Estudo Ipea detalha potencial de minerais críticos no Brasil

Economia

O **potencial de minerais críticos no Brasil** tem sido um tópico de intenso debate e análise, com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicando um estudo detalhado que sublinha a vasta riqueza geológica do país nesses recursos. Contudo, apesar dessa dotação natural expressiva, o Brasil tem historicamente enfrentado dificuldades em converter esse potencial bruto em uma produção econômica robusta, o que o tem mantido aquém do patamar de nações como Austrália, China, África do Sul e Chile, países que se destacam globalmente na extração e beneficiamento desses minerais essenciais.

A importância dos minerais críticos transcende as fronteiras econômicas e se posiciona como um pilar estratégico para o desenvolvimento mundial contemporâneo. Estes recursos são indispensáveis para diversos setores, incluindo a tecnologia de ponta, a defesa e, de forma crescente, para o sucesso da transição energética global. A sua criticidade deriva não só de sua vital importância para essas indústrias, mas também da inerente vulnerabilidade da sua cadeia de oferta, frequentemente marcada por riscos de escassez e uma concentração de fornecedores em poucas regiões do planeta.

Estudo Ipea detalha potencial de minerais críticos no Brasil

No rol desses elementos vitais, destacam-se minerais como o lítio, cobalto, níquel e as terras raras. Suas aplicações são variadas e transformadoras: o lítio e o cobalto são cruciais para a fabricação de baterias de veículos elétricos, que lideram a revolução do transporte sustentável; o níquel, com suas propriedades de resistência e durabilidade, também se faz presente em acumuladores de energia e ligas especiais. Já as terras raras são componentes-chave para turbinas eólicas e painéis solares, equipamentos que simbolizam a expansão das energias renováveis, além de serem fundamentais para a produção de semicondutores, que formam a base da eletrônica moderna e da inteligência artificial. Segundo dados do Instituto Brasileiro da Mineração (Ibram), uma entidade que representa o setor privado, o Brasil detém impressionantes 10% das reservas globais desses minerais.

A pesquisa intitulada “Qual a importância do Brasil na cadeia global de minerais críticos da transição energética? Uma análise sobre reservas, produção, comércio exterior e investimentos”, é fruto do trabalho colaborativo dos pesquisadores Rafael da Silveira Soares Leão, Mariano Laio de Oliveira e Danúbia Rodrigues da Cunha. O estudo, que foi oficialmente divulgado na quinta-feira, 4 de dezembro de 2025, aprofunda-se na análise da performance do Brasil no contexto global desses recursos estratégicos.

Análise da Atuação Brasileira no Cenário Global

Os resultados do levantamento realizado pelo Ipea revelam que, ao longo das últimas duas décadas, a atuação do Brasil no cenário do comércio internacional de minerais críticos permaneceu relativamente aquém de seu vasto potencial. Essa performance discreta foi, em grande parte, um reflexo direto das complexidades e desafios internos enfrentados pela produção mineral nacional, caracterizada por incertezas e interrupções que limitaram o seu pleno desenvolvimento e competitividade no mercado global. A falta de um ambiente de produção consistente impediu que o país explorasse adequadamente suas vastas reservas, resultando em uma participação modesta nas exportações desses insumos cruciais.

No entanto, o estudo do Ipea aponta para uma transformação notável nos anos mais recentes. Uma expansão significativa dos investimentos em capital físico, combinada com a retomada de dispêndios em pesquisa geológica – movimentos que ecoam e se alinham às tendências observadas no cenário mundial – sugere um novo panorama. Conforme indicado pelos pesquisadores, esses esforços estão, aparentemente, preparando o país para um promissor ciclo virtuoso, o qual poderá impulsionar uma significativa expansão da produção e fortalecer a posição brasileira na cadeia global de minerais críticos. Tal virada representa uma oportunidade para que o Brasil não apenas participe, mas também se torne um player mais influente na oferta desses recursos.

Expectativas e o Novo Ciclo de Investimentos na Mineração

As conclusões da pesquisa do Ipea são categóricas ao indicar que um novo e robusto ciclo de investimentos, já em aparente curso, tem o potencial de elevar a mineração brasileira a um patamar de competitividade significativamente superior. Esse novo fluxo de capital e interesse estratégico pode redefinir o papel do país no mercado de minerais críticos. Contudo, os autores do estudo enfatizam a crucial necessidade de que as projeções e expectativas em torno do impacto econômico do setor no Produto Interno Bruto (PIB) sejam gerenciadas com um senso de realismo. Evitar exageros e manter uma visão clara sobre os desafios e oportunidades é fundamental para garantir um crescimento sustentável e evitar desilusões.

Estudo Ipea detalha potencial de minerais críticos no Brasil - Imagem do artigo original

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

Os pesquisadores contextualizam a atuação da cadeia produtiva da mineração brasileira, lembrando que, no período compreendido entre 2000 e 2019, sua contribuição para o PIB nacional oscilou entre 0,75% e 2%. Essa variação, conforme o estudo, esteve intrinsecamente ligada aos ciclos de expansão e retração das cotações das commodities minerais, com o minério de ferro se destacando como o principal vetor dessa dinâmica. O minério de ferro, sozinho, representa mais de dois terços do valor agregado gerado pelo setor, evidenciando uma dependência concentrada que historicamente pautou o desempenho da mineração brasileira. A diversificação para minerais críticos pode, potencialmente, reduzir essa dependência e agregar novo valor à economia.

Para obter mais detalhes sobre a metodologia e os resultados completos da pesquisa, você pode consultar o material integral disponível no portal oficial do Ipea.

O Ipea reforça, com esta análise, que a transição energética e o avanço tecnológico global demandam uma oferta estável e diversificada de minerais críticos. Para o Brasil, a oportunidade de materializar seu imenso potencial geológico não apenas fortalecerá sua economia, mas também solidificará sua posição como um fornecedor chave em um cenário mundial cada vez mais dependente desses recursos estratégicos.

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Em suma, o estudo do Ipea é um chamado à ação e uma análise lúcida do caminho a seguir para o Brasil. Atingir um patamar de produção e competitividade no segmento de minerais críticos exigirá contínuos investimentos, políticas assertivas e uma gestão que conjugue o otimismo com a prudência. Acompanhe as últimas notícias e análises sobre o setor de mineração e economia em nossa editoria de Economia para ficar por dentro dos próximos desenvolvimentos e do impacto dessas transformações no país.

Crédito da imagem: Gil Leonardi/Agência Minas