A partir desta quinta-feira, 1º de janeiro, Chipre assume a presidência rotativa do Conselho da União Europeia. A nação insular definirá uma agenda focada em temas cruciais como segurança, defesa do bloco, gestão de fluxos migratórios e o contínuo suporte à Ucrânia. Este movimento estratégico coincide com um período de alta complexidade geopolítica para Bruxelas, à medida que o conflito no Leste Europeu se estende por seu quarto ano, testando a unidade do bloco. Paralelamente a esta transição, a Bulgária, conhecida por ser o estado-membro com a economia mais fragilizada e com maiores índices de corrupção, realiza uma adesão histórica à zona do euro.
Esta é a segunda vez que Chipre desempenha o papel de presidente do Conselho da União Europeia, tendo sua primeira oportunidade após ingressar no bloco em 2004. Para além das prioridades delineadas em seu programa oficial, este pequeno território mediterrâneo será encarregado de articular a pauta para as reuniões ministeriais da União Europeia que ocorrerão entre janeiro e junho, e de liderar as negociações legislativas do bloco junto ao Parlamento Europeu.
Chipre assume Presidência da UE; Bulgária adota Euro
Dentre os tópicos de grande relevância, a administração cipriota enfrentará o desafio de formular uma resposta coesa, em nome de toda a União Europeia, ao plano de paz para a Ucrânia proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Recentemente, Trump reuniu-se com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em Mar-o-Lago, na Flórida, ocasião em que ofereceu garantias de segurança para a Ucrânia por um período de 15 anos. Segundo declarações de Zelensky, o plano, que abrange 20 pontos, alcançou um nível de acordo de 90%, embora Moscou já tenha indicado sua intenção de persistir no conflito.
No âmbito da segurança e defesa, o governo de Nicósia, sob a presidência de Chipre na UE, será responsável por implementar iniciativas estratégicas, incluindo o Livro Branco sobre a Defesa Europeia e o Roteiro para a Preparação da Defesa, projetado para vigorar até 2030. Adicionalmente, as negociações relativas ao futuro orçamento da União Europeia, que será apresentado no Quadro Financeiro Plurianual para o período de 2028 a 2034, constituem um dos principais desafios para o pequeno país insular durante sua gestão.
A presidência rotativa do Conselho representa uma chance singular para Chipre, que se posiciona entre os membros de menor porte da UE. Durante seis meses, o país terá sua esfera de influência expandida, ganhando a capacidade de moldar substancialmente a agenda europeia, promover seus próprios interesses e implementar sua visão estratégica. O presidente cipriota, Nikos Christodoulides, almeja capitalizar a posição de seu país no comando do bloco para aliviar tensões e superar impedimentos à cooperação com a Turquia. Tal estratégia busca o apoio de Ancara para a potencial adesão de Chipre à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Há aproximadamente duas décadas, Chipre ingressou na União Europeia após um extenso processo de negociações que se estendeu por 42 anos. Essa adesão singular resultou em Nicósia sendo a única capital europeia dividida do bloco. A ilha, estrategicamente localizada no Mediterrâneo, no cruzamento entre a Europa, Ásia e Oriente Médio, abriga duas distintas comunidades: a cipriota grega e a cipriota turca. Estas são separadas por uma zona tampão desmilitarizada que se estende por quase 180 quilômetros, cuja segurança e monitoramento são mantidos pela Força de Manutenção de Paz das Nações Unidas.
Enquanto a República de Chipre, situada na porção sul da ilha, detém reconhecimento da comunidade internacional e integra a União Europeia, a autoproclamada República Turca de Chipre do Norte permanece fora do bloco europeu. Em um desenvolvimento recente, os cipriotas turcos, que manifestam o desejo de ingressar na União Europeia, compareceram às urnas em outubro. A eleição resultou na vitória do líder de esquerda pró-europeu, Tufan Erhürman. Com um triunfo expressivo, o candidato de centro-esquerda comprometeu-se a pavimentar o caminho para novas negociações visando a reunificação da ilha, que permanece etnicamente segmentada entre gregos e turcos há meio século. Especialistas políticos interpretam a vitória de Erhürman como um novo alento para a perspectiva de paz em Chipre.
Após um período substancial de preparativos econômicos e gestão de riscos financeiros, a Bulgária concretiza sua entrada na zona do euro. Passados dezenove anos desde sua adesão ao bloco europeu, o euro é oficialmente a nova moeda búlgara a partir desta quinta-feira, 1º de janeiro. Os cidadãos búlgaros, assim, descontinuam o uso do “lev”, uma moeda instituída no final do século XIX, quando o país alcançou sua independência do Império Otomano, com sua versão moderna em circulação desde 1995.
A implementação tardia do euro na Bulgária pode ser atribuída a uma combinação de fatores, que incluem tanto crises globais, como a pandemia de Covid-19, quanto questões internas profundamente enraizadas, notadamente a corrupção. A menos de um mês da mudança monetária, manifestações massivas na capital, Sofia, desencadeadas por críticas às políticas econômicas governamentais e pela percebida ineficácia no combate à corrupção, culminaram na renúncia do então governo búlgaro. A Bulgária continua a ser reconhecida como a nação mais desfavorecida economicamente e uma das mais afetadas pela corrupção em toda a União Europeia, impactando diretamente o processo de integração do bloco. Para entender mais sobre a estrutura e os membros da União Europeia, você pode consultar o site oficial europa.eu.
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Em suma, este início de ano marca um momento crucial para a União Europeia, com Chipre assumindo a presidência do Conselho e a Bulgária integrando-se à zona do euro. As pautas de segurança, defesa, migração e o complexo cenário da Ucrânia dominarão a agenda sob a liderança cipriota, enquanto a entrada da Bulgária na moeda comum simboliza um avanço, mas também expõe os desafios contínuos relacionados à governança e economia dentro do bloco. Mantenha-se informado sobre os desenvolvimentos políticos e econômicos que moldam a Europa acompanhando nossa editoria de Política.
Crédito da Imagem: Foto: Antoine Schibler/Unsplash