Conselho Steve Jobs a Tim Cook na Apple: “Faça o Certo”

Economia

O legado de fundadores icônicos frequentemente ecoa por anos após sua saída da liderança, moldando o futuro de gigantes corporativas como a Meta de Mark Zuckerberg e a Berkshire Hathaway de Warren Buffett. Contudo, em uma das mais marcantes transições de poder no universo tecnológico, o conselho que Steve Jobs deu a Tim Cook na Apple foi um chamado direto à originalidade e autêntica liderança. Ao assumir a vultosa Apple, hoje avaliada em impressionantes US$ 3,83 trilhões, Cook recebeu de Jobs uma instrução inesperada: forjar seu próprio caminho, sem tentar replicar os passos do cofundador visionário.

Essa orientação, “Nunca pergunte o que eu faria, apenas faça o que é certo”, conforme relatado por Tim Cook em uma recente entrevista ao CBS Sunday Morning, revelou a profunda sabedoria de Jobs. Não era apenas uma questão de autonomia, mas um imperativo para que a empresa continuasse a inovar, longe da paralisia que a busca por um “modelo” de liderança preexistente poderia gerar. A mensagem era clara: a inovação e o progresso demandam uma visão fresca e corajosa, não a mera reprodução do passado.

Conselho Steve Jobs a Tim Cook na Apple: “Faça o Certo”

A gênese desse valioso conselho tem raízes na experiência de Steve Jobs com a Disney. Jobs, que também desempenhou papel fundamental na fundação da Pixar Animation Studios, após adquiri-la da Lucasfilm em 1986 e vendê-la posteriormente para a gigante do entretenimento em 2006, notou um padrão preocupante. Ele observou que a Disney passava por um período de estagnação, com líderes e equipes constantemente debatendo “o que Walt Disney faria”. Esse modelo de “paralisia” decisória era algo que Jobs ardentemente queria evitar para o futuro da Apple, conforme explicou Cook.

A transição de CEO na Apple representou um momento inédito. Anteriormente, as mudanças na liderança executiva da empresa ocorreram em cenários de crise ou “pânico”. Jobs, porém, vislumbrou uma abordagem diferente para sua sucessão. Ele convocou Cook à sua residência e lhe ofereceu o comando da companhia sem a exigência de emulação. “Nunca vou esquecer isso, e foi um grande presente para mim, porque tirou dos meus ombros essa pergunta: O que Steve faria?”, detalhou Cook, adicionando que sua energia então se voltou para “ser a melhor versão de mim mesmo”.

A Ascensão de Tim Cook e o DNA da Apple

Tim Cook integrou-se à equipe da Apple em 1998, após passagens notáveis pela Compaq e IBM. Sua chegada ocorreu menos de um ano depois do retorno de Jobs como CEO interino. A partir de 2000, Jobs assumiu a liderança permanente, enquanto Cook ascendeu rapidamente, culminando na posição de diretor de operações (COO) em 2005. Ao longo de quase três décadas na companhia, período que inclui anos sob a mentoria de Jobs até seu falecimento em outubro de 2011, Cook absorveu profundamente os pilares que sustentam a essência da Apple.

Mesmo incentivando Cook a seguir um caminho autoral, Jobs transmitiu princípios atemporais que continuam sendo centrais para a identidade da marca. Entre eles, destacou-se a visão da colaboração como um motor de resultados exponenciais, uma sinergia onde “um mais um é igual a três, não dois”. A troca e o debate de ideias, segundo Cook, são mecanismos pelos quais a inovação se aprofunda e se aperfeiçoa. A paixão e o engajamento de uma equipe disposta a se comunicar mesmo em horários incomuns são a base para o surgimento de “coisas incríveis”. Essa estratégia de constante discussão e aprimoramento em reuniões segue sendo uma pedra angular na cultura da Apple até os dias de hoje, conforme revelado pelo atual CEO.

Sob a batuta de Tim Cook, a Apple expandiu sua influência para além das bases tecnológicas. Ele priorizou desenvolvimentos significativos em áreas como acessibilidade, privacidade de dados e educação, reforçando um compromisso social que complementa o foco em produtos inovadores. Contudo, a cultura de colaboração intrínseca à gestão de Jobs ao longo de décadas permanece viva. Jobs também defendia a primazia do “foco”, explicando a importância de “dizer não a mil coisas para dizer sim àquilo que realmente importa”. Paralelamente, insistia em um nível de excelência onde “bom não é suficiente: tem que ser extraordinário”. Tais preceitos garantem que, mesmo sob uma nova liderança, a Apple mantenha seu diferencial e alta performance no mercado global.

Outros Ensinamentos Notáveis de Steve Jobs

Ao longo de sua vida profissional, Steve Jobs estendeu sua influência e aconselhamento a diversas figuras, desde jovens em início de carreira até líderes de companhias multibilionárias. Marc Benioff, CEO da Salesforce, é um desses exemplos. Em um podcast de 2024, Benioff narrou como Jobs o ajudou a superar um obstáculo empresarial ao sugerir três diretrizes ambiciosas: expandir o negócio em dez vezes em apenas dois anos, assegurar um cliente de grande porte para o produto de automação da Salesforce e construir uma economia de aplicativos.

A interpretação de Benioff de “economia de aplicativos” levou à criação do AppExchange, uma plataforma inovadora que mais tarde motivou o CEO da Salesforce a ceder à Apple a marca “App Store” e o domínio “appstore.com”, como reconhecimento pela assistência. “Esse conselho influenciou dramaticamente minha carreira e toda a minha vida”, declarou Benioff, ilustrando o impacto transformador das palavras de Jobs.

Howard Schultz, ex-CEO da Starbucks, também recebeu uma dose de conselho vigoroso e franco de Jobs durante um período de crise da cafeteria em 2008. Ao desabafar sobre os problemas de sua empresa, Schultz foi peremptoriamente instruído a demitir toda sua equipe de liderança, sob o argumento de que todos, eventualmente, deixariam a companhia em nove meses. Embora a ideia soasse “absurda” inicialmente, Schultz admitiu posteriormente que Jobs estava correto: todos os líderes, com exceção de um, de fato deixaram seus postos.

Para jovens aspirantes à grandeza e em busca de propósito profissional, Jobs também deixou uma lição primordial: faça o que você ama. Essa máxima se tornou um alicerce para o pioneiro da tecnologia em seus momentos de maior desafio, incluindo seu afastamento da própria empresa que fundou e crises que quase levaram a Apple à bancarrota. Em seu célebre discurso de formatura na Universidade Stanford, em 2005, Jobs sintetizou: “Seu trabalho vai ocupar uma grande parte da sua vida, e a única maneira de estar verdadeiramente satisfeito é fazer aquilo que você acredita ser um grande trabalho. E a única forma de fazer um grande trabalho é amar o que você faz”. Seu conselho ressoa como um guia atemporal para a satisfação profissional: “Se você ainda não encontrou isso, continue procurando – e não se acomode. Como em tudo que envolve o coração, você saberá quando encontrar”.

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A notável diretriz de Steve Jobs a Tim Cook para “fazer o que é certo” em vez de replicá-lo encapsula a essência da liderança inovadora. Desde a gestão colaborativa e o foco na excelência que impulsionaram a Apple a continuar, conforme demonstra seu expressivo valor de mercado — sobre o qual você pode ler mais em análises sobre o setor de tecnologia no mercado bilionário, até as orientações transformadoras para líderes como Marc Benioff e Howard Schultz, Jobs moldou uma filosofia que transcende o tempo. Para entender como esses princípios impactam o cenário corporativo atual e continuar a explorar análises sobre estratégia empresarial e cultura organizacional, convidamos você a permanecer conosco em nossa editoria. Continue acompanhando nosso blog para insights valiosos que podem inspirar seu próprio caminho na carreira e nos negócios.

Crédito da imagem: 2026 Fortune Media IP Limited

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