Em um desenvolvimento crucial para a política externa e de segurança, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos publicou na noite da última sexta-feira sua aguardada Estratégia Nacional de Defesa para 2026. Este documento oficial, que orientará as prioridades militares do país, redefine o enfoque americano para a região do Indo-Pacífico, concentrando-se em garantir que a China não consiga estabelecer uma “dominação”. A abordagem contrasta visivelmente com estratégias passadas que, em momentos específicos, focaram em refutar ou anular uma potencial invasão a Taiwan.
Uma observação relevante, segundo indivíduos que analisaram ambas as versões do plano, é que o texto final de aproximadamente 30 páginas omite qualquer menção explícita a Taiwan. Essa ausência difere notavelmente da versão preliminar que foi divulgada em agosto nas instalações do Pentágono, indicando uma calibração no discurso diplomático-militar de Washington.
Estratégia de Defesa EUA Foca Força, Não Conflito com China
A nova Estratégia Nacional de Defesa para 2026 se estrutura sobre quatro pilares fundamentais, pensados para navegar pelos complexos desafios geopolíticos atuais. O primeiro objetivo é a defesa inabalável do território nacional dos Estados Unidos. Em segundo lugar, busca-se efetivamente dissuadir a China na estratégica região do Indo-Pacífico por meio de uma doutrina que privilegia “força, não confronto”, sinalizando uma postura de prontidão sem provocação. O terceiro pilar concentra-se em expandir o compartilhamento de encargos e responsabilidades com aliados e parceiros estratégicos americanos. Por fim, a quarta e última frente consiste em fortalecer de forma substancial a base industrial de defesa dos Estados Unidos, assegurando sua capacidade de inovação e produção em longo prazo.
Abordagem Conciliatória para a China: Estabilidade Estratégica
A seção do documento dedicada à República Popular da China esclarece de forma categórica que os Estados Unidos não perseguem um conflito aberto com a nação asiática. Pelo contrário, o propósito explícito é fomentar uma “estabilidade estratégica com Pequim”, conforme articulado no próprio texto. Para alcançar esse desiderato, a estratégia delineia o compromisso de “buscar e abrir uma gama mais ampla de comunicações militares com o Exército de Libertação Popular (ELP)”, indicando um canal de diálogo para evitar mal-entendidos e tensões desnecessárias. Alinhado com a Estratégia de Segurança Nacional da Casa Branca, lançada em dezembro do ano anterior, o plano de defesa americano enfatiza que sua meta “não é dominar a China; nem estrangulá-la ou humilhá-la”. É salientado que os Estados Unidos não vislumbram uma “mudança de regime ou alguma outra luta existencial” como condição para atingir seus objetivos em relação à potência asiática, demonstrando uma abordagem mais pragmática.
A Questão de Taiwan e o Tom Distinto
Diferente de publicações anteriores e discussões mais acaloradas, o plano atual evita a menção explícita à necessidade de bloquear ou aniquilar um possível ataque a Taiwan. Esta sutil mudança de redação contrasta com a retórica agressiva de Pequim, que mantém sua recusa em descartar o uso da força para validar suas reivindicações sobre Taiwan – posição que é veementemente rejeitada pelo governo eleito em Taipei. Washington, através de sua nova estratégia, assegura que se manterá “lúcida e realista” diante da rapidez, amplitude e qualidade do fortalecimento militar histórico da China. Enquanto isso, o esforço contínuo será direcionado para a manutenção de um equilíbrio de poder militar favorável na complexa e dinâmica região do Indo-Pacífico. A intenção primária dos Estados Unidos para esta área geográfica é, de forma simples e direta, “garantir que nem a China nem ninguém possa nos dominar ou dominar nossos aliados”, conforme estabelecido no documento.
Essa nuance mais conciliatória se distancia marcadamente do tom adotado em obras como o livro de 2021, “A estratégia da negação: a defesa americana em uma era de conflito entre grandes potências”. Escrito por Elbridge Colby, então subsecretário de Defesa para Políticas e figura chave na formulação da estratégia, a publicação mencionava Taiwan mais de 400 vezes e explorava exaustivamente formas de “derrotar” uma incursão chinesa, sublinhando a virada na perspectiva atual.
O Reforço Estratégico de Alianças Globais
Na seção dedicada ao compartilhamento de responsabilidades, a nova estratégia ressalta o papel fundamental dos aliados e parceiros dos Estados Unidos, enfatizando que eles devem atuar “não como as dependências da geração passada”. O documento argumenta que, enquanto o Pentágono prioriza a defesa da nação e a dissuasão da China, os parceiros internacionais se tornarão indispensáveis no enfrentamento de outras ameaças ao redor do globo. Um exemplo claro é apresentado na Península Coreana. A estratégia afirma que a Coreia do Sul possui a capacidade de assumir a “responsabilidade principal” pela dissuasão da Coreia do Norte, recebendo “apoio crucial, porém mais limitado, dos Estados Unidos”. Esta capacidade sul-coreana é atribuída ao seu considerável poderio militar, aos investimentos significativos em defesa, à robusta indústria bélica e à existência de serviço militar obrigatório em seu território.
Esta reformulação no balanço de responsabilidades, segundo o documento, “está em consonância com o interesse dos Estados Unidos em atualizar o posicionamento das forças americanas na Península Coreana”, uma afirmação que pode ser interpretada como um possível indicativo de uma futura redução das tropas americanas estacionadas na região. No cenário europeu e em outros teatros de operações, os aliados “assumirão a liderança” no combate às ameaças, contando também com o suporte crucial, mas agora “mais limitado”, dos Estados Unidos.
Para fortalecer este modelo de cooperação global, o plano propõe que a meta da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de destinar 5% do Produto Interno Bruto (PIB) à defesa, um parâmetro notável, seja adotada como o novo padrão global. “Defenderemos que nossos aliados e parceiros atendam a esse padrão em todo o mundo, não apenas na Europa”, conclui o documento, projetando uma ambição global para o aumento do investimento em defesa coletiva. Mais informações sobre as diretrizes e documentos oficiais podem ser encontradas no site do Departamento de Defesa dos EUA.
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A reformulação da Estratégia Nacional de Defesa para 2026 sinaliza um ajuste significativo na política externa e militar dos Estados Unidos, focando em dissuasão pela força e reforço de alianças, sem buscar um confronto direto com a China. Esta nova perspectiva busca uma estabilidade estratégica e um compartilhamento de responsabilidades mais equilibrado globalmente. Mantenha-se informado sobre os desdobramentos dessa e de outras questões geopolíticas importantes acessando a categoria de Política no blog Hora de Começar, onde você encontra análises aprofundadas sobre o cenário mundial.
Crédito da imagem: Valor Econômico
