TÍTULO: Acordo Oncoclínicas e Porto Seguro: Análises do Mercado Financeiro
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META DESCRIÇÃO: O mercado financeiro reagiu ao acordo entre Oncoclínicas (ONCO3) e Porto Seguro (PSSA3). Conheça as análises de Goldman Sachs, BBI e JPMorgan sobre o impacto na B3.
O Acordo entre Oncoclínicas e Porto Seguro gerou significativa repercussão no mercado financeiro brasileiro. Após a confirmação da parceria para a criação de uma nova companhia, as ações de ambas as empresas, ONCO3 e PSSA3, registraram quedas na Bolsa de Valores (B3) na segunda-feira, 16 de outubro. A operação envolve um investimento substancial da seguradora na prestadora de serviços médicos, levantando questionamentos e análises por parte de grandes instituições financeiras.
Na noite de domingo, a Oncoclínicas (ONCO3) formalizou a assinatura de um termo de compromisso não vinculante com a Porto Seguro (PSSA3), pavimentando o caminho para a constituição de uma nova empresa. O compromisso estabelece uma injeção de capital de R$ 500 milhões por parte da Porto na nova entidade, garantindo à seguradora a subscrição de ações ordinárias que conferem o controle do capital votante e, no mínimo, 30% do capital social da companhia resultante.
Acordo Oncoclínicas e Porto Seguro: Análises do Mercado Financeiro
A reação do mercado à notícia foi visível no desempenho das ações na B3. Os papéis da ONCO3, da Oncoclínicas, demonstraram grande volatilidade ao longo do pregão, oscilando para uma alta expressiva de 15,68%, atingindo R$ 2,14 em seu pico, antes de fecharem com uma leve retração de 0,54%, cotados a R$ 1,84. Simultaneamente, as ações da Porto Seguro (PSSA3) registraram uma desvalorização de 4%, encerrando o dia a R$ 47,34.
Perspectiva do Goldman Sachs sobre a Transação
O Goldman Sachs analisou o movimento estratégico entre as companhias, ponderando os potenciais benefícios e os desafios remanescentes. Para o banco, a operação possui mérito estratégico, principalmente pela possibilidade de reduzir a alavancagem da Oncoclínicas. A empresa tem enfrentado dificuldades notáveis na geração de fluxo de caixa orgânico nos últimos trimestres, o que se traduziu em um aumento da dívida líquida em cerca de R$ 1 bilhão até 2025. Esse montante considera o cenário sem a capitalização de R$ 1,2 bilhão efetuada em novembro de 2025.
Ainda segundo a avaliação do Goldman Sachs, mesmo com o aumento de capital, o balanço da Oncoclínicas ainda apresenta um quadro desafiador. A alavancagem projetada para 2026, calculada em 3,3 vezes a relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado (incluindo passivos de arrendamento), e a tendência de geração de caixa se mantêm como preocupações centrais para a tese de investimento. O acordo, porém, se as condições forem mantidas, pode impactar positivamente, reduzindo a dívida líquida/EBITDA projetada para 2026 em 0,46 ponto percentual, alcançando 2,9 vezes, apenas com o investimento de capital. Caso a debênture conversível seja totalmente convertida em ações até o final de 2026, a alavancagem poderia cair em 0,92 ponto, chegando a 2,4 vezes.
Além do aspecto financeiro, o Goldman Sachs ressaltou o valor estratégico na aprofundamento da relação com a Porto. As duas empresas já colaboram desde 2022 em um modelo integrado de cuidados oncológicos. Essa parceria anterior impulsionou a participação da Porto Saúde na base de clientes da Oncoclínicas, alcançando aproximadamente 8% da receita bruta acumulada nos doze meses que antecederam o terceiro trimestre de 2025. A transação é considerada benéfica estrategicamente, uma vez que a Porto Saúde se destaca por suas métricas operacionais mais robustas, o que poderia aliviar a pressão da Oncoclínicas em lidar com pagadores em situações financeiras mais vulneráveis, potencialmente melhorando a conversão do EBITDA em fluxo de caixa para acionistas no futuro.
Bradesco BBI: Uma Análise Mista a Negativa
Em contraste, o Bradesco BBI manifestou uma visão mista a negativa sobre o anúncio da parceria. A instituição observou que a avaliação implícita da nova empresa, que poderia atingir até R$ 1,67 bilhão em valor patrimonial (sem necessariamente assumir 100% da dívida líquida da ONCO), representa um desconto significativo de 20% em relação à capitalização de mercado atual da ONCO3 e de 47% frente ao valor justo estimado para o final de 2026. A ênfase nas métricas de alavancagem financeira e valor de mercado são cruciais para entender esses resultados.
Para o BBI, o principal ponto positivo da transação é a melhoria esperada na governança corporativa, com a Porto Seguro assumindo uma posição de controle na nova entidade. Contudo, a redução da alavancagem resultante da injeção de R$ 500 milhões é vista como relativamente modesta, diminuindo apenas 18% para R$ 2,36 bilhões. Esse patamar ainda corresponde a 3,5 vezes o EBITDA anualizado do terceiro trimestre de 2025, desconsiderando o impacto do IFRS 16 (que totalizou R$ 167 milhões). O banco lembrou que a joint venture entre Oncoclínicas e Porto, com participação de 60/40, já havia sido estabelecida em dezembro de 2022, e a Porto Seguro é uma pagadora de grande relevância, contribuindo com 7% a 8% das receitas da Oncoclínicas.
JPMorgan Apresenta Visão Neutra para a Porto e Oportunidades para a Oncoclínicas
O JPMorgan, por sua vez, atribuiu uma classificação neutra para a Porto Seguro em relação à operação. A avaliação do banco indica que a diligência ainda pendente para a concretização do acordo estaria ligada a aspectos como o reprofilamento da dívida da Oncoclínicas e a discussão de uma possível cláusula de poison pill, mecanismo usado para evitar aquisições hostis. A estrutura relatada da transação envolve a separação de cerca de 200 clientes ambulatoriais da Oncoclínicas, focados em infusões oncológicas, em uma subsidiária independente, na qual a Porto realizaria o investimento de capital e deteria a dívida conversível. Simultaneamente, credores da Oncoclínicas poderiam transferir seus créditos, cujos termos ainda não foram detalhados, para essa nova entidade, excluindo unidades hospitalares, centros de câncer e o investimento na Arábia Saudita.

Imagem: infomoney.com.br
Para a Porto, o movimento pode ter implicações triplas. Em primeiro lugar, visa fortalecer a estrutura de capital de um parceiro essencial, considerando que a Porto já detém uma joint venture com a Oncoclínicas, onde 40% do resultado retorna à sua divisão de saúde. Em segundo lugar, busca fomentar a competição no sistema de saúde, ao apoiar um operador independente num cenário de consolidação. E, finalmente, gerar retorno financeiro, pressupondo que o investimento da Porto só avançaria se a avaliação da empresa fizesse sentido, justificando a exigência de reprofilamento da dívida antes do fechamento de qualquer acordo.
O JPMorgan não prevê que uma eventual perda da Oncoclínicas como parceira representaria uma pressão significativa sobre os custos de sinistros de saúde da Porto, estimando cerca de R$ 500 milhões anuais em pagamentos de sinistros, o que corresponde a aproximadamente 8% dos sinistros da seguradora. Adicionalmente, o banco mencionou os planos da Porto para realizar um IPO de sua divisão de saúde, que registrou um lucro de R$ 581 milhões em 2025. Embora o crescimento da receita tenha atingido o pico, com projeções de prêmios entre 14% e 22% para 2026, o JPMorgan destacou que o mercado de seguros de automóveis permanece o principal foco competitivo da Porto.
No que tange à Oncoclínicas, a parceria expandida com a Porto surpreendeu, dado que a recente nomeação de Camille Faria como diretora financeira apontava para uma ampla reestruturação de dívida e corporativa, possivelmente com um aumento de capital, mas sem a entrada de um novo parceiro estratégico. A renúncia de Faria, porém, foi anunciada em meio a este novo cenário. O JPMorgan ponderou que, diante do déficit de caixa gerado pela liquidação do Banco Master na Oncoclínicas, o acordo pode ser percebido como um fator potencialmente positivo no curto prazo, mitigando riscos de continuidade operacional. Entretanto, a falta de visibilidade sobre o reprofilamento da dívida ou a migração para a nova subsidiária ainda gera incertezas cruciais para a avaliação do valor das ações, dado que a maior parte da dívida está na holding.
Mesmo com as incertezas, o JPMorgan reiterou que a possibilidade de a Oncoclínicas receber novo capital de um parceiro estratégico, reforçando a sustentabilidade do negócio, tende a ser interpretada positivamente pelo mercado. A instituição manteve a classificação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para a Porto, com preço-alvo de R$ 57. Para a Oncoclínicas, a recomendação underweight (exposição abaixo da média, equivalente à venda) foi mantida, mas a empresa foi incluída na lista de monitoramento de catalisadores positivos, à espera de desenvolvimentos sobre a reestruturação da dívida e corporativa.
Recomendações das Casas de Análise
Conforme o panorama apresentado, as análises de mercado convergem em alguns pontos e divergem em outros. O Bradesco BBI reafirmou sua classificação de venda para as ações da Oncoclínicas, com um preço-alvo de R$ 2,80. O Goldman Sachs, por sua vez, manteve a recomendação neutra para os papéis da Oncoclínicas, estabelecendo um preço-alvo de R$ 3,50.
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Em suma, o acordo entre Oncoclínicas e Porto Seguro se mostra como um movimento estratégico complexo, com potenciais benefícios na reestruturação financeira da Oncoclínicas e no fortalecimento da parceria entre as duas companhias, embora a recepção do mercado e as análises das instituições financeiras reflitam uma mescla de otimismo e cautela. Continue acompanhando a seção de Economia para mais atualizações sobre o desempenho das empresas na B3 e análises aprofundadas sobre o mercado financeiro.
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