Após o impacto inicial das sanções internacionais impostas em 2022, o governo russo ampliou consideravelmente seus gastos militares, o que paradoxalmente impulsionou parte da economia. Diferente das expectativas de queda para além do top 20 das maiores economias globais, a Rússia se posicionou como a 9ª maior economia em 2025, superando Canadá e Brasil e ficando logo atrás de Itália, França e Reino Unido. O PIB russo registrou uma queda de 1,4% no primeiro ano do conflito, mas experimentou crescimento superior a 4% em 2023 e 2024, desacelerando para 1% em 2025, indicando uma tendência de estagnação no futuro próximo.

A Crise Humanitária e o Deslocamento Populacional

Um dos aspectos mais trágicos da guerra é o massivo deslocamento forçado de civis. O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) estima que cerca de 5,3 milhões de refugiados ucranianos estão espalhados pela Europa. Deste total, aproximadamente 4,3 milhões residem em países da União Europeia. Embora a Polônia tenha acolhido o maior número de pessoas deslocadas logo no início, em 2022, a Alemanha atualmente se destaca como o principal destino. Dados mais recentes indicam a presença de cerca de 1,3 milhão de refugiados ucranianos em território alemão. O fluxo de chegadas se mantém significativo, embora flutuante, com um aumento líquido de migração (chegadas menos partidas) variando entre 7.000 e 8.000 pessoas por mês durante o verão de 2025. Este êxodo forçado de milhões de pessoas tem gerado enormes desafios humanitários e sociais nos países anfitriões.

Ainda buscando por notícias e análises sobre crises humanitárias e o papel de organizações internacionais? Para uma compreensão mais profunda sobre as tendências de deslocamentos forçados e a atuação do ACNUR, você pode visitar o portal oficial da ACNUR sobre a emergência na Ucrânia, uma fonte confiável de dados e informações essenciais para contextualizar a dimensão humana da guerra.

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Em suma, os quatro anos da Guerra na Ucrânia reforçam a complexidade de um conflito que persiste em termos de perdas humanas, desafios econômicos e um intrincado tabuleiro geopolítico. Enquanto a Ucrânia luta por soberania com apoio externo, a Rússia recalcula seus passos em meio a sanções e gastos militares intensificados, impactando a economia global e provocando a maior crise de refugiados na Europa em décadas. Mantenha-se informado sobre os desdobramentos mais recentes acessando nossa editoria de Política para análises aprofundadas sobre este e outros temas globais relevantes.

Crédito da imagem: Reprodução

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