Caminhos da Reportagem marca centenário da São Silvestre

Esportes

Neste ano, a Corrida de São Silvestre atinge um marco histórico com a sua centésima edição, reafirmando seu status como uma das mais célebres provas esportivas do cenário brasileiro. Para comemorar este grandioso centenário, o renomado programa “Caminhos da Reportagem” preparou um especial intitulado “100 vezes São Silvestre”. Este episódio inédito foi ao ar de forma excepcional na última segunda-feira, dia 29, às 22h30, na tela da TV Brasil, mergulhando na rica trajetória desta competição icônica que se consolidou ao longo de um século. A corrida, concebida em 1925 pelo visionário empresário e jornalista Cásper Líbero, transcendeu as décadas para se tornar não apenas um evento esportivo, mas um verdadeiro fenômeno cultural no Brasil e em toda a América Latina, atraindo a atenção e a participação de milhares de pessoas a cada virada de ano.

Desde suas origens, a prova conquistou o coração dos apaixonados por atletismo, coroando campeões memoráveis e gravando suas histórias nos anais do esporte nacional. A cada passagem de ano, as ruas da capital paulista são tomadas por uma onda de energia e entusiasmo, à medida que milhares de corredores, tanto profissionais quanto amadores, se unem para celebrar o esporte, a superação e o pertencimento. O documentário produzido pelo “Caminhos da Reportagem” resgata as vozes de grandes nomes do atletismo e figuras importantes, que compartilham suas perspectivas e recordações, enfatizando a relevância duradoura da São Silvestre para o patrimônio esportivo do país e sua influência em gerações de atletas e admiradores.

Caminhos da Reportagem marca centenário da São Silvestre

A inspiração para a Corrida de São Silvestre veio das vibrantes corridas de rua que Cásper Líbero testemunhou durante suas estadas em Paris. Naquela época, a capital francesa era um caldeirão de efervescência cultural e esportiva, e a ideia de transpor tal conceito para o cenário brasileiro germinou na mente do jornalista. A edição inaugural da São Silvestre, em 1925, contou com a participação de 48 atletas corajosos. Segundo Erick Castelhero, jornalista e diretor-executivo da prova, desde os primórdios, a corrida já carregava uma de suas marcas mais famosas, conforme detalhado em entrevista. A proposta original era intrinsecamente ligar a última noite do ano novo, promovendo uma celebração coletiva e um convite simbólico para um novo ciclo que se iniciava. Castelhero reflete que, talvez, Cásper Líbero não pudesse sequer vislumbrar a dimensão que a competição alcançaria, tornando-se o gigante que é hoje. Para saber mais sobre a história e os bastidores de um século de prova, vale consultar informações da Federação Paulista de Atletismo, a principal organização ligada ao esporte no estado, disponível em FPF Notícias.

As primeiras décadas da corrida foram dominadas exclusivamente por atletas brasileiros. Dentre os vencedores pioneiros, destaca-se Alfredo Gomes, o primeiro campeão. Gomes possuía uma trajetória notável: neto de pessoas escravizadas, ele também foi o primeiro atleta negro brasileiro a competir nos Jogos Olímpicos, um feito que ecoava a superação e o pioneirismo. Contudo, a prova passou por uma significativa transformação em 1945, quando a participação de corredores estrangeiros foi introduzida. Essa mudança, embora tenha elevado o nível de competitividade e o prestígio internacional da São Silvestre, também iniciou um longo período de quase quatro décadas sem vitórias brasileiras na categoria principal.

O jejum brasileiro foi gloriosamente rompido em 1980, com a memorável e histórica vitória de José João da Silva. Competindo pelo São Paulo Futebol Clube, Silva assumiu a liderança nos últimos metros da prova, garantindo um título que reverberaria por todo o país. Ao relembrar o momento, ele confessa não ter tido a exata noção do tamanho de sua conquista: “Ali eu não tinha ideia, para te falar a verdade, do tamanho da vitória. Parou o país, foi uma Copa do Mundo. Essa vitória foi um marco grande”. Cinco anos após essa consagração, José João da Silva voltaria a erguer o troféu da São Silvestre, entrando para o seleto grupo de atletas brasileiros que conseguiram a proeza de vencer a corrida mais de uma vez, solidificando seu nome na galeria de lendas da competição.

O crescente prestígio e o elevado nível técnico da São Silvestre rapidamente atraíram talentos de diversas partes do globo, tornando-a um palco para grandes atletas internacionais. Uma dessas figuras notáveis foi a mexicana María del Carmen Díaz, que conquistou o tricampeonato da prova em 1989, 1990 e 1992. Para sua preparação, María treinava em uma altitude desafiadora, em uma região de vulcões próxima à sua cidade natal, Toluca. Sua primeira vitória, em 1989, foi particularmente exigente, pois a corrida foi disputada no período da tarde, sob um calor intenso de 30 graus na cidade de São Paulo. A atleta mexicana guarda com imenso carinho as recordações do caloroso apoio do público brasileiro nas ruas: “Eu realmente admiro o público brasileiro porque, como sempre disse, fui mais reconhecida em outro país do que no próprio México. Sinto orgulho porque há corredoras, corredores e crianças que me dizem que, por minha causa, praticam esportes e gostam de corridas”, emocionada. Seu depoimento destaca não apenas a intensidade da competição, mas também o impacto cultural e inspirador da corrida e seus campeões.

Foi somente a partir da 51ª edição, um marco significativo na história da Corrida de São Silvestre, que a modalidade feminina foi oficialmente incorporada ao evento, oferecendo às mulheres um espaço tão merecido. Dentre as lendas femininas que surgiram, destaca-se a portuguesa Rosa Mota, a maior vencedora da categoria. Com um impressionante histórico de seis títulos consecutivos, Mota não só demonstrou um domínio incomparável, mas também serviu de inspiração para gerações de jovens atletas femininas ao redor do mundo, que sonhavam em seguir seus passos e deixar suas próprias marcas no asfalto.

No Brasil, uma dessas inspirações ganhou vida através de Maria Zeferina Baldaia. Enquanto criança, Maria Zeferina assistia às vitórias triunfantes de Rosa Mota pela televisão, alimentando um desejo ardente de se tornar uma atleta profissional. Contudo, o caminho para realizar o sonho de vencer a São Silvestre foi permeado por imensos desafios. “Eu corri durante 15 anos descalça porque eu não tinha tênis, meus pais não tinham condições de comprar e mesmo assim eu continuei correndo. Eu tinha o objetivo de ajudar minha família”, relata Baldaia, ilustrando a resiliência e a determinação que a impulsionaram. Treinando assiduamente nos vastos canaviais de Sertãozinho, uma cidade no interior de São Paulo, Maria Zeferina deu os primeiros e decisivos passos que culminariam em sua inesquecível vitória na São Silvestre de 2001. Esse triunfo não transformou apenas a vida de sua família, mas também fortaleceu de forma significativa a cultura esportiva em sua comunidade, que hoje orgulhosamente conta com um centro olímpico que leva o seu nome, um testemunho vivo de seu legado. “E hoje eu poder estar fazendo o que eu ainda faço, que é correr e poder treinar e ver as crianças, jovens e adultos, isso não tem preço”, conclui, expressando a profunda satisfação em ver seu impacto perdurar.

Ao longo de todo um século, a São Silvestre consolidou-se também como um verdadeiro fenômeno popular, transcende o caráter competitivo. Milhares de atletas amadores, vindos de todos os cantos do país, se reúnem anualmente na Avenida Paulista, em São Paulo, para um ritual que celebra muito mais que o fim de ano. Eles celebram a superação de seus próprios limites, a persistência e uma paixão incondicional pela corrida, transformando o evento em uma grande festa da cidadania e do esporte.

Entre esses apaixonados pela Corrida de São Silvestre, destaca-se a figura carismática de Ana Garcez, amplamente conhecida na comunidade do atletismo como Ana Animal. Com sua personalidade irreverente e uma lista impressionante de resultados notáveis, Ana Animal simboliza a força transformadora do esporte. Apesar de ter enfrentado um período de moradia nas ruas, hoje ela tem a oportunidade singular de percorrer essas mesmas vias, não como moradora de rua, mas como atleta, celebrando a corrida como um propósito central e redentor em sua vida. “A corrida me trouxe perseverança, me trouxe alegria. Se não fosse a corrida, hoje eu não estava falando aqui com você”, reflete Garcez, emocionada, sobre o impacto profundo que o atletismo teve em sua jornada, moldando sua perspectiva e oferecendo-lhe um novo caminho.

Para marcar de forma grandiosa este centenário especial, a São Silvestre deste ano está sendo preparada para ser a maior edição de toda a sua história. A expectativa é que aproximadamente 55 mil participantes tomem as ruas, um recorde de adesão. A prova oferecerá categorias distintas para homens, mulheres e pessoas com deficiência, reafirmando seu compromisso com a inclusão. Além disso, o evento contará com a São Silvestrinha, uma iniciativa emocionante que reúne cerca de dois mil jovens e adolescentes de diversas regiões do país. Este evento dedicado à juventude desempenha um papel fundamental na formação de uma nova geração de apaixonados pela corrida, garantindo a continuidade do legado e da paixão pela São Silvestre por muitos anos vindouros.

Confira também: Imoveis em Rio das Ostras

O especial do “Caminhos da Reportagem” sobre o centenário da São Silvestre não apenas honra um século de história e superação, mas também reafirma a relevância da corrida no cenário esportivo e cultural brasileiro. Esta edição especial destaca as raízes do evento e o espírito de cada atleta, inspirando novos participantes a integrarem essa jornada lendária. Para ficar por dentro de outras análises e notícias do mundo esportivo, continue navegando em nossa editoria de Esporte e acompanhe as histórias que marcam o nosso país.

Crédito da Imagem: Arquivo Histórico Clube Esperia/Divulgação

Deixe um comentário