O governo brasileiro Aumenta Imposto de Importação sobre uma vasta gama de produtos, abrangendo mais de 1.200 categorias que incluem desde celulares e televisores até computadores e equipamentos críticos para data centers, como as unidades de processamento central (CPUs). Esta medida estratégica visa fortalecer o cenário econômico doméstico e, simultaneamente, responder a uma perceptível deterioração das contas externas do país, em meio a um crescimento notável nas importações e uma consequente redução no superávit comercial brasileiro.
Apesar da elevação tarifária, o posicionamento governamental é de que esta iniciativa não acarretará impactos significativos sobre os preços praticados ao consumidor final. Adicionalmente, a ação pretende salvaguardar e fomentar cadeias produtivas nacionais que, porventura, dependam da importação de insumos. Essa visão contrasta com preocupações levantadas por importadores acerca de possíveis encarecimentos.
Governo Aumenta Imposto de Importação para 1.252 Itens
Uallace Moreira, que ocupa o cargo de secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), sublinha que o principal objetivo deste aumento nas tarifas é retificar aquilo que o governo identifica como distorções. Tais distorções teriam, segundo ele, gerado uma pressão indevida sobre o setor externo da economia brasileira e, de forma progressiva, enfraquecido a base da indústria nacional.
Moreira contextualizou a decisão citando dados do ano anterior, quando o superávit comercial do Brasil registrou uma queda de aproximadamente US$ 77 bilhões para cerca de US$ 65 bilhões. Em paralelo, o déficit nas transações correntes alcançou patamares próximos de 3% do Produto Interno Bruto (PIB). Ele argumenta que “quando se tem um grande volume de benefícios que estimulam a importação, isso gera desequilíbrio nas contas externas brasileiras”. Essa fala justifica a necessidade de revisão da política tarifária para restaurar a estabilidade econômica.
O secretário também refutou de forma incisiva as críticas provenientes de diversos importadores, que alertavam para a possibilidade de um aumento generalizado de preços ou para o comprometimento de cadeias produtivas essenciais. Como exemplo prático para ilustrar seu ponto, Moreira mencionou o segmento de celulares, frequentemente apontado por empresários como um dos setores mais vulneráveis a este tipo de medida. Ele esclareceu que “hoje, 95% dos celulares consumidos no Brasil são fabricados no país. Para tudo aquilo que não tem produção nacional, a tarifa de importação continua zero”, destacando a seletividade da elevação tributária.
Estratégia e Preservação de Cadeias Produtivas
Uallace Moreira fez questão de reiterar que insumos, peças e componentes que são cruciais para a operação da indústria nacional permanecem sob o benefício de regimes especiais, a exemplo do ex-tarifário. Essa salvaguarda assegura que a produção interna não seja prejudicada por custos adicionais decorrentes de matérias-primas e componentes importados. Ele detalhou que a elevação das alíquotas não seguiu uma aplicação linear; ao contrário, foi cuidadosamente direcionada para incidir somente sobre bens que já possuem produção nacional consolidada no Brasil. Essa estratégia busca corrigir uma desvantagem competitiva que a indústria brasileira vinha enfrentando em relação a produtores estrangeiros. “Estava havendo crescimento de importações acima de 30%, mesmo com produção nacional, porque a tarifa criava uma situação de desvantagem competitiva para a indústria brasileira”, frisou o secretário.
No segmento de equipamentos dedicados a data centers, um setor vital para a infraestrutura tecnológica, o governo enfatizou seu empenho em preservar a previsibilidade indispensável para a atração e manutenção de investimentos. Neste contexto, o programa Redata, que prevê incentivos fiscais significativos de mais de R$ 7 bilhões, foi citado como um pilar dessa estratégia. Moreira informou que essas empresas terão acesso a uma lista específica de produtos que poderão ser importados com tarifa zero por um período de cinco anos, mesmo que durante esse intervalo surja produção nacional. Tal medida é crucial para “garantir a previsibilidade necessária aos investimentos”, minimizando riscos e incentivando a modernização tecnológica do país.

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Garantias para Investidores e Reação do Mercado
Com o intuito de mitigar qualquer impacto negativo sobre mercadorias cujas aquisições já haviam sido previamente contratadas, o governo abriu uma “janela de oportunidade”. Até o dia 30 de março, empresas tiveram a possibilidade de protocolar pedidos de ex-tarifário especificamente nos casos em que a alíquota foi elevada de zero para 7%. Essa medida de contingência permite que o benefício seja concedido de forma imediata, garantindo a fluidez das operações enquanto o processo completo de análise do ex-tarifário está em andamento.
A decisão foi amplamente debatida e estudada, culminando em sua aprovação no âmbito da Câmara de Comércio Exterior (Camex). O foco central dessa deliberação residia no adensamento da cadeia produtiva nacional, na preservação de empregos e na geração de renda. Adicionalmente, buscava-se reduzir as pressões identificadas sobre as contas externas brasileiras. O pacote de elevação do Imposto de Importação abrangeu 1.252 produtos distintos, englobando itens como computadores, telefones celulares, diversos componentes eletrônicos, equipamentos de telecomunicações e uma variedade de máquinas. É fundamental destacar que as novas alíquotas são aplicadas exclusivamente a bens que contam com produção interna no Brasil, enquanto os itens sem fabricação nacional continuam usufruindo de tarifa zero, um ponto de flexibilidade estratégica.
Por outro lado, representantes do setor importador rapidamente manifestaram sua contestação à medida governamental. Eles emitiram alertas sobre os potenciais riscos de um aumento generalizado de preços, um encarecimento considerável para investimentos futuros e, ainda, a emergência de problemas no abastecimento de insumos essenciais, em particular naquelas cadeias produtivas que são intensivas em tecnologia. Segundo esses porta-vozes, a elevação das tarifas pode, de fato, incrementar custos ao longo de toda a cadeia produtiva, impactar negativamente a competitividade de empresas nacionais e complicar o processo de modernização para negócios que dependem crucialmente de equipamentos e componentes importados. Tais argumentos persistem, mesmo diante da garantia do governo de que regimes especiais e outras exceções estariam concebidas para atenuar significativamente esses impactos.
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Em suma, a decisão do governo de ajustar o Imposto de Importação para uma lista de 1.252 produtos reflete um esforço complexo e multifacetado para equilibrar a balança comercial, proteger a indústria nacional e otimizar a saúde das contas externas do país, conforme apontam dados da balança comercial da Agência Brasil. Apesar da justificativa governamental de impactos controlados, o setor importador expressa ressalvas, gerando um debate importante sobre o futuro econômico do Brasil. Para aprofundar-se em mais notícias sobre o panorama da economia nacional e política comercial, continue acompanhando a editoria de Economia do Hora de Começar, acessando nosso conteúdo completo em horadecomecar.com.br/blog/economia/.
Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil