BC Mantém Taxa Selic em 15% Pela Quarta Vez Seguida

Economia

Por decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central (BC) optou por manter a Taxa Selic, os juros básicos da economia brasileira, no patamar de 15% ao ano. Essa foi a quarta vez consecutiva que a taxa permaneceu inalterada, uma medida já antecipada pelo mercado financeiro e justificada pelo recente recuo da inflação e pela observada desaceleração da atividade econômica nacional.

Em comunicado divulgado após a reunião, o Copom se absteve de fornecer indícios sobre um possível início de corte nas taxas. Reforçando sua posição de encontros anteriores, o comitê reiterou que o cenário econômico atual é marcado por uma elevada incerteza, o que exige uma abordagem cautelosa na condução da política monetária. A estratégia central do Banco Central permanece a de sustentar a Selic no nível atual por um período consideravelmente extenso.

A estratégia adotada, de preservação do nível corrente da taxa de juros por um lapso de tempo prolongado, é considerada crucial para garantir a convergência da inflação em direção à meta estabelecida. O comitê destacou que permanecerá em constante vigilância, e que quaisquer ajustes futuros na política monetária poderão ser efetuados conforme necessário. Sublinhou, ainda, que não hesitará em retomar o ciclo de elevação dos juros caso a situação o exija.

BC Mantém Taxa Selic em 15% Pela Quarta Vez Seguida

Histórico da Taxa Selic

Essa deliberação marca a quarta reunião consecutiva do Copom a preservar os juros básicos inalterados. Atualmente, a Taxa Selic encontra-se no patamar mais elevado desde julho de 2006, período em que a taxa atingiu 15,25% anuais.

Após alcançar o pico de 10,5% ao ano em maio do ano passado, a trajetória de elevação da taxa de juros teve início em setembro de 2024. A Selic atingiu os atuais 15% anuais na reunião de junho, mantendo-se inalterada desde então, reforçando a postura conservadora do Banco Central.

Impacto na Inflação e Nova Meta

A Taxa Selic é reconhecidamente o principal mecanismo à disposição do Banco Central para o controle da inflação oficial, aferida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em novembro, o IPCA registrou um avanço de 0,18%, representando o menor índice para o mês desde 2018. Com esse desempenho, o indicador acumula uma alta de 4,46% nos últimos 12 meses, um valor que o reposiciona dentro dos limites do teto da meta contínua de inflação.

Conforme o novo regime de meta contínua, implementado a partir de janeiro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) define a meta de inflação que o Banco Central deve buscar em 3%, permitindo uma variação de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Assim, os limites aceitáveis são de 1,5% (inferior) e 4,5% (superior).

Neste modelo contínuo, a apuração da meta ocorre mensalmente, com base na inflação acumulada nos últimos 12 meses. Em dezembro de 2025, por exemplo, a inflação acumulada desde janeiro do mesmo ano será confrontada com a meta e sua respectiva faixa de tolerância. Em janeiro de 2026, o procedimento se repete, considerando a inflação a partir de fevereiro de 2025. Dessa forma, a avaliação da inflação e seu alinhamento com a meta se desloca progressivamente, não se restringindo apenas ao índice fechado de dezembro de cada ano.

No Relatório de Política Monetária mais recente, publicado no fim de setembro pelo Banco Central do Brasil, a projeção para o IPCA em 2025 foi ajustada para 4,8%, uma revisão descendente em relação às estimativas anteriores. Entretanto, a autoridade monetária indica que essa estimativa será novamente revista, em função das flutuações do dólar e de outros componentes da inflação. A próxima versão deste importante documento está programada para ser divulgada no fim de dezembro.

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Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

As expectativas do mercado financeiro, refletidas no boletim Focus – pesquisa semanal realizada pelo BC com instituições financeiras –, apresentam um otimismo ligeiramente maior. A previsão é de que a inflação oficial encerre o ano em 4,4%, situando-se marginalmente acima do teto da meta estabelecida. Há um mês, as projeções dos analistas apontavam para 4,55%. Para entender mais a fundo sobre o funcionamento e a relevância deste instrumento, o Banco Central do Brasil mantém em seu portal uma seção explicativa dedicada ao tema: O que é Selic.

Crédito Caro e o Desafio do Crescimento Econômico

A elevação da Taxa Selic desempenha um papel fundamental na contenção da inflação, visto que taxas de juros mais elevadas encarecem o acesso ao crédito, o que, por sua vez, desestimula a produção e o consumo. Em contrapartida, juros mais altos representam um obstáculo para o avanço da economia. No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central reviu para baixo a projeção de crescimento econômico para 2025, de 2,1% para 2%.

As projeções do mercado, contudo, são um pouco mais animadoras. De acordo com a edição mais recente do boletim Focus, analistas econômicos estimam uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,25% para o ano de 2025.

A taxa básica de juros, usada nas transações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), é um referencial para as demais taxas de juros praticadas na economia. Quando o Banco Central ajusta essa taxa para cima, ele consegue moderar a demanda excessiva que pressiona os preços. Juros mais altos tornam o crédito mais oneroso e incentivam a poupança, desacelerando a economia.

Inversamente, uma decisão do Copom de reduzir os juros básicos resulta em um barateamento do crédito e um incentivo à produção e ao consumo, mas isso também implica um afrouxamento no controle inflacionário. Para efetuar um corte na Taxa Selic, a autoridade monetária necessita ter plena convicção de que os preços estão sob controle rigoroso e que não há risco de uma nova espiral inflacionária.

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A manutenção da Taxa Selic em 15% reflete a complexa balança entre o combate à inflação e o estímulo ao crescimento econômico que o Banco Central precisa gerenciar. A postura de cautela e a vigilância constante são os pilares da atual política monetária brasileira, aguardando o momento oportuno para flexibilizações sem comprometer a estabilidade de preços. Para aprofundar seu conhecimento sobre os desdobramentos econômicos e suas análises, continue acompanhando nossa editoria de Economia em nosso blog, onde publicamos regularmente informações relevantes sobre o cenário nacional e global.

Crédito da Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil