Decisão Copom Selic: Bancos Revisam Projeção de Corte Menor

Economia

As discussões sobre a próxima **decisão Copom Selic** ganharam novas nuances, com instituições financeiras e casas de investimento reavaliando as perspectivas para a taxa básica de juros do Brasil. Anteriormente, a maioria do mercado esperava um corte inicial de 0,50 ponto percentual em março. No entanto, as projeções recentes convergem para uma redução mais conservadora de 0,25 ponto percentual ou, em alguns casos, até mesmo para a manutenção da Selic no patamar atual.

Essa revisão nas expectativas é impulsionada, principalmente, pela conjuntura internacional, onde o recrudescimento do conflito no Oriente Médio elevou a incerteza global. Tal cenário aumenta o risco inflacionário, especialmente devido à valorização do petróleo. A commodity, que negociava a cerca de US$ 72 por barril, escalou para uma média de US$ 103, impactando diretamente os custos de produção e, consequentemente, a inflação.

Decisão Copom Selic: Bancos Revisam Projeção de Corte Menor

Diversas instituições financeiras de peso, incluindo JP Morgan, Bank of America (BofA), Itaú BBA, ASA e Banco Pine, manifestaram suas novas análises. Elas apontam para uma incerteza elevada e um balanço de riscos menos favorável, fatores que pressionam por uma postura mais cautelosa por parte do Comitê de Política Monetária (Copom).

A Perspectiva das Grandes Instituições Financeiras

O Bank of America (BofA), por exemplo, embora sustente a premissa de que a política monetária restritiva justificaria um corte, admite que a elevação dos riscos associados ao petróleo, impulsionados pelo conflito no Oriente Médio, deve reduzir a magnitude desse corte.

O JP Morgan utiliza a expressão “incertezas significativas” para descrever a imprevisibilidade da duração e da escala dos impactos da guerra sobre os preços internacionais e sobre a cotação do real frente a outras moedas. Segundo a instituição, o Banco Central (BC) tenderá a optar por um corte de 0,25 ponto percentual. Essa medida permitiria ao BC honrar o compromisso sinalizado na reunião anterior de iniciar o ciclo de afrouxamento monetário, sem, contudo, negligenciar a necessidade de coletar mais dados antes de avançar com maior convicção em seu plano. Em relatório, a instituição pontuou que “embora choques externos possam produzir efeitos secundários na economia brasileira, seus contornos só se tornarão claros com o tempo e os dados, o que torna mais provável que o Banco Central reforce a dependência de dados nas decisões futuras, e mantenha um corte de 0,25 p.p.”.

Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú, projeta um aumento na estimativa de inflação, subindo de 3,2% para 3,4% no horizonte relevante, que se estende até o terceiro trimestre de 2027. Para Mesquita, embora essa piora não impeça o início da flexibilização monetária, a conjuntura exige um ajuste “mais comedido, de 25 p.b.”, visto que as projeções se aproximam do limiar do aceitável.

Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa macroeconômica do Banco Pine, corrobora a visão de cautela. Ele observa que a desaceleração da atividade econômica brasileira aumenta a probabilidade de o Copom agir com mais parcimônia, cortando apenas 0,25 p.p., mesmo identificando espaço para um corte mais amplo de 0,50 p.p.

O ASA também reviu suas projeções de inflação e de corte de juros, pautando-se nos riscos associados à alta das commodities energéticas, com destaque para o petróleo. A casa de investimento aponta que, mesmo que o BC avalie a curva da commodity e não apenas o preço spot, o recente aumento dos preços intensifica os riscos para a inflação doméstica. Isso ocorreria tanto diretamente, via preços dos combustíveis, quanto indiretamente, através de possíveis efeitos secundários nas expectativas e nos preços administrados. A estimativa do ASA para a inflação no horizonte relevante é de 3,6%, um patamar considerado distante do centro da meta oficial, o que reforça a conveniência de um início de ciclo monetário mais moderado.

Por fim, José Alfaix, economista da Rio Bravo, ressalta que o cenário interno, por si só, não justificaria a tamanha cautela. Contudo, a geopolítica se impõe como fator preponderante. Na sua avaliação, um corte menor, de 0,25 ponto percentual, desponta como o desfecho mais provável para a reunião do Copom.

A Vertente dos Cenários Mais Pessimistas: Manutenção da Selic

Em contraste com as expectativas de corte, a XP Investimentos adota uma perspectiva mais pessimista, revendo sua projeção de corte de 0,50 p.p. para a **manutenção da Selic em 15%**. A análise, elaborada pelo economista Caio Megale, indica uma piora do quadro inflacionário que vai além dos impactos do conflito. Ele menciona os indicadores de janeiro e fevereiro, que mostram uma aceleração da atividade econômica, após a queda no Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2025.

Megale aponta que o mercado de trabalho se mantém aquecido, e o consumo das famílias ainda demonstra robustez na demanda interna. Os dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o medidor da inflação oficial, também são relevantes em sua análise, com os núcleos de inflação apresentando taxas acima da meta e interrompendo a tendência de queda dos meses anteriores. A instituição ressalta que, apesar do aumento nos casos de recuperações judiciais e da atuação do câmbio como amortecedor na alta do petróleo, a XP projeta que o Copom manterá os juros inalterados até que o panorama geral se estabilize. Em relatório, Megale explicita: “Acreditamos que o Copom manterá a taxa Selic em 15,00% nesta semana. Nossa projeção anterior indicava um corte de 0,50 p.p.. O Comitê poderia optar por uma redução de menor magnitude (0,25 p.p.). Contudo, em nossa avaliação, dado o nível elevado da taxa Selic, esse pequeno ajuste faria pouca diferença para a economia e poderia transmitir um sinal menos claro aos mercados. Acreditamos que, se o Copom não estiver confiante para cortar a taxa de juros em 0,50 p.p., é melhor deixá-la inalterada e fazê-lo com mais embasamento em abril.”

Quem Ainda Aposta em Corte de Meio Ponto

Apesar da corrente majoritária inclinada à cautela, algumas instituições ainda mantêm a expectativa de um corte de 0,50 p.p. na Selic. Rodolpho Sartori, economista da Austin Rating, reconhece o cenário externo adverso, mas não enxerga razões para um corte menor. Ele avalia que “há espaço para corte de 0,50 p.p. e não será 0,25 p.p. a mais ou a menos que irá mudar o cenário”. A Austin Ratings mantém sua projeção de Selic ao final de 2025 em 11,50% e aguarda a divulgação do teor do comunicado do Copom para possíveis revisões.

Na mesma linha, a Warren Investimentos sustenta sua projeção de corte de 0,50 p.p., apesar da maior probabilidade de um Copom mais conservador. A casa defende que o Banco Central considerará os efeitos restritivos da política monetária já em vigor e que existe margem para iniciar o corte. Argumenta-se ainda que, caso o cenário negativo se concretize, o BC terá flexibilidade para suspender a calibração de juros. Atualmente, a Warren projeta cortes consecutivos de 0,50 p.p. até que a Selic atinja um patamar de 12%.

Essas revisões demonstram a complexidade da tomada de decisão do Comitê de Política Monetária frente aos múltiplos fatores que afetam a economia, conforme detalhado nos Relatórios de Inflação do Banco Central do Brasil, acessíveis em seu site oficial.

Projeções Comparativas para a Taxa Selic

A seguir, uma tabela consolidada com as projeções de diversas instituições, apresentando o corte esperado para a próxima reunião e a taxa Selic estimada para o final de 2026, com a indicação se a projeção foi revista ou mantida:

InstituiçãoCorte (p.p.)Selic ao fim de 2026 (%)MagnitudeRevisou
XP0,0013,00200sim
ASA0,2512,00300sim
BofA0,2511,75325sim
C60,2512,50250não
Forum0,2512,50300sim
G5 Partners0,2512,50250sim
Itaú BBA0,2512,25275sim
JP Morgan0,2511,75325sim
Pine0,2511,50350sim
Polo Capital0,2513,00200sim
Suno0,2512,50250sim
Austin Rating0,5011,50350não
Warren0,5012,00300não
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A iminente decisão do Copom sobre a taxa Selic é um ponto crucial que impactará o futuro econômico do Brasil. Fatores externos, especialmente o conflito no Oriente Médio e a volatilidade do petróleo, remodelaram as expectativas do mercado. Enquanto a maioria das instituições projeta um corte modesto ou até a manutenção dos juros, algumas ainda esperam uma redução mais significativa. Para ficar por dentro de todas as análises e desdobramentos sobre política econômica, continue acompanhando as novidades em nossa editoria de Economia.

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