A Bolsa de Valores brasileira registrou um desempenho sem precedentes nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, atingindo um novo recorde ao encerrar o dia de negociações acima da marca dos 166 mil pontos pela primeira vez em sua história. Este feito notável ocorreu apesar de um cenário de crescentes incertezas no mercado financeiro global, especialmente em meio a tensões geopolíticas entre grandes potências econômicas. Enquanto isso, o dólar operou em alta no país, refletindo o ambiente de instabilidade internacional.
O índice Ibovespa, principal indicador da B3, fechou o pregão da terça-feira em 166.277 pontos, representando uma valorização de 0,87% no dia. Embora o indicador tenha experimentado uma breve retração nas primeiras horas da manhã, a tendência mudou drasticamente. A recuperação foi impulsionada significativamente pela abertura das bolsas nos Estados Unidos, que resultou em uma migração expressiva de capitais externos em direção a economias emergentes como o Brasil, evidenciando a busca por oportunidades de rentabilidade em mercados com juros mais atrativos.
Bolsa brasileira alcança recorde histórico de 166 mil pontos
Durante a tarde, o ritmo de ascensão da Bolsa de Valores brasileira apresentou uma leve desaceleração. Este movimento coincidiu com o discurso proferido pelo presidente Donald Trump, marcando o primeiro ano de sua administração. No entanto, mesmo com uma momentânea perda dos 166 mil pontos, o Ibovespa demonstrou resiliência e reagiu fortemente nos instantes finais de negociação. A recuperação foi alavancada principalmente pelo bom desempenho de ações de empresas de peso, com destaque para o setor de mineradoras, grandes bancos e petroleiras, que exercem considerável influência na composição do índice.
Desafios no Mercado de Câmbio em Meio à Instabilidade Global
Contrastando com a euforia vivenciada no mercado de ações, o setor de câmbio não apresentou o mesmo otimismo. O dólar comercial encerrou as operações desta terça-feira vendido a R$ 5,375, registrando uma valorização de R$ 0,016, ou seja, um aumento de 0,3%. A cotação da moeda norte-americana iniciou o dia com uma escalada robusta, chegando a tocar a marca de R$ 5,40 pouco antes das 11h. Contudo, ao longo da tarde, a pressão de alta se amenizou, levando a uma ligeira desvalorização frente ao pico matinal, mas mantendo a cotação em patamar elevado.
A principal razão por trás da elevação do dólar e da volatilidade nos mercados foi o agravamento das tensões diplomáticas e comerciais entre os Estados Unidos e a Europa. Nesta terça, as preocupações foram reforçadas por uma declaração contundente do presidente francês, Emmanuel Macron, que sinalizou a possibilidade de acionar um mecanismo de defesa comercial por parte da União Europeia. Essa retaliação poderia resultar na aplicação de tarifas de até 93 bilhões de euros sobre produtos de origem estadunidense, uma resposta direta às recorrentes ameaças do presidente Trump de anexar a Groenlândia e de implementar tarifas mais elevadas sobre importações europeias.
Adicionando lenha à fogueira das incertezas geopolíticas, a decisão do parlamento europeu de suspender a tramitação do acordo comercial negociado entre a União Europeia e os Estados Unidos contribuiu decisivamente para o aumento das tensões. O pacto, que havia sido estabelecido em julho do ano anterior, previa a imposição de uma tarifa de 15% pelos Estados Unidos sobre uma variedade de produtos de origem europeia. A interrupção da análise parlamentar sinaliza um revés nas relações comerciais e gera preocupações sobre o futuro das parcerias transatlânticas.

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Apesar do panorama internacional desafiador, a diferença nas taxas de juros entre Brasil e Estados Unidos exerceu um papel estabilizador no mercado financeiro brasileiro. Com os investidores estrangeiros buscando refúgio e maiores rendimentos, houve um fluxo significativo de capitais que migrou de bolsas estadunidenses, as quais encerraram o dia com quedas acentuadas, para o Brasil. A atratividade das elevadas taxas de juros no país mitigou parte da pressão de desvalorização sobre o real e, consequentemente, impulsionou a bolsa brasileira.
Olhando para o futuro próximo, as atenções dos agentes do mercado financeiro estarão voltadas para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que ocorrerá na próxima semana. O comitê se reunirá para definir os novos rumos da Taxa Selic, o juro básico da economia nacional. Atualmente, a Taxa Selic se mantém em um patamar de 15% ao ano, representando o nível mais elevado registrado em quase duas décadas no Brasil, um fator crucial na atração de investimentos estrangeiros e na condução da política monetária do país. Para mais informações sobre a evolução da Taxa Selic no Brasil, consulte o Banco Central do Brasil.
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O recorde da Bolsa de Valores brasileira destaca a complexa dinâmica do cenário econômico atual, com forças internas e externas moldando o comportamento dos investimentos. Este desempenho histórico sublinha a importância de acompanhar de perto as decisões do Copom e os desdobramentos geopolíticos. Para aprofundar seu conhecimento sobre o mercado financeiro e a influência da Taxa Selic na economia, continue explorando nossas análises e notícias exclusivas na editoria de Economia do Hora de Começar, onde você encontra informações precisas e relevantes sobre os temas que impactam seu dia a dia.
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