A presença do crime organizado no Brasil ganhou projeção internacional, com o país ascendendo significativamente no Índice Global de Crime Organizado 2025. O relatório, divulgado na última segunda-feira, dia 10 de julho, pela Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC), posicionou o Brasil como o 14º país mais afetado por essas redes ilícitas em escala mundial.
Esta nova colocação representa um salto de oito posições, visto que, na edição anterior do levantamento, a nação figurava na 22ª posição. A elevação reflete uma dinâmica alarmante, caracterizada pela expansão das facções criminosas e uma percebida diminuição na capacidade do Estado para combatê-las efetivamente. A análise da GI-TOC avalia 193 nações, considerando a intensidade da criminalidade presente e a resiliência institucional de cada governo frente a esse cenário desafiador.
Brasil e o Crime Organizado: País sobe para 14ª Posição Global
Embora o panorama geral apresente desafios, notou-se uma leve melhoria na resiliência institucional do Brasil, que avançou da 94ª para a 86ª posição global. Contudo, essa evolução foi insuficiente para retirar o país da categoria de alta criminalidade e baixa resistência, colocando-o em um grupo semelhante a nações como México, Rússia e Etiópia. Essa categorização sublinha a urgência de fortalecer as estruturas estatais para fazer frente ao avanço das organizações criminosas.
Um dos aspectos mais preocupantes destacados pelo estudo é a infiltração de redes criminosas em diversas estruturas do Estado brasileiro, um fenômeno que não é exclusivo do Brasil, sendo observado em aproximadamente 80 países analisados. Em muitas dessas situações, as organizações criminosas conseguem exercer uma influência considerável sobre órgãos de segurança, sistemas judiciais e governos locais. Essa interferência direta mina a eficácia das políticas públicas, corrompe o aparelho estatal e consolida o controle das facções sobre vastos territórios, comprometendo a soberania e a segurança pública.
O relatório enfatiza que o mercado de drogas continua sendo o pilar central das atividades do crime transnacional. Observa-se uma notável expansão no tráfico de cocaína e drogas sintéticas. Enquanto isso, o consumo de maconha, embora ainda elevado, demonstra um declínio gradual, acompanhado pela diminuição no uso de heroína. Paralelamente, cresce de forma preocupante o número de laboratórios clandestinos dedicados à produção de substâncias sintéticas em diversas partes do globo, indicando uma reconfiguração do cenário das drogas.
Segundo a GI-TOC, a América do Sul assume uma relevância estratégica fundamental na conformação da nova rota global da cocaína. Regiões como o Brasil, a Colômbia e a Bolívia tornam-se polos centrais nessa teia complexa, impulsionada por alianças estratégicas entre cartéis latino-americanos e grupos criminosos atuantes na Europa, África e Ásia. Essa cooperação transcontinental permite uma capilaridade sem precedentes, dificultando a interceptação e o combate.
Contrastando com o modelo tradicional do tráfico de cocaína, o mercado de drogas sintéticas distingue-se pela agilidade operacional e uma estrutura mais descentralizada. Centros de produção dessas substâncias são frequentemente localizados em proximidade aos mercados consumidores, otimizando a logística e reduzindo significativamente os custos de operação e os riscos envolvidos para os grupos criminosos. Essa flexibilidade representa um desafio adicional para as autoridades que buscam conter sua proliferação.
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Para além do narcotráfico, o estudo aponta para o crescimento exponencial de outros tipos de atividades ilícitas. Os crimes financeiros, cibernéticos e a falsificação despontam como áreas de alta rentabilidade e menor risco percebido pelos criminosos. A falsificação de produtos, por exemplo, tem experimentado uma expansão notável, em parte impulsionada pela inflação global e pela desaceleração econômica. Estes fatores incentivam o consumo de mercadorias mais baratas e frequentemente irregulares, criando um terreno fértil para a atuação dessas redes.
Os pesquisadores também alertam para uma preocupante tendência de crescente cooperação entre criminosos e agentes privados. Este cenário é agravado pelo enfraquecimento da coordenação internacional em temas de segurança e combate ao crime. Com o aumento do unilateralismo e o recrudescimento de rivalidades entre potências globais, as redes ilícitas encontram novas brechas e oportunidades para ampliar suas operações e consolidar sua presença em uma escala global, explorando as fissuras nas respostas multilaterais.
A Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional conclui que o avanço do crime organizado, tanto no Brasil quanto em outras economias emergentes, é um reflexo direto da erosão da confiança nas instituições públicas e da falta de estratégias articuladas para segurança e combate à corrupção. O estudo adverte que países como o Brasil correm o risco iminente de normalizar a presença de facções dentro da própria estrutura estatal, fomentando um ambiente onde a violência e a economia ilegal passam a ser aceitas como elementos integrantes da vida cotidiana, com consequências devastadoras para a sociedade.
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A ascensão do Brasil a uma posição tão alta no ranking de países mais impactados pelo crime organizado ressalta a complexidade e a urgência de uma resposta coordenada. Entender esses dados é o primeiro passo para o desenvolvimento de políticas públicas eficazes e o fortalecimento das instituições. Para continuar acompanhando as análises e notícias sobre os desafios enfrentados pela nação, explore mais conteúdo em nossa categoria de Análises e mantenha-se informado.
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