Escala 6×1: Mais Campanha do que PEC em 2026, Diz Analista

Economia

Para cientistas políticos, a potencial extinção da escala 6×1 dificilmente se concretizará por meio de aprovação legislativa até as eleições de 2026. Em vez disso, a discussão sobre a jornada de trabalho de 6×1 deve ser strategicamente capitalizada como um pilar central na campanha de reeleição do atual governo durante o período eleitoral. Este cenário se justifica, em parte, pelo calendário legislativo reduzido em 2026, que concederá ao governo um período limitado de seis meses para articular aprovações e impulsionar projetos de grande envergadura.

Atualmente, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa alterar a escala 6×1 encontra-se em um percurso fragmentado e complexo no Congresso Nacional. Um dos textos referentes à proposta está paralisado em uma subcomissão na Câmara dos Deputados, indicando um avanço moroso na casa legislativa. Paralelamente, outra versão da PEC conseguiu progredir significativamente no Senado Federal, obtendo aprovação na crucial Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas agora aguarda deliberação e votação no plenário.

Escala 6×1: Mais Campanha do que PEC em 2026, Diz Analista

De acordo com o analista político Leopoldo Vieira, embora a pauta referente à escala de trabalho 6×1 goze de ampla aceitação popular, registrando um índice de aprovação de 72% entre os eleitores, sua intrínseca complexidade econômica desaconselha uma tramitação legislativa ágil. Vieira destaca que, diante desse contexto, o tema provavelmente será pautado como uma importante bandeira política pela esquerda, servindo a propósitos eleitorais em detrimento de uma célere aprovação nas Casas legislativas. Para a gestão federal, pode ser mais estratégico e proveitoso manter o assunto em destaque ao longo do ano de 2026, principalmente durante o ciclo eleitoral, com o intuito de projetar uma visão de futuro favorável para as classes médias e populares do país.

Outro elemento de extrema relevância que pautará as ações do governo federal em 2026, com impactos diretos no panorama eleitoral, são as deliberações sobre a taxa básica de juros, a Selic, realizadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Em um movimento de destaque, no dia 18 do mês anterior, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teceu elogios à condução do Banco Central, sob a liderança de Gabriel Galípolo, e externou sua expectativa por uma trajetória de queda na taxa Selic a partir do próximo ano.

“Tenho a certeza de que o Galípolo vai prestar um ótimo serviço. Estou sentindo o cheiro de que logo a taxa de juros vai começar a baixar. Tenho 100% de confiança nele”, afirmou o presidente em pronunciamento oficial, reforçando a aposta em um cenário econômico mais brando. Para o analista Leopoldo Vieira, a convergência entre um quadro de redução dos juros e o período eleitoral tende a solidificar o otimismo econômico entre o eleitorado, beneficiando as chances de reeleição de Lula. “Uma redução sustentada da Selic tende a aliviar o crédito, estimular a atividade econômica e fortalecer esse clima positivo sem comprometer os fluxos de carry trade”, argumenta Vieira, explicando o efeito cascata positivo sobre a economia.

O atual terceiro mandato do presidente Lula tem direcionado seus esforços e políticas públicas para programas sociais abrangentes e uma agenda econômica que visa especialmente microempreendedores, bem como benefícios sociais para indivíduos que percebem rendimentos superiores a três salários mínimos mensais. A possibilidade de estender esses benefícios a outras faixas salariais e expandir as categorias elegíveis pode se tornar um dos principais motes de campanha no ano eleitoral vindouro, conforme a estratégia de angariar apoio das camadas médias da população.

Buscando uma maior aproximação com a classe média brasileira e com o crescente contingente de novos empreendedores, espera-se que o presidente Lula apresente e enfatize propostas focadas na ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) e na elevação do teto de recolhimento para os microempreendedores individuais (MEIs) cadastrados. Contudo, a efetivação e execução dessas propostas e projetos em um ano de pleito eleitoral, como 2026, representa uma tarefa árdua e repleta de desafios políticos e econômicos, exigindo habilidade de articulação e governança para a administração. Para uma compreensão aprofundada sobre as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), visite o site do Banco Central do Brasil.

Vieira salienta que, para apreender a totalidade dos novos planos e rumos do governo em relação à política econômica, é imperativo reconhecer que o país se depara com apenas dois caminhos viáveis nesta etapa final de mandato: ou se engaja na construção de um novo pacto fiscal abrangente, ou enfrenta o risco iminente de uma severa crise política. A análise do cenário atual por Vieira indica uma distinção marcante em relação ao ano de 2016, quando o contexto político-econômico era significativamente diferente. Atualmente, o governo conta com uma base de popularidade considerável, o que sugere que não estaria propenso a arriscar esse capital político em prol de um ajuste fiscal mais rigoroso, a exemplo do “ajuste fiscal compartilhado” sinalizado para o final de 2024, que gerou discussões intensas.

Acerca da proposta de aumento do teto para microempreendedores, que se traduz em um projeto de lei complementar já aprovado na Comissão de Assuntos Sociais em outubro e que agora aguarda uma audiência pública para sua finalização, Leopoldo Vieira adverte para um potencial risco ao governo. O analista destaca que, caso a proposta consiga espaço para progredir e ser sancionada ainda em 2026, sua implementação poderá representar um calcanhar de Aquiles para a atual administração: se a elevação do limite de receita anual bruta vier acompanhada de um aumento proporcional da carga tributária, o sentimento antissistema entre o eleitorado, que já se manifestou em pleitos anteriores, poderá ressurgir e ganhar destaque na cena política, impactando negativamente a imagem e a popularidade do governo.

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Em suma, a dinâmica política para 2026 aponta para uma priorização da pauta da escala 6×1 como tema de campanha, impulsionada por fatores legislativos e de aceitação popular, enquanto as discussões econômicas, como a taxa Selic e o fomento a microempreendedores, tendem a reforçar a visão de um cenário favorável à reeleição. Para continuar aprofundando-se nas análises políticas e econômicas que moldarão o futuro do país, explore nossa editoria de Política e mantenha-se informado sobre os desdobramentos mais relevantes.

Crédito da imagem: Divulgação.