O Canadá anuncia uma significativa remessa de auxílio para Cuba, totalizando 8 milhões de dólares canadenses (equivalente a US$ 6,7 milhões), destinada à ajuda alimentar. A iniciativa surge em um momento crucial, com a ilha caribenha mergulhada em uma crise de combustível cada vez mais grave e sofrendo os efeitos da redução nos embarques de petróleo, intensificada por ameaças tarifárias provenientes dos Estados Unidos.
A crise em Cuba, que tem se aprofundado progressivamente desde 2020, atinge patamares desesperadores nas últimas semanas. A diminuição drástica no fornecimento de petróleo da Venezuela, tradicionalmente o principal provedor da ilha, tem sido um dos fatores centrais. Essa interrupção veio após uma série de medidas e ações implementadas pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, em janeiro, visando o então presidente venezuelano, Nicolás Maduro, o que impactou diretamente a cadeia de abastecimento energético cubano. Produzindo apenas 40% do combustível de que necessita internamente, Cuba permanece altamente dependente de importações e, consequentemente, vulnerável a bloqueios externos e pressões políticas.
Canadá Envia Ajuda Alimentar a Cuba Diante de Crise
A postura do governo canadense foi publicamente endossada pela Ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand. Em suas declarações, reportadas pela agência Associated Press (AP), a ministra ressaltou que a decisão canadense não foi tema de discussão prévia com funcionários americanos, incluindo o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Anand reiterou que esta iniciativa representa a política externa do Canadá, que foca primordialmente na situação humanitária. Importante destacar que os recursos não serão repassados diretamente ao governo cubano, mas sim canalizados através de agências das Nações Unidas, garantindo que a assistência chegue de forma eficiente aos mais necessitados na ilha.
O órgão governamental canadense, Global Affairs Canada (Assuntos Globais Canadá), tem emitido alertas a viajantes por mais de um ano, sinalizando a escassez de itens básicos essenciais em grande parte de Cuba. A lista de produtos difíceis de encontrar inclui alimentos, medicamentos e, crucialmente, combustível. Aliados de Cuba, como Rússia e China, embora tenham publicamente condenado as medidas unilaterais dos Estados Unidos, limitaram seu apoio principalmente a gestos simbólicos, com pouca ajuda prática no combate à escassez material.
Além da Venezuela, o México, outro relevante fornecedor de petróleo para Cuba no passado, também suspendeu seus embarques. Esta decisão ocorreu sob intensa pressão do ex-presidente Trump, que havia manifestado a intenção de tarifar qualquer nação que transportasse petróleo para o território cubano. As consequências da crise de combustível têm se estendido a diversos setores da economia cubana, afetando inclusive o turismo, um pilar econômico vital para a ilha. Companhias aéreas canadenses, como a Air Canada, foram forçadas a cancelar voos para Cuba devido à severa falta de combustível de aviação. O Global Affairs Canada salienta a relevância do Canadá como a segunda maior fonte de investimento direto em Cuba, com interesses significativos em setores estratégicos como a mineração e o próprio turismo.
Paralelamente à ação canadense, o México enviou um segundo pacote substancial de ajuda humanitária a Cuba. Na terça-feira anterior ao anúncio canadense, dois navios da Marinha mexicana zarparam do porto de Veracruz, localizado no Golfo do México, carregando um total de 1.193 toneladas de suprimentos essenciais, conforme comunicado pela Secretaria de Relações Exteriores do México. A previsão de chegada para esta carga vital era o sábado seguinte. Detalhadamente, um dos navios transportava impressionantes 1.078 toneladas de feijão e leite em pó, enquanto a outra embarcação carregava 92 toneladas de feijão e mais 23 toneladas de outros alimentos variados.

Imagem: Franklin Reyes via valor.globo.com
Ainda de acordo com a Secretaria de Relações Exteriores mexicana, as últimas 23 toneladas de assistência humanitária foram resultado de doações de diversas organizações sociais, contando com o apoio ativo do governo da Cidade do México. Este não é o primeiro esforço mexicano; em fevereiro, o governo do México já havia remetido mais de 814 toneladas de alimentos e produtos de higiene para a ilha, em um período que também viu discussões diplomáticas em andamento para a eventual retomada do fornecimento de petróleo. A persistência da crise econômica cubana, em curso desde 2020, foi agravada severamente pelo endurecimento das sanções americanas. Essas sanções foram concebidas com o objetivo de pressionar e forçar uma mudança no modelo político de Cuba, culminando em escassez crítica e uma série de apagões severos, que atingiram o seu auge no início de 2026, gerando profundo impacto na vida dos cidadãos cubanos.
Para uma compreensão aprofundada sobre como a ajuda internacional se organiza e alcança as regiões mais necessitadas globalmente, você pode consultar o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários. Visite o site da OCHA para mais informações sobre a eficácia da ajuda humanitária.
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Em suma, a ação do Canadá de fornecer auxílio alimentar a Cuba sublinha a dimensão da crise humanitária enfrentada pela ilha. Junto com a assistência mexicana, estas iniciativas destacam a complexidade das relações internacionais e o impacto das sanções na vida de milhões. Para se manter informado sobre as últimas análises e desenvolvimentos em política global e outras notícias relevantes, continue explorando o conteúdo em nosso portal: Explore mais em Política.
Crédito da imagem: Valor Econômico
