Nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, a Lei do Salário Mínimo atinge um marco histórico de 90 anos desde sua criação em 1936. Diante desta data significativa, centrais sindicais de todo o país não apenas celebram a relevância dessa medida para os trabalhadores brasileiros, mas também reforçam a urgência em promover melhorias contínuas em seus mecanismos de reajuste. O debate atual se concentra em como assegurar que o valor-base da remuneração contribua efetivamente para a distribuição de renda e para a recuperação do poder de compra da classe trabalhadora.
Instituída por iniciativa do então presidente Getúlio Vargas, a Lei do Salário Mínimo rapidamente se estabeleceu como um pilar essencial na legislação trabalhista brasileira. Ao longo das décadas, sua função evoluiu, passando de um simples piso remuneratório para um instrumento vital na política econômica e social do país. Sindicatos e federações laborais defendem que o salário mínimo transcende a barreira salarial direta, impactando aposentados, pensionistas e estabelecendo um parâmetro crucial para diversas categorias profissionais sem piso próprio.
Centrais Sindicais Debatem Reajustes do Salário Mínimo
Para João Carlos Gonçalves, conhecido como Juruna, que atua como secretário-geral da Força Sindical, a relevância do salário mínimo é multifacetada. Ele enfatiza que o piso salarial não só serve de referência para trabalhadores sem acordos de categorias específicos, mas também atua como balizador para milhões de aposentados e pensionistas, consolidando-se como uma das ferramentas mais eficazes para a distribuição de renda no Brasil. Juruna recorda a incessante batalha travada pelas centrais sindicais no Congresso Nacional, que culminou na conquista de reajustes capazes de conferir aumento real ao salário mínimo, superando a mera reposição inflacionária.
Contudo, Gonçalves relembra que essa política de valorização com ganhos reais sofreu interrupção durante os mandatos dos presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro, período em que os ajustes ficaram limitados à inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). A boa notícia, segundo ele, é que a política de aumento real foi restabelecida na atual administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda que com balizadores considerados “um pouco menores” em relação a pleitos passados, mas ainda assim significativos para a categoria.
Ainda na visão do secretário-geral da Força Sindical, o futuro do salário mínimo depende do fortalecimento de campanhas salariais mais robustas. Isso, em sua perspectiva, teria um efeito cascata positivo, elevando os pisos de categorias diversas, incentivando o consumo interno e, consequentemente, impulsionando o Produto Interno Bruto (PIB) do país. Para Juruna, a sinergia entre sindicatos e trabalhadores é fundamental na busca pelo crescimento econômico nacional.
Em consonância com as preocupações sobre a adequação do salário mínimo, Ariovaldo de Camargo, secretário de Administração e Finanças da Central Única dos Trabalhadores (CUT), qualifica o valor atual para os trabalhadores da ativa como um “colchão” ou “referencial importante”, mas que ainda se encontra “aquém do necessário”. A reivindicação da CUT se concentra na implementação de uma política de recuperação mais acelerada para o salário mínimo.
Camargo defende a ideia de que o reajuste real deve transcender o escopo de uma mera política de governo e ser elevado à condição de política de Estado, garantindo sua continuidade independentemente das alternâncias no poder. Ele menciona que, após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016, o Brasil viveu um período de seis anos sem reposição salarial acima da inflação, e em certos momentos, até abaixo, o que representou uma “política descontinuada”. O objetivo primordial, na visão de Ariovaldo, é estabelecer um mecanismo de valorização perene, desvinculado das nuances políticas de cada administração.

Imagem: Rovena Rosa via agenciabrasil.ebc.com.br
A defesa pela manutenção e ampliação da política de valorização do salário mínimo também é ecoada por Ronaldo Leite, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). Leite classifica o salário mínimo como uma “garantia fundamental” para os trabalhadores, afirmando que a existência de um piso constitucional é o que assegura, minimamente, o poder de compra da classe trabalhadora.
Leite pontua que a atual gestão do governo Lula reativou a política de valorização que permite reajustes que ultrapassam os índices inflacionários. No entanto, o dirigente sindical também reconhece uma desvalorização acumulada ao longo dos anos, com o salário mínimo perdendo uma parcela considerável de seu poder de compra se comparado ao período de sua instituição. Para ilustrar essa defasagem, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) calcula que o valor ideal do salário mínimo no cenário atual estaria em torno de R$ 7.106,83. A CTB, portanto, reforça seu posicionamento pela continuidade e fortalecimento dessa política, visando à melhoria substancial nas condições de vida dos trabalhadores brasileiros.
A valorização do salário mínimo é um tema crucial que ecoa através das vozes dos representantes sindicais, que unanimemente apontam a necessidade de torná-lo um verdadeiro motor de progresso social e econômico. A busca por reajustes que superem a inflação e por políticas de Estado permanentes demonstra o compromisso contínuo dessas entidades com a defesa do poder aquisitivo e da dignidade dos trabalhadores, essencial para o desenvolvimento de um mercado interno robusto e de uma sociedade mais justa. A efetivação dessas melhorias exige um olhar atento às discussões econômicas e um comprometimento governamental em manter um piso digno para todos os brasileiros.
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O debate em torno do Salário Mínimo e seus reajustes continua sendo um pilar fundamental nas pautas das centrais sindicais brasileiras, evidenciando seu papel crucial na distribuição de renda e na manutenção do poder de compra. Para aprofundar seu entendimento sobre economia e políticas sociais que impactam diretamente a vida dos brasileiros, continue acompanhando as análises e notícias em nossa editoria de Economia.
Crédito da imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil
