Nesta quinta-feira (29), um casal preso por golpe de R$ 20 milhões no Brechó Desapego Legal marcou uma importante operação policial em São José dos Campos. A empresária Francine Prado e seu marido, Filipe Prado dos Santos, foram detidos no bairro Urbanova, sob a acusação de orquestrar um esquema de calotes milionários envolvendo a empresa que possuíam.
O brechó de luxo Desapego Legal operava predominantemente via plataformas digitais, com uma forte presença nas redes sociais. Chegou a ter uma estrutura física localizada em um edifício comercial no Jardim Aquarius, uma das áreas mais valorizadas de São José dos Campos. A empresa ostentava 212 mil seguidores no Instagram e mais de 31 mil publicações, onde se promovia como uma curadoria de itens de luxo, como bolsas e acessórios de grife, com preços que frequentemente ultrapassavam os R$ 20 mil por peça. O negócio se expandia por todo o Brasil através do envio de produtos. Contudo, as operações na sede física foram interrompidas no ano anterior devido a questões relacionadas ao não pagamento de aluguéis.
Casal Preso por Golpe de R$ 20 Milhões no Brechó Desapego Legal
As prisões de Francine Prado e Filipe Prado dos Santos ocorreram mediante o cumprimento de mandados temporários de prisão e de busca e apreensão. Tais ordens foram emitidas pela Justiça do Piauí, estado onde a ação penal correspondente está em andamento. A operação, que contou com a atuação da Delegacia de Investigações Criminais (Deic), localizou o casal em uma residência no Urbanova, encaminhando-os em seguida à delegacia. Durante a ação policial, um veículo pertencente aos investigados foi apreendido, corroborando as diligências que buscam esclarecer a extensão do esquema.
Origens da Investigação e Calotes Milionários
As primeiras denúncias que desencadearam a investigação surgiram em janeiro do ano anterior, após múltiplos relatos de clientes de diversas localidades do país. Essas vítimas alegaram ter confiado joias, bolsas e roupas de grife ao Desapego Legal para venda, mas nunca receberam os valores acordados nem a restituição dos bens. Inicialmente, o montante estimado dos prejuízos chegava a R$ 5 milhões, com quase uma centena de processos judiciais contra a empresa e inúmeros boletins de ocorrência registrados em vários estados brasileiros. Essa amplitude de queixas delineou o padrão dos calotes milionários que teriam sido aplicados pelo brechó.
Em janeiro de 2025, Francine Prado chegou a realizar uma transmissão ao vivo pelas redes sociais, na qual reconheceu a existência de “falhas administrativas”. Na ocasião, a empresária assegurou aos seguidores que os problemas seriam solucionados. Por outro lado, a defesa do casal sempre manteve a posição de que não houve intenção de fraude no decorrer das operações do Desapego Legal, atribuindo os impasses a dificuldades gerenciais e não a uma ação deliberada de engodo.
A Recuperação Judicial e a Dívida Estimada
Subsequentemente às prisões, a assessoria jurídica do casal informou que o brechó Desapego Legal havia entrado com um pedido de recuperação judicial. Tal solicitação, que visa a reestruturação da empresa para saldar suas dívidas, foi aceita pela Justiça. Segundo os advogados, a medida tem como principal objetivo ressarcir os credores impactados pelo negócio. No decorrer do processo de recuperação judicial, a empresa apresentou uma lista de credores que soma quase 700 indivíduos e empresas, com uma dívida total acumulada que atinge os R$ 20 milhões, um valor quatro vezes maior do que a estimativa inicial dos prejuízos.
Os advogados que representam Francine e Filipe também expressaram surpresa com as ordens de prisão temporária. A defesa alegou que a empresa estava seguindo rigorosamente todos os trâmites legais para solucionar as pendências financeiras e regularizar a situação. Eles reforçaram que a Sra. Francine da Costa Prado, o Sr. Felipe Prado dos Santos e a empresa Desapego Legal são clientes do escritório exclusivamente para as finalidades da ação de Recuperação Judicial. O processo, sob o número 1021498-82.2025.8.26.0577, tramita perante a 2ª Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem da 1ª RAJ – Foro Especializado da 1ª RAJ.

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Segundo a defesa, o processo de Recuperação Judicial prossegue seu curso normal, e a relação completa de credores foi devidamente apresentada nos autos. Os créditos serão tratados no âmbito do devido processo legal, em conformidade com a ordem e as condições estabelecidas pela legislação aplicável, garantindo aos credores o recebimento de seus haveres nos prazos e condições estipulados no plano já submetido. O Juízo competente já reconheceu o preenchimento dos requisitos legais previstos na Lei nº 11.101/2005, o que resultou no deferimento do processamento da Recuperação Judicial e na determinação do prosseguimento regular do feito.
Apesar da surpresa, a defesa confirmou o cumprimento do mandado de prisão temporária e que o casal se encontra à disposição da autoridade policial em São José dos Campos. Os advogados enfatizaram que seus clientes sempre compareceram às convocações judiciais e jamais se esquivaram de quaisquer atos processuais para os quais foram formalmente intimados. No momento, a impossibilidade de acesso físico ao mandado judicial e aos autos do procedimento criminal impede a prestação de informações adicionais. A defesa garantiu que esses detalhes serão fornecidos oportunamente, assim que houver acesso formal aos elementos do caso. Ambos, Filipe Prado dos Santos e Francine da Costa Prado, expressaram confiança no funcionamento regular das instituições e do Poder Judiciário, assegurando que os meios processuais cabíveis serão empregados, no tempo e na forma adequados, para a revisão da medida judicial de prisão.
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O desfecho do caso do Desapego Legal, que culminou na prisão do casal e na revelação de uma dívida colossal, evidencia a complexidade de golpes financeiros que exploram as redes sociais e o mercado de luxo. Acompanhe nosso blog na editoria de Economia para mais análises e atualizações sobre este e outros casos que impactam o cenário financeiro e judicial brasileiro.
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