Groenlândia: Economista Sincero sobre a era “Trump” na ilha

Economia

A Groenlândia, maior ilha do planeta e território autônomo vinculado ao Reino da Dinamarca, transcende seu cenário natural de vastas geleiras para se posicionar como palco de uma das mais intensas rivalidades geopolíticas contemporâneas. Charles Mendlowicz, figura proeminente no mercado financeiro brasileiro como sócio da Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, está imerso nessa atmosfera de incerteza, acompanhando de perto as tensões entre grandes potências e seus impactos na população local.

Em reportagem exclusiva para o InfoMoney, direto da ilha onde grava a quarta temporada de “Economista Sincero Invade”, Mendlowicz descreve a paisagem urbana de ruas e cafés em localidades groenlandesas. Nessas áreas, a presença de comitivas estrangeiras e equipes jornalísticas transformou-se em uma realidade cotidiana, refletindo o acirramento das atenções globais sobre a região ártica.

Groenlândia: Economista Sincero sobre a era “Trump” na ilha

O economista ressalta a ubiquidade de um nome específico nas conversas: Donald Trump. “A palavra que eu mais escutei aqui foi Trump. Você está em uma mesa tomando café, escuta pessoas falando diversos idiomas que às vezes nem reconhece, mas no meio da fala você escuta Trump, Trump, Trump”, observa. Essa constante menção sublinha o estranhamento da própria população, que busca compreender o porquê de, num momento próximo à total independência, duas grandes potências – Estados Unidos e China – disputarem com fervor a região.

O ex-presidente americano, que em eventos como o Fórum Econômico Mundial em Davos manifestou abertamente seu desejo de adquirir o território, parece ter adaptado sua abordagem. Mendlowicz indica que a retórica agressiva de outrora evoluiu para uma fase de discussões diplomáticas, com foco em negociações sobre tarifas comerciais e acordos de defesa no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Para saber mais sobre essa questão, veja os desdobramentos de acordos anteriormente propostos na relação com a Groenlândia.

Os Interesses dos EUA na Groenlândia: Terras Raras e Estratégia

Mendlowicz detalha os principais vetores do interesse norte-americano na ilha, começando pelo vasto potencial econômico. O maior interesse primário reside no que ele chama de “verdadeiro tesouro enterrado sob o gelo”: as terras raras. Esses minerais são indispensáveis para a fabricação de semicondutores avançados, painéis solares eficientes e toda a infraestrutura de ponta essencial para o avanço da inteligência artificial (IA).

O especialista enfatiza a crítica dependência do Ocidente desses recursos estratégicos. Conforme suas análises, a Groenlândia detém reservas significativas: 25 dos 34 minerais considerados vitais pela Europa e impressionantes 43 dos 50 minerais que os EUA classificam como cruciais para sua segurança nacional e econômica. “Sem esses minerais, é praticamente impossível continuar na corrida pela inteligência artificial e por toda a engenharia de energia solar”, pontua Mendlowicz.

Enquanto Washington e Bruxelas se empenham em assegurar o suprimento dessas commodities, a China, já consolidada como potência dominante na produção global de terras raras, atua defensivamente. “Para os chineses, o viés é mais o de atrapalhar a concorrência do que propriamente necessitar desses minerais, já que eles detêm grande parte do mercado produtor”, analisa o Economista Sincero, destacando a complexidade do jogo geopolítico em curso.

Fator Geoestratégico no Ártico

Para além da inegável riqueza mineral, o componente geoestratégico é um motor determinante nessa disputa. O fenômeno do aquecimento global, embora carregue graves desafios ambientais, ironicamente cria oportunidades de navegação antes impensáveis ao derreter massas de gelo e abrir novas rotas marítimas no Ártico:
* **Novas rotas comerciais:** A formação dessas passagens pode reduzir consideravelmente o tempo de transporte de mercadorias entre a Ásia e a Europa, revolucionando o comércio internacional.
* **Segurança nacional:** Os Estados Unidos monitoram com grande preocupação a crescente presença de submarinos militares russos e chineses nas águas próximas à sua costa norte.
* **Presença militar estratégica:** A Groenlândia já abriga bases militares essenciais para os sistemas de alerta de mísseis, configurando um pilar vital para a defesa da América do Norte.

Charles Mendlowicz resume a urgência do cenário: “O entorno da ilha está derretendo e novas rotas estão se formando. China e Rússia podem aproveitar isso tanto comercialmente quanto militarmente, e os americanos não querem submarinos na sua costa.”

Impasse da População e Soberania Dinamarquesa

Apesar da intensa cobiça internacional, a população groenlandesa enfrenta um dilema. Embora exista um anseio latente por uma autonomia mais plena em relação à Dinamarca, a ilha mantém uma dependência crucial de subsídios anuais provenientes de Copenhague, estimados entre 500 e 600 milhões de dólares, conforme recorda o economista.

A questão central levantada por Mendlowicz é se os habitantes da Groenlândia estariam dispostos a trocar essa dependência histórica europeia por vultosos investimentos, ou mesmo uma eventual anexação, por parte dos norte-americanos. “O que deveria importar é o que a população quer. Será que eles querem todo mundo brigando por esse território? Será que eles querem retirar esses minérios?”, indaga o especialista, ressaltando que acordos vindouros entre Donald Trump e a liderança europeia poderiam lançar mais luz sobre este complexo “tabuleiro de gelo”.

Nesta manhã de sexta-feira (23), em Nuuk, a capital da Groenlândia, o clima de indefinição ganhou contornos mais diplomáticos. Charles Mendlowicz esteve presente no encontro entre a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, e o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, que, após conversações, concederam coletiva de imprensa. A visita de Frederiksen ocorreu logo após uma mudança estratégica de Trump, que abandonou a retórica de anexação forçada em favor de uma proposta de acordo mediado pela OTAN.

Durante o encontro, Frederiksen qualificou a situação atual como “grave”. Foi taxativa ao afirmar que, embora a cooperação militar e os investimentos em defesa sejam bem-vindos para mitigar o avanço russo e chinês no Ártico, a soberania dinamarquesa sobre a ilha permanece “inegociável”. Por sua vez, Nielsen enfatizou que nenhum pacto ou acordo terá validade sem a aprovação direta do povo groenlandês.

Charles Mendlowicz conclui, a partir de suas observações em Nuuk: “O que presenciei hoje foi uma tentativa clara de Copenhague de reafirmar sua presença e dar um suporte aos locais, tentando baixar a temperatura após as investidas de Washington. A mensagem central é de que a Groenlândia faz parte da família dinamarquesa e da OTAN, mas o desafio econômico persiste. Como manter essa soberania sem abrir mão dos vultosos investimentos que as grandes potências estão oferecendo agora?”.

Charles Mendlowicz é reconhecido como um dos mais importantes nomes do mercado financeiro brasileiro, com três décadas de experiência bem-sucedida entre o setor financeiro e o varejo. É sócio da Ticker Wealth, consultoria de wealth management, onde conduz a estratégia de expansão, e autor do best-seller “18 Princípios para Você Evoluir”. Sua metodologia direta e transparente solidificou sua reputação como um influenciador confiável, tendo sido eleito o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA em quatro ocasiões.

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A saga da Groenlândia é um complexo tabuleiro geopolítico onde se entrelaçam interesses econômicos por terras raras, a estratégica localização militar e o dilema de uma população em busca de maior autonomia. Os desdobramentos dessa disputa e as ações dos grandes poderes continuarão a moldar o futuro da ilha. Para aprofundar-se nas complexidades da economia global e suas ramificações políticas, explore mais sobre este tema em nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Divulgação

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Imagem: infomoney.com.br

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