A cidade de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, foi palco de um evento de profunda relevância ambiental e social durante a COP15 Brasil, a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres. No sábado, 28 de março de 2026, centenas de participantes convergiram para construir um legado palpável do encontro global: o estabelecimento de um novo bosque composto por árvores nativas e frutíferas. Esta ação simboliza o compromisso da convenção com a preservação da biodiversidade e a união entre a comunidade internacional e o meio ambiente local.
O ato de plantar árvores, mais do que uma atividade simbólica, representa o ponto central das discussões e deliberações que permearam toda a conferência. A secretária executiva da Convenção sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), Amu Fraenkel, enfatizou a importância da iniciativa, declarando que “Esse é o mais importante evento de toda a COP, porque a ação importa mais e é para que ela aconteça que nos reunimos. Tem um ditado antigo que diz pensar global e agir local e é o que estamos fazendo hoje, porque todos têm um papel a desempenhar para a proteção das espécies migratórias”. Suas palavras ressoaram com o espírito da COP15, que buscou catalisar esforços concretos em prol da conservação.
COP15 Brasil: Campo Grande avança na proteção de espécies migratórias
Profissionais de diplomacia, delegados de nações participantes, representantes de organizações ambientalistas focadas na conservação de diversas espécies, e residentes locais de todas as idades, vivenciaram uma verdadeira conexão com a terra e a natureza durante o plantio. A atividade esteve em perfeita sintonia com o tema central escolhido para a cúpula global: “Conectando a Natureza para Sustentar a Vida”. Este engajamento coletivo resultou na criação do “Bosque da COP15”, uma iniciativa que transcende a esfera diplomática e se enraíza profundamente na comunidade local.
A localização do novo Bosque da COP15 não foi escolhida ao acaso. De acordo com Sílvia Ray Pereira, bióloga e integrante da Gerência de Arborização da prefeitura local, a área selecionada é de grande importância estratégica para o planejamento e expansão das áreas verdes na cidade. “O Bosque da COP15 entra em um projeto que lançamos ano passado para a criação de miniflorestas onde há poucas árvores, principalmente praças, para que a gente concilie arborização urbana, saúde da população e ainda atenda os animais silvestres”, destacou a especialista, sublinhando os múltiplos benefícios que o projeto trará à qualidade de vida urbana e à fauna silvestre.
No total, 250 mudas de espécies variadas foram plantadas, abrangendo tanto a flora nativa do bioma Cerrado quanto espécies frutíferas. Entre as escolhas, destacam-se árvores como sapoti, pitanga, angico e, crucialmente, o manduvi. Esta última espécie possui um papel vital para a arara-azul, servindo como local primordial para a construção de seus ninhos. A bióloga Pereira explicou que a estratégia visa a “atrair a espécie que já está voltando a se aproximar da cidade. Tendo a expansão das áreas verdes com o manduvi, a arara-azul vai encontrar aqui um local seguro para fazer a nidificação”, reforçando o objetivo de criar um refúgio seguro para uma das espécies mais icônicas da fauna brasileira e símbolo da biodiversidade regional.
Debates e Deliberações da Plenária COP15
Na manhã anterior à cerimônia de plantio, a plenária preparatória para o dia final da COP15, marcado para domingo, 29 de março de 2026, dedicou-se à avaliação e discussão das inúmeras demandas apresentadas pelos países participantes. A quase totalidade dos mais de 100 itens da agenda obteve consenso para ser encaminhada à plenária de encerramento, evidenciando o esforço coletivo e a capacidade de diálogo entre as delegações. “Amanhã, na plenária final, elas serão oficialmente adotadas pela convenção”, afirmou João Paulo Capobianco, o presidente da COP15, com otimismo em relação aos resultados esperados.
O papel do Brasil nesta edição da conferência foi particularmente ativo. Entre as propostas lideradas ou ativamente apoiadas pelo país, destaca-se a aprovação de um abrangente Plano de Ação voltado para a Conservação dos Grandes Bagres Migratórios Amazônicos. Adicionalmente, o Brasil defendeu e obteve apoio para a promoção de ações concentradas e colaborativas a nível internacional, visando a conservação de duas importantes espécies de tubarões: o tubarão-mangona e o tubarão-peregrino, que enfrentam desafios significativos em seus ecossistemas.
Após a conclusão da plenária final, diversas espécies foram designadas para inclusão nas listas de proteção da Convenção de Espécies Migratórias (CMS), um marco significativo para a conservação global. Conheça as classificações:
- No Anexo I, que contempla espécies ameaçadas de extinção, foram adicionadas duas aves migratórias de grande fragilidade: o maçarico-de-bico-torto e o maçarico-de-bico-virado.
- O Anexo II, que abrange espécies demandando esforços internacionais coordenados de conservação, recebeu o peixe pintado (também conhecido como piraíba), o tubarão cação-cola-fina e o caboclinho-do-pantanal, uma ave endêmica.
- De forma mais abrangente, a ariranha e diversas espécies de petréis, ou grazinas, serão beneficiadas com a inclusão em ambos os anexos, reforçando sua proteção sob múltiplos ângulos da convenção.
É importante salientar que, nem todas as propostas foram aprovadas sem contestações. Um exemplo foi a iniciativa do Brasil de incluir o tubarão cação-anjo-espinhoso no Anexo II, que, por falta de consenso, teve sua proposta retirada temporariamente, permitindo a continuidade das avaliações e possíveis novas discussões em futuras sessões. Esses processos demonstram a complexidade das negociações internacionais e a necessidade de equilíbrio entre os interesses e dados científicos dos diferentes países signatários.
As deliberações e acordos estabelecidos na COP15 representam um avanço fundamental para a governança ambiental global, consolidando o compromisso das nações com a preservação de espécies migratórias. Estas espécies, por sua própria natureza, transpassam fronteiras e exigem uma coordenação internacional robusta para que suas rotas e habitats sejam protegidos. Para um maior aprofundamento sobre a necessidade de acordos internacionais e o contexto científico que fundamenta a proteção da fauna migratória, vale a pena consultar as diretrizes estabelecidas pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que oferece informações detalhadas sobre esses importantes trabalhos de conservação.
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A COP15 Brasil, sediada em Campo Grande, encerra-se com o plantio de um futuro mais verde e a renovação dos compromissos internacionais para a proteção da biodiversidade. As medidas adotadas e o engajamento de tantos participantes deixam uma marca indelével na luta pela conservação ambiental. Para continuar acompanhando as notícias e análises sobre questões ambientais, urbanismo e políticas públicas que impactam nossas cidades e o meio ambiente, explore nossa editoria de Cidades.
Crédito da imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
