O mercado financeiro brasileiro celebrou uma jornada de otimismo nesta sexta-feira, culminando em um novo recorde para a Bolsa de Valores, que supera 178 mil pontos. Este desempenho notável não só quebrou recordes sucessivos como também garantiu ao Ibovespa a sua semana mais favorável desde abril de 2020. Enquanto isso, o dólar manteve-se em relativa estabilidade, consolidando-se abaixo da marca de R$ 5,30 após oscilações observadas em sessões anteriores, refletindo uma dinâmica econômica complexa e atrativa para investidores internacionais.
Este avanço significativo na bolsa reflete um cenário de crescente confiança dos investidores e um fluxo notável de capitais para o país. Os ativos brasileiros têm atraído a atenção global, impulsionados por uma conjunção de fatores internos e externos que têm redefinido as expectativas de mercado. A euforia que impulsionou o índice Bovespa para patamares históricos nesta sessão destaca a robustez e o dinamismo que caracterizaram as operações da B3, a bolsa de valores do Brasil, ao longo da semana.
Bolsa de Valores Supera 178 Mil Pontos e Marca Melhor Semana
Na sessão desta sexta-feira, 23 de janeiro, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa, operado pela B3, fechou o pregão com expressiva valorização de 1,86%, alcançando os 178.858 pontos. Ao longo do dia, o indicador chegou a experimentar picos ainda maiores, ultrapassando a barreira dos 180 mil pontos e registrando uma alta momentânea de 2,38% por volta das 17h31. Contudo, nas últimas horas de negociação, observou-se uma desaceleração, quando investidores aproveitaram o cenário de alta para realizar lucros e comercializar ações, assegurando os ganhos recentes. Essa movimentação, comum em períodos de forte valorização, não ofuscou o desempenho geral e a importância do marco atingido pelo Ibovespa no contexto do mercado nacional.
Desempenho Consistente: A Melhor Semana do Ibovespa Desde 2020
O encerramento da semana foi marcado pelo quarto recorde consecutivo da Bolsa brasileira, evidenciando uma sequência de resultados positivos sem precedentes nos últimos tempos. Em um balanço geral, o índice registrou um impressionante salto de 8,53% em apenas cinco dias úteis. Essa performance notável se configurou como a mais robusta para uma semana de negociações desde 9 de abril de 2020. Naquele período, há quase quatro anos, o Ibovespa havia experimentado um crescimento ainda maior, de 11,71%, em um movimento de recuperação intensiva que seguiu as bruscas quedas deflagradas pelo início da pandemia da covid-19. A atual valorização reflete um ambiente de mercado mais maduro e resiliente, impulsionado por uma série de fatores econômicos positivos e a confiança renovada dos participantes do mercado financeiro.
A euforia observada no mercado acionário, entretanto, não encontrou um espelho idêntico no mercado de câmbio. Após dois dias de declínio acentuado, o dólar comercial registrou uma leve alta de 0,05% nesta sexta-feira, 23 de janeiro, fechando o dia cotado a R$ 5,287. Pela manhã, a moeda chegou a se aproximar dos R$ 5,30, em uma reação pontual de investidores que buscaram adquirir dólares a um preço considerado mais vantajoso após as baixas recentes. No entanto, a cotação se estabilizou novamente, impulsionada pela entrada contínua de capitais externos no mercado doméstico. Tal movimento destaca a atratividade do Brasil para investidores internacionais, mesmo em um dia de menor volatilidade para a moeda estadunidense, demonstrando uma demanda por ativos em reais.
Câmbio: Dólar Fecha Semana em Queda Após Estabilidade Diária
Apesar da leve oscilação positiva do dólar nesta sexta-feira, a semana se encerrou com uma desvalorização consistente da moeda americana em relação ao real, com queda acumulada de 1,61%. Este recuo semanal contribui para um cenário mais amplo de depreciação do dólar ao longo do ano de 2026, acumulando uma retração de 3,68% até o momento. Atualmente, a cotação da moeda estadunidense encontra-se em seus patamares mais baixos desde a primeira quinzena de novembro do ano anterior. Esse enfraquecimento é resultado de uma combinação de fatores globais e locais, que tem tornado o real mais competitivo frente às demais moedas fortes no cenário internacional, gerando um ambiente favorável para importadores e desfavorável para exportadores que faturam em dólares.
Um dos elementos cruciais para compreender a dinâmica atual do mercado é a contínua fuga de capitais dos Estados Unidos. Esse fenômeno, acompanhado de perto pelos analistas globais, tem beneficiado diretamente nações emergentes, com destaque para o Brasil. A atratividade de mercados como o brasileiro se intensifica à medida que os investidores buscam retornos mais elevados e diversificação fora das economias desenvolvidas. Os dados recentes da B3 são um testemunho dessa tendência: somente até 21 de janeiro deste mês, a Bolsa de Valores brasileira registrou uma entrada líquida de impressionantes R$ 12,35 bilhões. Este montante já representa quase a metade do saldo positivo de R$ 25,5 bilhões que foi observado ao longo de todo o ano de 2025, indicando um vigoroso início de ano para o fluxo de investimentos estrangeiros e solidificando a posição do Brasil como um destino atraente para capital especulativo.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Atração de Capitais Externos e o Papel dos Juros no Brasil
Para o mercado de câmbio e, consequentemente, para o desempenho do dólar, os juros elevados praticados no Brasil funcionam como um poderoso ímã para os capitais estrangeiros. A diferença substancial entre as taxas de juros no país e as aplicadas em economias avançadas gera um atrativo considerável para investidores em busca de rentabilidade. A Taxa Selic, patamar básico da economia, encontra-se atualmente em 15% ao ano, representando seu nível mais alto em quase duas décadas. Essa política monetária, visando o controle inflacionário e a estabilidade econômica, acaba por potencializar o interesse de investidores que procuram ganhos em moedas locais e com rendimentos fixos em comparação aos retornos de seus países de origem.
A atenção do mercado já se volta para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, onde será definido o futuro da Taxa Selic. A decisão do Copom é aguardada com grande expectativa, pois pode influenciar diretamente o fluxo de capitais e, por consequência, a cotação do dólar e o apetite dos investidores pela Bolsa brasileira. Analistas do mercado financeiro debatem intensamente as possibilidades de manutenção, alta ou baixa dos juros, cada cenário com implicações distintas para a economia e o poder de atração de investimentos. A sinalização do Copom será fundamental para definir os rumos de diversas classes de ativos no cenário econômico nacional nos próximos meses.
Confira também: Imoveis em Rio das Ostras
Em suma, a semana consolidou um momento de ascensão histórica para a Bolsa de Valores do Brasil, impulsionada por um notável fluxo de capitais externos e pela atratividade dos juros internos, que contêm o avanço do dólar. O país se mostra um polo de atração para investimentos, com perspectivas econômicas que justificam a euforia dos investidores em meio a um cenário global desafiador. Para se manter atualizado sobre os desdobramentos do mercado financeiro e outros temas relevantes, continue acompanhando as notícias em nossa editoria de Economia no blog Hora de Começar, onde abordamos as principais análises e eventos que moldam o cenário nacional e internacional.
Crédito da imagem: REUTERS/Amanda Perobelli/Proibida reprodução
