Extradição Carla Zambelli: Julgamento em Roma Definirá Rumo

Economia

O aguardado julgamento da extradição de Carla Zambelli está finalmente agendado para esta terça-feira, dia 10, em Roma, Itália. A ex-deputada federal (PL-SP), presa na capital italiana e alvo de condenações no Supremo Tribunal Federal (STF), aguarda a decisão da Justiça europeia que determinará seu futuro legal, após o processo ter sido adiado por quatro ocasiões distintas.

A ex-parlamentar, que enfrentou um pedido de extradição formulado pelas autoridades brasileiras após deixar o Brasil, foi detida pela polícia italiana em uma ação conjunta. Agora, a responsabilidade de analisar e deliberar sobre a solicitação recai inteiramente sobre o sistema judicial da Itália. A análise da cidadania italiana da ex-deputada é um dos fatores cruciais que devem ser considerados durante o procedimento.

Diante do cenário de incertezas e expectativas, a Justiça italiana deverá ponderar todos os aspectos envolvidos para decidir se a autorização da extradição de Zambelli será concedida ou não. O caso se desenrola com grande atenção, dadas as implicações jurídicas e políticas envolvidas no Brasil.

Extradição Carla Zambelli: Julgamento em Roma Definirá Rumo

A decisão não apenas afetará diretamente a trajetória da ex-deputada, mas também estabelece precedentes importantes no âmbito da cooperação jurídica internacional entre os dois países. As deliberações em solo europeu serão acompanhadas de perto pelas autoridades brasileiras e pela opinião pública, ansiosas por uma conclusão para o longo trâmite judicial.

Defesa de Carla Zambelli Expressa Otimismo

A equipe de defesa de Carla Zambelli na Itália demonstra uma “boa expectativa” quanto ao resultado da audiência. Conforme declarado pelo advogado Fabio Pagnozzi, que representa a ex-deputada no país europeu, esforços significativos foram realizados junto ao Ministério da Justiça da Itália para buscar o bloqueio da extradição. Essa articulação conta com a atuação do senador italiano Matteo Gelmetti.

Gelmetti, integrante do partido da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, tem sido um porta-voz veemente contra a extradição, conforme relato de Pagnozzi. O senador alega um suposto “desrespeito a garantias processuais” no Brasil por parte do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, argumentando que o magistrado teria atuado simultaneamente como relator, vítima e acusador no processo que culminou na condenação da ex-deputada. O STF e o gabinete do ministro Moraes foram procurados para comentar, mas até o momento não se manifestaram sobre as acusações; o espaço segue aberto para esclarecimentos.

Além disso, a defesa, por intermédio de Gelmetti, questionou as autoridades italianas sobre a maneira como o deputado Angelo Bonelli, filiado ao Partido Verde da Itália, teria acessado o endereço de Zambelli em Roma. Segundo Pagnozzi, “o senador pediu esclarecimentos sobre como o endereço de Zambelli foi fornecido por um deputado de esquerda, já que ele não teria acesso às investigações da polícia local”, ressaltando que tal situação “muda muito” o contexto.

Controvérsia do Endereço: Deputado Italiano e a Localização de Zambelli

A polêmica em torno do endereço da ex-deputada teve início em julho do ano passado, quando Angelo Bonelli publicou em sua conta na plataforma X (antigo Twitter) ter localizado Carla Zambelli em Roma e compartilhado a informação com as autoridades competentes. Em sua postagem da época, Bonelli escreveu: “Carla Zambelli está em um apartamento, em Roma. Forneci o endereço à polícia; neste momento, a polícia está identificando Zambelli.”

Angelo Bonelli, de 62 anos, é uma figura pública conhecida na Itália, especialmente por sua atuação como ativista ambiental. Desde 2022, ele preside a Aliança Verde-Esquerda, uma coalizão política que se posiciona em oposição ao governo liderado por Giorgia Meloni. A participação de um membro da oposição no processo de localização da ex-deputada brasileira gerou questionamentos e controvérsia na Itália e levantou a necessidade de explicações sobre a obtenção dessas informações sensíveis.

Contrariando as alegações iniciais de Bonelli, apurações conduzidas pelo jornal Estadão, com base em fontes ligadas a investigadores, revelaram que a localização de Carla Zambelli foi fruto de uma operação coordenada. O trabalho foi realizado pelo adido da Polícia Federal do Brasil em Roma, que atua na embaixada brasileira, em colaboração estreita com as autoridades italianas. A prisão da ex-deputada ocorreu no mesmo dia da publicação de Bonelli nas redes sociais. Desde sua detenção, a ex-deputada federal permanece em custódia na capital italiana, aguardando o desfecho do processo de extradição.

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Imagem: infomoney.com.br

Histórico de Condenações de Carla Zambelli no STF

No Brasil, Carla Zambelli foi alvo de duas condenações distintas por parte do Supremo Tribunal Federal. A primeira delas resultou em uma pena de dez anos de prisão pelos crimes de invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica. Essa ação, conforme as investigações, foi perpetrada em conluio com o hacker Walter Delgatti Neto, que afirmou ter sido contratado pela ex-deputada. A acusação indicou que Delgatti teria inserido documentos falsos no sistema do CNJ, incluindo um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes.

Após a primeira condenação proferida pelo STF, Carla Zambelli deixou o Brasil. Essa partida precipitou sua prisão na Itália, decorrente da operação conjunta da Polícia Federal brasileira com as forças de segurança locais. A sua detenção fora do país ocorreu em resposta direta aos desdobramentos de suas ações judiciais em solo nacional.

Uma segunda condenação do STF fixou para a ex-parlamentar uma pena de cinco anos e três meses de prisão. Esta pena deverá ser cumprida em regime inicial semiaberto, e as acusações pertinentes foram os crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Como desdobramento da sentença, foi estabelecida a perda do mandato de deputada federal, decisão que seria efetivada após o trânsito em julgado do processo, ou seja, quando não houvesse mais possibilidades de recurso.

O episódio que fundamentou essa segunda condenação remonta ao dia das eleições de 2022. Na ocasião, Zambelli se envolveu em uma confusão, cujas imagens foram amplamente divulgadas em redes sociais e também em poder da Polícia Civil. Nos vídeos, a então parlamentar aparece empunhando uma pistola, perseguindo um homem negro, que, posteriormente, foi agredido por outras pessoas presentes no local. Um tiro foi disparado pelo grupo do qual a ex-deputada fazia parte, embora Carla Zambelli tenha alegado ter sido a vítima de agressão no incidente. Para entender melhor os aspectos legais e diplomáticos que regem situações como esta, é importante consultar as normativas internacionais, como as estabelecidas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil sobre cooperação jurídica internacional e extradição.

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Em síntese, o julgamento em Roma sobre a extradição de Carla Zambelli marca um capítulo decisivo para a ex-deputada federal. Com a Justiça italiana analisando minuciosamente o pedido após suas condenações no STF e as alegações da defesa sobre o processo brasileiro, o desfecho terá significativas implicações jurídicas. Fique por dentro de todos os desdobramentos deste caso, acompanhando nossa cobertura na editoria de Política para mais atualizações.

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