A Justiça do Paraná proferiu veredito de culpabilidade contra os acusados pelo assassinato do jornalista Cristiano Luiz Freitas, evento que marcou Curitiba em março de 2025. A decisão, aguardada com expectativa pela família, representa um passo fundamental na busca por justiça e elucida a trajetória de um profissional dedicado à comunicação. O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) considerou Jhonatan Barros Cardoso e Alisson Henrique de Cristo Gonçalves culpados pelo crime de extorsão qualificada com resultado morte, um desfecho que ecoa a dor e a perda, ao mesmo tempo em que sinaliza a atuação da máquina judicial.
A condenação trouxe um misto de alívio e reafirmação do luto para os familiares da vítima. Heloisa Camara, irmã de Cristiano, expressou publicamente seus sentimentos por meio de uma rede social. Em sua declaração, ela destacou a celeridade do processo judicial e a esperança de que a sentença seja aplicada de forma rigorosa, mantendo os condenados afastados do convívio social por um longo período. Heloisa reiterou que “Nada ameniza a saudade e a falta que sentimos de nosso amado irmão”, mas ressaltou que a medida judicial oferece um certo conforto ao saber que os responsáveis pelo crime não continuarão a gerar aflição na comunidade. Para compreender melhor os termos técnicos de condenações e o processo judicial no Brasil, pode-se consultar o portal do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Condenação Assassinos Jornalista Cristiano Freitas em Curitiba
O TJPR estabeleceu as penas de prisão para os dois réus. Alisson Henrique de Cristo Gonçalves foi sentenciado a 40 anos de reclusão, enquanto Jhonatan Barros Cardoso recebeu a pena de 37 anos, 9 meses e 10 dias. Embora a Justiça permita o direito de recurso, a sentença impôs que a revisão da decisão seja realizada em regime fechado, garantindo, provisoriamente, o afastamento dos condenados da sociedade. Até o momento, a defesa de Jhonatan e Alisson não foi identificada para manifestação sobre a decisão. A crueldade do assassinato em Curitiba chocou a comunidade, revelando os riscos envolvidos em aplicativos de relacionamento e a vulnerabilidade das vítimas.
O Impacto da Decisão Judicial e o Perfil da Vítima
Além de compartilhar a notícia da condenação, Heloisa Camara relembrou a essência do irmão. Ela descreveu Cristiano Luiz Freitas como uma figura de grande doçura e humanidade, especialmente em seu amor pelos animais e na dedicação irrestrita aos pais. Segundo Heloisa, o jornalista chegou a abdicar de avanços significativos em sua própria carreira profissional para prestar cuidados e assistência aos genitores, demonstrando um profundo senso de responsabilidade familiar. Essa devoção moldou parte de sua trajetória e revelou um aspecto da personalidade de Cristiano que o fazia renunciar a si mesmo em prol do próximo.
Cristiano Luiz Freitas possuía uma carreira notável no jornalismo. Graduado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) em 1999, ele também se especializou em Cinema pela Universidade Tuiuti do Paraná. Ao longo de sua vida profissional, atuou em diversas frentes da comunicação, produzindo conteúdo para veículos impressos, televisivos, radiofônicos e plataformas digitais. Sua habilidade se destacava em projetos voltados para o público infantojuvenil, área na qual foi um importante mentor para dezenas de repórteres mirins, especialmente durante sua passagem pelo jornal Gazeta do Povo. Esse legado educativo ressaltava sua capacidade de inspirar e formar novas gerações de comunicadores.
Após o falecimento de seus pais, o pai em 2009 e a mãe em 2024, Cristiano iniciava um novo ciclo, com planos de retomar suas atividades e expandir sua presença no campo da comunicação. “Estava retomando a carreira e a vida…”, enfatizou Heloisa, ao lamentar a interrupção abrupta dos sonhos do irmão. Ela destacou a extensa contribuição de Cristiano para o jornalismo e a cultura, mencionando seu trabalho com os “repórteres mirins da Gazetinha”, os milhares de artigos publicados e sua valiosa participação na produção cultural. Para sua irmã, Cristiano era, em sua essência, “um ser de luz”, cujo impacto se estendeu muito além do círculo familiar.
A Cronologia dos Fatos do Assassinato em Curitiba
O crime que vitimou Cristiano Luiz Freitas veio à tona em março de 2025, quando o jornalista foi encontrado sem vida em sua residência, em Curitiba. Ele estava com as mãos amarradas e amordaçado com uma fita, evidenciando a violência do ato. A descoberta ocorreu após vizinhos notarem a saída de um veículo do local, que deixou o portão da casa aberto. Momentos antes, ruídos e gritos haviam sido ouvidos, levando os vizinhos a acionarem a Polícia Militar (PM-PR), sob a suspeita inicial de uma ocorrência de violência doméstica. Essa mobilização inicial da vizinhança foi crucial para o início da investigação.
Os suspeitos do assassinato fugiram imediatamente após a consumação do crime. No entanto, a celeridade das investigações permitiu a prisão de Jhonatan Barros Cardoso, de 27 anos, apenas dois dias depois do incidente. Cerca de um mês e meio mais tarde, Alisson Henrique de Cristo Gonçalves, de 29 anos, também foi localizado e detido pelas autoridades, consolidando o inquérito policial. A identificação e captura dos envolvidos foram resultados do empenho das equipes de segurança, que seguiram diversas pistas para montar o cenário completo dos eventos que levaram à morte do jornalista.

Imagem: g1.globo.com
As investigações conduzidas pela polícia desvendaram que Cristiano conheceu Jhonatan por meio de um aplicativo de relacionamento. Ambos teriam marcado um encontro na residência da vítima. Imagens de câmeras de segurança próximas ao local registraram a chegada do criminoso. Nesses registros, é visível um carro prata, dirigido por Jhonatan, parando em frente à casa de Cristiano. O portão eletrônico se abre, e o veículo adentra a garagem. Em seguida, Jhonatan desce do automóvel e ingressa na residência. Aproximadamente dez minutos depois, as câmeras mostram o portão se abrindo novamente, e Jhonatan, então, entra no carro e deixa o local em fuga, consumando o crime e evidenciando a frieza do ato. Este detalhe forneceu provas contundentes para a condenação assassinos jornalista Cristiano Freitas.
O Histórico Criminal de Um dos Acusados
Durante o processo de investigação do caso de Cristiano Luiz Freitas, foi constatado que Jhonatan Barros Cardoso possuía um histórico criminal prévio. Ele tinha passagens policiais por roubo e extorsão, e as investigações revelaram que, ao menos, outras seis vítimas foram alvo de seus atos. O modus operandi de Jhonatan envolvia o uso de aplicativos de relacionamento para marcar encontros, seguido de ameaças — em algumas ocasiões, com a utilização de arma de fogo — para forçar as vítimas a realizarem transações financeiras via Pix. Este padrão criminoso delineou a natureza premeditada e violenta de suas ações.
Antes do assassinato que resultou na morte do jornalista Cristiano, Jhonatan Barros Cardoso chegou a ser detido em agosto de 2024, mas obteve liberdade no início de 2025, poucos meses antes do fatídico evento em março do mesmo ano. Sua libertação anterior é um ponto de análise sobre as lacunas no sistema judicial ou as condições que permitiram sua reincidência. Este histórico criminal, aliado às evidências do encontro por aplicativo e à fuga do local do crime, solidificou as acusações contra ele e Alisson, culminando na recente decisão do TJPR.
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A condenação dos assassinos do jornalista Cristiano Luiz Freitas em Curitiba encerra um capítulo doloroso para a família e para a sociedade, mas serve como um lembrete constante da necessidade de vigilância e da busca incansável por justiça. O legado de Cristiano, um “ser de luz” e comunicador exemplar, perdura na memória de colegas, familiares e de todos aqueles cujas vidas foram tocadas por seu trabalho. Para acompanhar outras notícias sobre segurança pública e desdobramentos de casos judiciais em diferentes regiões, continue navegando em nossa editoria de Cidades.
Crédito da imagem: Redes Sociais/RPC
