O Executivo BlackRock ganha força para liderar o Fed. A ascensão de Rick Rieder, um proeminente executivo da BlackRock, à frente das deliberações para o comando do Federal Reserve tem sido notável. Fontes próximas aos debates internos da Casa Branca indicam que sua forte credibilidade em Wall Street, combinada com uma abertura declarada para implementar mudanças na instituição monetária americana, tem solidificado sua posição como um dos principais candidatos.
Rieder, atualmente um dos diretores de investimento globais de renda fixa da maior gestora de ativos do mundo, é percebido como o perfil ideal para a exigente função de banqueiro central. Suas ideias inovadoras e diversas propostas para uma possível reformulação do Federal Reserve, conforme reportado por pessoas familiarizadas com o assunto, capturaram a atenção do presidente Donald Trump.
Um aspecto que se destaca favoravelmente para Rick Rieder é sua ausência de vínculo anterior com o próprio Federal Reserve. Diferentemente dos outros três nomes que compõem a lista de finalistas para a cúpula do banco central, Rieder nunca atuou na instituição, sendo, portanto, visto como uma figura “externa”, sem laços preexistentes que poderiam influenciar suas decisões. Este é um fator considerado crucial por alguns para assegurar uma abordagem imparcial, enquanto o
Executivo BlackRock Ganha Força para Liderar o Fed
. Essa perspectiva “de fora” reforça a percepção de que ele poderia ser um agente de transformação.
O impacto de Rieder nos mercados financeiros já é evidente. Sua possível indicação para presidir o Federal Reserve tem gerado uma resposta bastante positiva entre os participantes do mercado de títulos. Durante as consultas conduzidas por autoridades do governo Trump, que buscavam feedback de investidores sobre a lista restrita de candidatos, Rieder obteve uma receptividade calorosa, conforme detalhado pelas fontes consultadas. Executivos e investidores que participaram do prestigiado Fórum Econômico Mundial em Davos, durante esta semana, também manifestaram seu apoio a Rieder em discussões privadas, reiterando a aceitação do mercado em relação ao executivo.
A corrida para a presidência do banco central conta com outros nomes de peso. Além de Rieder, os outros candidatos incluem Kevin Hassett, que atualmente atua como consultor econômico da Casa Branca; Chris Waller, um diretor já membro do Fed; e Kevin Warsh, ex-funcionário da instituição monetária. O cenário da seleção aponta para uma decisão iminente. O presidente Donald Trump informou a repórteres na quinta-feira que concluiu as entrevistas com os postulantes ao cargo e que já tem um nome em mente, embora não tenha divulgado detalhes específicos. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, encarregado de liderar o processo de busca que já dura meses, sugeriu que a decisão presidencial poderia ser anunciada já na próxima semana, indicando a proximidade do desfecho.
Enquanto a decisão final não é oficializada, o porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, emitiu um comunicado destacando que “até que um anúncio seja feito pelo presidente Trump, qualquer reportagem sobre o processo de nomeação para a presidência do Federal Reserve é especulação inútil”. Da mesma forma, um representante da BlackRock optou por não emitir comentários sobre o assunto. Essa postura oficial reflete a cautela típica em momentos de transição de poder em instituições tão cruciais para a economia global.
Contudo, uma questão crucial emergiu recentemente no círculo interno do presidente Trump: a preocupação com a postura de Rick Rieder em relação às taxas de juros. Questiona-se se ele seguiria prontamente as diretrizes presidenciais para cortes acelerados nas taxas, uma vez empossado, ou se optaria por manter uma postura mais independente. Trump tem expressado abertamente seu desejo por um líder do banco central que esteja disposto a promover reduções rápidas nas taxas de juros, o que pode ser um ponto de atrito ou alinhamento crucial. Essa expectativa presidencial adiciona uma camada de complexidade à escolha do próximo comandante do Fed.
Kevin Hassett, um dos principais conselheiros econômicos de Trump e considerado um dos favoritos para o cargo, pode, contudo, permanecer em sua função atual. Na semana passada, o presidente indicou que talvez prefira manter Hassett em seu papel na Casa Branca, onde é responsável pela comunicação sobre a política econômica. Esta reavaliação da posição de Hassett fortalece ainda mais a possibilidade de Rieder, o executivo BlackRock, assumir a liderança do Federal Reserve.

Imagem: Christopher Goodney via valor.globo.com
A escolha de Trump para o próximo presidente do Federal Reserve é amplamente considerada uma das decisões de pessoal mais significativas de seu segundo mandato. Este novo líder do banco central será fundamental para enfrentar as preocupações dos eleitores relacionadas à acessibilidade financeira, os crescentes preços dos alimentos e a escalada nos valores dos imóveis – questões econômicas que são centrais para a campanha presidencial. O presidente tem sido um crítico público ferrenho da relutância do atual presidente, Jerome Powell, em cortar as taxas de juros no ritmo que ele considera adequado para a economia.
Donald Trump nomeou Jerome Powell para comandar o banco central em novembro de 2017, mas, subsequentemente, expressou arrependimento por sua escolha, alegando que o chefe do Fed ignorou suas demandas por reduções mais acentuadas nas taxas de juros. Por sua vez, Powell tem enfatizado reiteradamente que os membros do Federal Reserve baseiam suas decisões no que consideram ser o melhor para a saúde geral da economia, buscando a estabilidade e o pleno emprego, independentemente de pressões políticas. Este desencontro de visões marcou o relacionamento entre o presidente e o chefe da instituição monetária.
No decorrer de seu segundo mandato, Trump intensificou a pressão sobre o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), que é o corpo responsável pela definição das taxas de juros. Em uma de suas ações mais notórias, buscou demitir a diretora Lisa Cook, baseando-se em alegações de fraude hipotecária, acusações que a própria Cook nega veementemente. O processo judicial relacionado a este caso ainda está em andamento, e a Suprema Corte demonstrou cautela diante da tentativa de Trump de remover Cook com base em acusações que permanecem não comprovadas. Adicionalmente, o Departamento de Justiça (DOJ) também iniciou uma investigação criminal contra Powell por reformas na sede do banco central, algo que o presidente do Fed interpretou como uma tentativa direta de retaliá-lo por não acelerar a redução das taxas de juros, adicionando um precedente complexo às relações entre o executivo e o banco central independente. A influência política sobre instituições como o Federal Reserve é um tema de constante debate no cenário econômico americano.
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A trajetória de Rick Rieder, executivo da BlackRock, para a presidência do Federal Reserve exemplifica a dinâmica de poder e as complexas considerações políticas e econômicas envolvidas na escolha de um dos cargos mais influentes do mundo. À medida que o anúncio se aproxima, o mundo aguarda para ver qual será a próxima fase da política monetária americana. Para aprofundar-se em análises sobre economia global e as implicações dessas escolhas para o Brasil, continue explorando nossa editoria de Economia.
Crédito da imagem: Christopher Goodney/Bloomberg

