O Governo Federal reforça suas ações de combate à coqueluche na Terra Indígena (TI) Yanomami, localizada em Roraima, com o deslocamento de uma equipe emergencial. O Ministério da Saúde, ciente da gravidade da situação, mobilizou esforços para intensificar o atendimento na base polo de Surucucu. Essa medida, oficializada na última quarta-feira (18), representa uma resposta urgente ao crescente número de infecções pela doença respiratória entre crianças da etnia, que até o momento totalizam oito casos confirmados e lamentavelmente três óbitos registrados.
A coqueluche é reconhecida como uma infecção bacteriana do trato respiratório, de alta contagiosidade, caracterizada inicialmente por crises intensas de tosse seca. Para enfrentar essa ameaça, a equipe especializada do Ministério da Saúde desembarcou na região na segunda-feira (16). Os profissionais contam com o apoio e expertise de especialistas do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS (EpiSUS), cujo histórico de atuação inclui vasta experiência na contenção de potenciais surtos e no controle do aumento de casos de diversas enfermidades infecciosas em populações vulneráveis.
Ações intensificadas para combater a coqueluche na TI Yanomami
A nova frente de trabalho será desenvolvida em estreita colaboração com o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Yanomami, que já mantinha uma equipe em Surucucu. As ações do Dsei envolviam a coleta de material para análises e a execução de programas preventivos em aldeias circunvizinhas. A junção dessas forças totaliza 50 profissionais de saúde que atuarão em sinergia, com o propósito de ampliar as estratégias de prevenção de novos contágios e qualificar a assistência médica oferecida localmente à população indígena.
As crianças diagnosticadas com a coqueluche estão atualmente recebendo os cuidados necessários em hospitais localizados em Boa Vista, a capital do estado. Embora a situação demande vigilância, duas dessas crianças já demonstraram recuperação suficiente para serem liberadas e retornarem com segurança para suas respectivas comunidades. Contudo, o monitoramento persiste, e todos os demais casos classificados como suspeitos continuam sob investigação detalhada e acompanhamento médico contínuo para garantir a estabilidade da situação e evitar novas complicações.
A vacinação como principal barreira de proteção
A vacinação permanece a ferramenta mais eficaz para prevenir a coqueluche. No contexto da saúde pública brasileira, a vacina é amplamente acessível e gratuita por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), estando disponível para crianças de até sete anos de idade e para gestantes em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS). O acesso facilitado a esse imunizante é crucial para a proteção da população, especialmente em áreas remotas e com acesso limitado a serviços de saúde, como a TI Yanomami.
Dados fornecidos pelo Dsei Yanomami revelam um avanço significativo nos índices de cobertura vacinal na região. Entre 2022 e 2025, o percentual de crianças menores de um ano que completaram o esquema vacinal contra a coqueluche praticamente dobrou, passando de 29,8% para 57,8%. No grupo de menores de cinco anos, essa progressão foi igualmente notável, elevando o índice de aproximadamente 52% para 73% no mesmo intervalo, demonstrando um esforço contínuo em fortalecer a imunidade das futuras gerações.
Contexto e superação de desafios na Terra Indígena
A intensificação das ações governamentais contra a coqueluche ocorre em um cenário de grandes desafios enfrentados pela Terra Indígena Yanomami. Em 2023, o Governo Federal decretou estado de emergência sanitária na área, uma medida imperativa diante dos alarmantes índices de desnutrição infantil, alta prevalência de malária e um aumento generalizado de óbitos por diversas causas. Esse contexto crítico expôs a vulnerabilidade da população indígena a enfermidades, reforçando a necessidade de intervenções estruturais.
Em resposta a essa crise multifacetada, diversas ações foram prontamente instituídas para combater a situação sanitária degradada, frequentemente agravada pelas atividades de garimpo ilegal na região. Uma iniciativa conjunta envolveu os Ministérios da Saúde, da Defesa e dos Povos Indígenas, que se uniram para estruturar de forma abrangente os serviços de saúde pública e segurança. Tal coordenação interministerial buscou uma abordagem integrada para proteger os Yanomami.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Dentre as medidas concretas implementadas, destacam-se o fechamento e a fiscalização rigorosa de garimpos ilegais, a alocação de recursos específicos para o controle efetivo do espaço aéreo da região e o desenvolvimento de ações para despoluir rios que haviam sido impactados pela exploração clandestina. Adicionalmente, foram introduzidos tratamentos para tornar a água potável mais acessível e foi iniciada a construção de unidades especializadas de saúde, buscando melhorar infraestrutura e atendimento.
O impacto dessas iniciativas também se refletiu no aumento do corpo profissional dedicado à saúde indígena. Em 2023, o Dsei Yanomami contava com um quadro de 690 profissionais. Desde a decretação da emergência, houve um significativo incremento de 1.165 novos colaboradores contratados, representando um notável crescimento de 169% no número de trabalhadores engajados na assistência à população. Esta ampliação de equipes é essencial para suprir as demandas crescentes e fortalecer a capacidade de resposta sanitária na área.
Dados do Ministério da Saúde referentes a 2025 indicam que, desde a instauração do estado de emergência sanitária, a taxa de mortalidade na região registrou uma queda de 27,6%. Apesar dessa melhora substancial, líderes indígenas da Terra Indígena Yanomami reiteram a existência de numerosos desafios persistentes que precisam ser superados. A dimensão do território e as especificidades culturais da população demandam uma atenção contínua e estratégias adaptadas para garantir avanços duradouros. Para saber mais sobre as diretrizes de vacinação e saúde indígena no Brasil, acesse o Ministério da Saúde.
A Terra Indígena Yanomami, com sua vastidão e complexidade geográfica, abriga uma população de mais de 30 mil indivíduos distribuídos em aproximadamente 376 comunidades distintas, sendo o maior território indígena do país. A riqueza cultural e a biodiversidade local se somam aos desafios únicos de saúde e segurança, reforçando a importância das políticas públicas contínuas e da colaboração entre os entes federativos e as comunidades indígenas para a manutenção da vida e da cultura Yanomami.
Confira também: Imoveis em Rio das Ostras
A situação de saúde na TI Yanomami permanece um tema prioritário, exigindo o monitoramento constante e o reforço de todas as frentes de atuação para garantir a saúde e o bem-estar de sua população. Continuaremos acompanhando de perto os desdobramentos desta crise e as ações implementadas. Para mais análises sobre questões políticas e sociais que impactam as comunidades indígenas no Brasil, convidamos você a explorar outras reportagens e conteúdos em nossa seção de Análises e continuar a se informar conosco.
Crédito da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil

