BYD e Amado Batista na Lista de Trabalho Escravo do MTE

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BYD e Amado Batista na Lista de Trabalho Escravo do MTE: O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) anunciou nesta terça-feira, 7 de abril de 2026, a inclusão de 169 novos empregadores no Cadastro de Empregadores que expuseram trabalhadores a condições análogas à escravidão. Essa atualização semestral, divulgada nos meses de abril e outubro, tem como objetivo principal amplificar a visibilidade das iniciativas de combate ao trabalho degradante no país. Com a recente adição, o total de nomes na lista aumentou para 613, representando um crescimento de 6,28% em comparação com a atualização anterior do cadastro.

Entre os destaques da mais recente lista de trabalho escravo do MTE, figuram a gigante montadora chinesa BYD e o renomado cantor e empresário Amado Batista. Ambos foram autuados após fiscalizações que identificaram violações sérias das leis trabalhistas, resultando em submissão de funcionários a regimes de trabalho forçado e condições precárias.

BYD e Amado Batista na Lista de Trabalho Escravo do MTE

A montadora BYD, que estabeleceu sua primeira fábrica de veículos elétricos e híbridos no Brasil, no complexo fabril de Camaçari, Bahia — antigo terreno da Ford —, foi incluída após uma detalhada série de diligências fiscais. Inaugurada em outubro de 2025, com um investimento de R$ 5,5 bilhões, a planta da BYD foi alvo de inspeções intensivas do MTE, através da Fiscalização do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho na Bahia (SRTE/BA), que ocorreram entre dezembro de 2024 e maio de 2025.

Em uma das ações mais críticas, realizada em 19 de dezembro de 2024, as autoridades identificaram um total de 471 trabalhadores chineses que haviam sido trazidos para o Brasil de maneira irregular. Destes, chocantes 163 foram resgatados de condições consideradas análogas à escravidão. As investigações subsequentes, que incluíram a coleta de depoimentos, análise de documentação empresarial e outras diligências investigativas, apontaram para a responsabilidade direta da BYD na vinda e submissão desses trabalhadores. Concluiu-se que, apesar de contratos com terceiros, os trabalhadores estavam, na prática, sob subordinação direta da montadora, caracterizando relação de emprego, conforme o Artigo 3º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A Fiscalização do Trabalho e a Responsabilidade da BYD

A Auditoria Fiscal também revelou indícios contundentes de fraude às autoridades migratórias brasileiras, perpetrada pela própria BYD, visando facilitar a entrada desses trabalhadores estrangeiros no país sem o registro adequado e em clara violação da legislação vigente. Um auto de infração de peso foi emitido, tratando da manutenção de trabalhadores em condições totalmente incompatíveis com as normativas de proteção ao trabalho, evidenciando tanto o trabalho forçado quanto a redução à condição análoga à escravidão. A equipe de fiscalização embasou sua constatação na identificação de três pilares principais: a imposição de trabalho forçado, a existência de condições degradantes e a prática de jornada de trabalho exaustiva.

Condições Degradantes Encontradas

Os relatos da fiscalização detalham cenários alarmantes nas instalações e alojamentos em Camaçari. Os trabalhadores viviam e atuavam sob condições de extrema precariedade. Dormiam em camas desprovidas de colchões e não tinham armários, sendo forçados a guardar seus pertences pessoais, ferramentas e até mesmo alimentos — crus e cozidos — em meio à desorganização e à falta de higiene. A situação sanitária era crítica; em um dos alojamentos, havia um único banheiro para 31 pessoas, forçando-os a acordar às 4h da manhã para conseguirem se preparar para o dia de trabalho.

As áreas de cozinha operavam em ambientes insalubres, com alimentos armazenados perigosamente próximos a materiais de construção. Somente um dos alojamentos possuía um refeitório improvisado, o que compeliria a maioria dos operários a realizar suas refeições em suas próprias camas. Além disso, a água para consumo era fornecida diretamente da torneira, sem qualquer tipo de tratamento que garantisse sua potabilidade.

BYD e Amado Batista na Lista de Trabalho Escravo do MTE - Imagem do artigo original

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

Jornadas Exaustivas e Riscos à Segurança

As jornadas de trabalho eram desumanas, com, no mínimo, 10 horas diárias, e a recusa da concessão de folgas regulares era uma prática comum. Um trabalhador que sofreu um acidente no local reportou estar sem descanso há 25 dias ininterruptos. Durante a inspeção, diversos riscos graves à saúde e segurança foram evidenciados, culminando no embargo de escavações de grande profundidade e na interdição parcial de um alojamento, assim como de uma serra circular de bancada, pela flagrante ausência de dispositivos de proteção. Também foi verificada restrição severa à liberdade de locomoção dos trabalhadores, que necessitavam de autorização expressa até mesmo para se dirigir a um mercado. Em janeiro deste ano, a BYD firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT), estabelecendo o valor de R$ 40 milhões.

O Caso Amado Batista

Paralelamente, o nome do conhecido cantor Amado Batista, que também atua como empresário do agronegócio, foi adicionado à lista do MTE após fiscalizações realizadas em 2024. As inspeções resultaram em autuações por condições análogas à escravidão, afetando 10 trabalhadores no Sítio Esperança e mais 4 no Sítio Recanto da Mata. Os relatórios indicaram que esses trabalhadores eram submetidos a jornadas exaustivas e viviam em alojamentos considerados precários, refletindo um quadro de exploração trabalhista.

De acordo com informações divulgadas pela assessoria do artista e empresário, após a fiscalização do MTE no ano de 2024, Amado Batista também formalizou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT). Segundo sua assessoria, todas as obrigações trabalhistas decorrentes das autuações já teriam sido devidamente quitadas.

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A inclusão da BYD e de Amado Batista na lista semestral do MTE ressalta a continuidade dos esforços do governo federal em fiscalizar e punir práticas abusivas no mercado de trabalho, combatendo o trabalho análogo à escravidão em suas diversas manifestações, desde grandes corporações multinacionais a figuras públicas no agronegócio. Manter-se informado sobre a lista do MTE e casos de abuso é crucial para a defesa dos direitos trabalhistas. Para mais notícias e análises sobre o universo das personalidades e como elas interagem com as notícias do país, clique aqui e explore nossa editoria de Celebridade.

Crédito da Imagem: Wellyngton Souza/Sesp-MT

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