Brasil não forneceu urânio ao Irã; falsas mensagens circulam

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Mensagens falsas disseminadas em plataformas digitais têm afirmado que o Brasil não forneceu urânio ao Irã. A circulação desses posts enganosos reativou alertas de checagem, que reforçam a inveracidade das alegações sobre uma suposta venda de material nuclear do Brasil para o país do Oriente Médio. Autoridades brasileiras e o órgão binacional de controle confirmam a inexistência de tal transação, classificando a informação como #FAKE.

A retomada dessas publicações ocorreu notavelmente nesta segunda-feira, 2 de dezembro, no X (antigo Twitter). Posts como “Talvez tenha a ver com o Urânio, que dizem que o Brasil vendeu ao Irã…” e “Quem vendeu Urânio para o Irã e ajudou esse país a se armar e causou todas essas guerras?” viralizaram. Tais comentários surgem em meio a um cenário de escalada de tensões e confrontos diretos entre Estados Unidos, Israel e Irã, que teve um de seus ápices em um ataque deflagrado no sábado, 28 de novembro. O ex-presidente Donald Trump chegou a afirmar que a destruição do programa nuclear iraniano seria o principal objetivo americano e israelense, acusando o Irã de usar o enriquecimento de urânio para desenvolver armas nucleares, algo que o regime iraniano consistentemente nega.

Brasil não forneceu urânio ao Irã; falsas mensagens circulam

Desde junho de 2025, logo após outro período de enfrentamento militar na região, o programa Fato ou Fake já havia desmentido mensagens análogas. A plataforma de checagem, por exemplo, negou a afirmação de que “É #FAKE que Netanyahu acusou ‘país do Ocidente’ de fornecer material nuclear ao Irã”, em relação a alegações falsas semelhantes. As recentes averiguações reafirmam o cenário de que o Brasil não forneceu urânio ao Irã.

Desmentidos Oficiais e Documentação Inexistente

Para refutar definitivamente as novas ondas de desinformação, o Fato ou Fake realizou uma nova consulta às entidades responsáveis pelo controle nuclear no Brasil: o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC). Ambas as instituições, que já haviam negado as alegações em 2025, reiteraram suas posições. Em um comunicado via e-mail, um representante da ABACC declarou categoricamente: “Confirmo a declaração que fiz no ano passado sobre a mesma questão. Não consta no nosso banco de registros de contabilidade nuclear qualquer transferência de material nuclear do Brasil para o Irã.”

O Ministério de Minas e Energia, por sua vez, reforçou a validade da nota oficial publicada anteriormente, declarando que “a nota publicada em junho de 2025 continua válida”. No teor daquele documento, o MME especificava que “não houve qualquer venda de urânio para o Irã e que nenhuma de suas empresas vinculadas têm relações com o país, no campo da exportação de urânio, seus concentrados ou derivados.” Além disso, o comunicado ressaltava que a “comercialização de urânio […] é competência exclusiva do Estado, sendo que a exportação depende de prévia autorização” e que “Toda a produção nacional é utilizada para atender às necessidades das usinas Angra 1 e 2, no Rio de Janeiro, operadas pela Eletronuclear.”

Compromissos Internacionais e Legalidade Brasileira

A postura brasileira no cenário nuclear internacional é regida por estritos compromissos. O MME afirmou em sua nota que “o Brasil é signatário de múltiplos tratados e acordos que regem suas atividades nucleares e impedem o fornecimento de material para fins não pacíficos.” Isso está em conformidade com o que dita a Constituição Federal Brasileira, que concede à União o monopólio exclusivo sobre todas as etapas que envolvem minérios nucleares: “pesquisa, lavra, enriquecimento, reprocessamento, industrialização e comércio”. Esse rigor legislativo e diplomático garante que o país aja em alinhamento com a política global de não proliferação nuclear.

Em junho de 2025, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) também divulgou uma nota oficial, intitulada “Brasil não vende urânio para uso bélico”, reforçando que “Diferentemente do que tem sido alegado em posts que viralizaram, a INB [Indústrias Nucleares do Brasil] não tem qualquer negócio com o Irã ou jamais teve.” A Indústrias Nucleares do Brasil é a única empresa pública nacional autorizada a atuar na extração e processamento de urânio em território brasileiro, tornando ilegal qualquer exploração da atividade sem sua participação. Dessa forma, é evidente que as alegações de que o Brasil não forneceu urânio ao Irã são totalmente infundadas.

Diante do título da nota da Secom, que fazia referência ao “uso bélico” do urânio, foi questionado às autoridades se, em algum momento, o Brasil teria vendido o minério ao Irã com propósitos pacíficos. A resposta, clara e inequívoca, confirmou: “Nunca houve qualquer venda de urânio para o Irã.” A única transação internacional registrada, segundo a INB, foi a venda de urânio para a Argentina, destinada exclusivamente à geração de energia elétrica. Esta operação foi realizada sob total conformidade com os marcos legais e as autorizações da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), em respeito aos acordos internacionais firmados pelo Brasil. Na atualização mais recente desta checagem, a Secom ainda não havia respondido a um novo contato realizado.

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Em suma, todas as evidências e declarações oficiais por parte do Ministério de Minas e Energia, da ABACC e da Secom corroboram a falsidade das mensagens sobre uma suposta venda de urânio do Brasil para o Irã. As regulamentações rigorosas do país e seus acordos internacionais asseguram que tais transações seriam inviáveis e não ocorreram. Mantenha-se informado sobre notícias importantes e verificadas. Explore mais análises aprofundadas em nossa editoria de Política para continuar por dentro dos fatos.

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