A queda do dólar marcou o encerramento da semana, com a moeda norte-americana recuando firmemente no Brasil para o patamar de R$ 5,17. Esse movimento significativo ocorre em um cenário global de desvalorização do dólar no exterior, impulsionado por eventos-chave, como a recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que rejeitou tarifas comerciais impostas durante a gestão do ex-presidente Donald Trump, o que remodelou as expectativas de mercado e impulsionou moedas de países emergentes.
As tarifas impostas pelo governo Trump foram um pilar fundamental de sua política de “guerra comercial” global, um conjunto de medidas que criou atrito com parceiros internacionais. Essas ações reverberaram por mercados financeiros, disseminando incerteza econômica e afetando negociações internacionais por um período considerável, deixando uma marca na economia mundial ao afastar parceiros comerciais.
No fechamento da sessão, o dólar à vista registrou uma baixa expressiva de 0,99%, fixando-se em R$ 5,1766. Este valor representa a cotação de fechamento mais baixa desde 28 de maio de 2024, quando a moeda encerrou o dia em R$ 5,1539. Mesmo com a semana mais curta devido ao feriado de Carnaval, o
Dólar cai a R$ 5,17 e renova mínima em 21 meses no Brasil
, acumulando uma retração de 1,03% no período. No balanço anual, a queda alcança um patamar ainda mais notável de 5,69%. Simultaneamente, às 17h06, o dólar futuro para março, o contrato de maior liquidez no mercado brasileiro, registrava queda de 0,77% na B3, sendo negociado a R$ 5,1840.
Analistas do mercado também monitoram de perto os indicadores econômicos dos Estados Unidos, que influenciam diretamente a cotação do dólar. O núcleo do Índice de Preços de Gastos com Consumo Pessoal (PCE), que exclui os preços mais voláteis de alimentos e energia e é a métrica de inflação preferida do Federal Reserve, apresentou alta de 0,4% em dezembro na comparação mensal. Em base anual, o avanço foi de 3%. Estes números superaram as expectativas de uma pesquisa da Reuters, que projetava elevação mensal de 0,3% e anual de 2,9%, indicando uma inflação mais persistente.
A leitura do PCE acima do esperado para o índice de preços americanos fornece sinais cruciais para a política monetária dos EUA. Conforme observou Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital, este resultado reforça a visão de que o Federal Reserve (Fed) enfrentará contínuos desafios para promover cortes nas taxas de juros, para além do ritmo já comunicado ao mercado, impactando a perspectiva da moeda global. Compreender a dinâmica da política monetária do Federal Reserve é essencial para analisar esses movimentos.
Adicionalmente, dados referentes ao Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos mostraram um crescimento anualizado de 1,4% no quarto trimestre de 2025. Este crescimento, embora positivo, veio abaixo das projeções dos economistas consultados pela Reuters, que previam uma taxa anualizada de 3,0% para o último trimestre, seguindo um robusto crescimento de 4,4% no trimestre anterior (julho a setembro). Essa desaceleração subjacente, mesmo que o crescimento anterior tenha sido forte, levanta discussões sobre o desempenho da economia americana e as implicações para o cenário global.
Para Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, a interpretação dos dados mais fracos do PIB americano indica a existência de um espaço potencial para que o Federal Reserve venha a reduzir as taxas de juros americanas. Tal cenário tenderia a diminuir a atratividade da moeda dos EUA, o que, em suas expectativas, deve impulsionar a continuação da queda do dólar ao longo do dia, podendo testar patamares abaixo dos R$ 5,20. Essa perspectiva é um contraponto importante aos desafios de inflação mencionados.
Entretanto, Trevisan também sinaliza para um vetor de risco que merece atenção: a escalada das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã. O executivo lembra que o governo iraniano fez ameaças de retaliação a bases militares americanas na região. Esse contexto de apreensão internacional tem mantido os preços do petróleo em níveis elevados, com o Brent negociado acima dos US$ 71, alcançando sua máxima em seis meses. A potencial intensificação de tal conflito pode desestabilizar os mercados financeiros globalmente.

Imagem: Prakash Singh via infomoney.com.br
O agravamento do confronto militar, como ressalta o CEO da Gravus Capital, tem potencial para gerar uma volatilidade exacerbada nos mercados. Tal movimento poderia pressionar ativos de economias emergentes, elevando o risco percebido pelos investidores e, consequentemente, a demanda por moedas consideradas mais seguras. Por enquanto, a maioria dos investidores ainda parece desconsiderar a probabilidade de um cenário bélico mais extremo, mantendo o foco primário nos fundamentos e dados econômicos divulgados, que são os principais motores da cotação do dólar hoje.
A agenda econômica americana também previu, para a tarde, a divulgação de outros indicadores relevantes, programados para às 11h45 e às 12h, respectivamente. Estes incluíam os Índices de Gerentes de Compras (PMI) referentes aos setores de serviços e indústria nos EUA, bem como os dados sobre a confiança do consumidor norte-americano e os números de novas moradias. Tais indicadores oferecem uma visão mais abrangente da saúde econômica e do sentimento do mercado nos Estados Unidos, que repercutem globalmente na cotação do dólar.
Um dos fatores frequentemente citados para justificar a recente queda do dólar em relação ao real brasileiro nos últimos meses é o substancial diferencial de juros entre os dois países. Atualmente, a taxa Selic no Brasil se mantém em 15%, um patamar significativamente mais elevado quando comparado à taxa de juros nos Estados Unidos, que varia entre 3,50% e 3,75%. Esse contraste entre as políticas monetárias brasileira e americana tende a atrair capital estrangeiro para o Brasil, buscando retornos mais vantajosos e, por consequência, impulsionando a desvalorização da moeda americana em relação ao real, corroborando a tendência de um dólar em queda.
Enquanto o cenário financeiro e econômico global se desdobrava, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpria agenda em Nova Délhi, na Índia, visitando o novo escritório da ApexBrasil, instituição responsável pela promoção de exportações e investimentos do Brasil. A visita visa a reforçar parcerias comerciais internacionais e oportunidades para o país, o que indiretamente pode fortalecer a economia brasileira e, assim, a moeda nacional em meio à dinâmica da cotação.
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Em suma, a recente desvalorização do dólar para R$ 5,17 reflete uma convergência de fatores globais e internos, desde decisões políticas americanas e dados econômicos que redefinem expectativas sobre juros nos EUA, até o atrativo diferencial da Selic no Brasil. Os investidores permanecem vigilantes às próximas divulgações de indicadores e eventos geopolíticos, que podem ditar os próximos movimentos da moeda americana. Para continuar acompanhando as tendências da queda do dólar e o panorama econômico brasileiro, siga explorando as análises aprofundadas em nossa editoria de Economia.