A possibilidade de o dólar R$ 5 alcançar patamares mais baixos novamente e a instabilidade nas expectativas para o câmbio têm sido um tópico central no cenário econômico brasileiro. Em meio a um período de significativas movimentações financeiras, a moeda norte-americana experimentou uma desvalorização considerável em relação ao real no acumulado de fevereiro, marcando uma queda de aproximadamente 2% e operando na faixa dos R$ 5,13 em diversos pregões. Essa performance contrasta com o ganho mensal do dólar frente a outras moedas globais, impulsionado por tensões geopolíticas.
A força da moeda brasileira é atribuída a uma conjunção de fatores domésticos e externos. Um dos pilares dessa valorização reside no robusto fluxo de capital estrangeiro para a B3 e para outros ativos locais. Esse cenário é fomentado pelos recordes consecutivos atingidos pelo Ibovespa e pela percepção de um valuation atrativo das ações nacionais, gerando um aumento substancial na oferta de dólares no mercado. Este movimento reflete o renovado “apetite por risco” dos investidores em relação ao Brasil, apesar de os debates em torno da política monetária, especificamente sobre o início e o ritmo dos cortes na taxa Selic, continuarem em evidência. Mesmo com eventuais ruídos envolvendo o Banco Central, o mercado financeiro demonstrou uma confiança relativa na condução da política econômica.
Dólar R$ 5: Projeções e Fatores para o Câmbio Futuro
De acordo com análises do Itaú, um panorama global mais favorável, em conjunto com um prêmio de risco doméstico que se manteve sob controle e um diferencial de taxas de juros competitivo, permitiu que o real apresentasse um nível de valorização acentuado no começo do ano. A apreciação da moeda nacional foi notável em um contexto de aumento do apetite por risco em escala mundial, atraindo investimentos para o mercado brasileiro. Contudo, o Itaú ressalta que um aumento esperado no prêmio de risco local, em antecipação às eleições, configura-se como o principal elemento que poderá impulsionar a depreciação do real ao longo do ano, atuando como um limitador para uma valorização ainda mais expressiva.
A equipe de economistas do Itaú, em relatório divulgado recentemente, revisou suas projeções para o câmbio, ajustando a expectativa de R$ 5,50 para R$ 5,40 em 2026, e de R$ 5,70 para R$ 5,60 em 2027. Apesar dessa revisão para baixo, as projeções do banco ainda indicam uma tendência de valorização do dólar em comparação aos níveis atuais, sinalizando que a moeda norte-americana deverá se fortalecer progressivamente nos próximos anos, superando os patamares observados atualmente.
A Influência Política e o Carry Trade
O Morgan Stanley, por sua vez, corrobora a visão de que o real é fortemente impactado pelas incertezas relativas aos resultados das eleições. No entanto, o banco observa que pesquisas recentes sugerem um apoio considerável a um desfecho que é percebido como fiscalmente mais conservador do que outras alternativas políticas. Se essa tendência se mantiver, a equipe do Morgan Stanley projeta que o real poderá superar a marca de R$ 5,00 antes do pleito de outubro, o que estaria alinhado com seu cenário otimista.
Ainda segundo o Morgan Stanley, não há grande preocupação com o futuro ciclo de afrouxamento da política cambial a ser implementado pelo Banco Central do Brasil (BCB). Essa perspectiva é embasada na robusta vantagem do carry trade da moeda brasileira em relação a outras divisas. O carry trade refere-se à estratégia de empréstimo em uma moeda com juros baixos para investir em uma moeda com juros altos, aproveitando o diferencial. A atratividade dos juros brasileiros continua a incentivar essa prática, garantindo um fluxo de capital que ajuda a sustentar a valorização do real.
Projeções para o Primeiro Semestre e Riscos Futuros
O Banco Pine também endossa a análise de que há um espaço para uma queda mais acentuada do dólar no primeiro semestre do ano, potencialmente aproximando-se da barreira de R$ 5. Essa expectativa está fundamentada em um cenário macroeconômico global, onde a economia dos Estados Unidos combina uma desaceleração pontual do crescimento com uma inflação ainda elevada, embora com um viés um pouco mais otimista para o Produto Interno Bruto (PIB) no início de 2026. Este ambiente internacional propicia uma maior busca por risco em mercados emergentes.

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Para o real, os economistas do Banco Pine preveem que o cenário permaneça favorável no curto prazo. Contudo, alertam para riscos, considerados limitados, que podem surgir no segundo semestre. Esses riscos estariam relacionados principalmente à incerteza em torno da questão tarifária. A projeção da instituição financeira mantém-se firme na expectativa de que a moeda brasileira se valorize para níveis próximos de R$ 5 por dólar ainda neste semestre, e que a taxa média anual em 2026 se estabeleça em R$ 5,21. Essa projeção é alicerçada tanto pela conjuntura externa quanto pela doméstica, que se mostram favoráveis à moeda nacional no momento.
Visão de Mercado para um Dólar Ainda Mais Baixo
No espectro das projeções cambiais, existe também uma visão que antevê um valor de equilíbrio ainda mais baixo para o dólar, situando-o na faixa de R$ 4,50. Essa perspectiva é defendida por Robin Brooks, economista do Brookings Institution e ex-chefe de estratégia cambial do Institute of International Finance (IIF). Brooks tem sido uma voz notável ao destacar as condições que poderiam levar a uma desvalorização mais expressiva da divisa americana, baseando suas análises em indicadores fundamentais da economia e no comportamento dos fluxos financeiros globais. Tal projeção representa um dos cenários mais otimistas para o real no médio prazo.
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Em suma, a dinâmica do câmbio no Brasil está em constante evolução, moldada por uma complexa interação de fatores macroeconômicos globais, a performance do mercado financeiro local e o ambiente político. Enquanto alguns especialistas veem um horizonte promissor para a valorização do real no curto prazo, a proximidade de eventos cruciais como as eleições gera cautela e projeções de uma eventual valorização do dólar em horizontes mais longos. Para continuar acompanhando as nuances da economia e as atualizações sobre o dólar R$ 5 e outros temas relevantes, não deixe de explorar as análises aprofundadas em nossa editoria de Economia.
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